O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!

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O coração de uma mulher é um oceano de segredos

sábado, 8 de maio de 2010

O Morro dos Ventos Uivantes - Emily Bronte

Profundamente enigmático “O Morro dos Ventos Uivantes”, escrito em 1847, é uma obra que salienta o espírito martirizado. A escritora inglesa Emily Brontë descreve as paixões e misérias humanas com notável argúcia para uma jovem professora ainda sem experiência literária. O romance discorre em um tom triste e sorumbático, no qual a autora revela as propriedades psicológicas de personagens rudes, levianas, gentis ou espontâneas. Assim Brontë vai costurando a história de um amor arrebatador e doentio. O atormentado Heathcliff e a voluntariosa Catherine cresceram juntos, até que foram separados pelas adversidades e desilusões da vida. O sentimento que os une, também os tortura. Heathcliff é o anti-herói romântico, uma figura realmente assustadora. Uma alma mortificada que não esconde seu caráter ameaçador e vingativo. Uma criatura que se aproxima da personificação do mal, mas ao mesmo tempo é extremamente sedutor. Heathcliff é o mistério que não finda. O cotidiano é contado com o auxílio das passagens de tempo, mudanças narrativas, descrições de paisagens exuberantes, áridas, soturnas e de gestos e expressões detalhadas. Emily Brontë segue percorrendo o universo dessas pessoas inconstantes e envolventes como a vida que ultrapassa o Morro dos Ventos Uivantes.


Palavras de uma leitora...

Catherine Earushaw, Heathcliff, Edgar Linton, Hareton Earushaw, Catherine Linton, Hindley Earushaw, Isabella Linton e Linton Heathcliff são os principais personagens desse romance macabro ... Mas os protagonistas são Catherine Earusshaw e Heathcliff.

Eles se conheceram quando ainda eram crianças. O pai da Catherine encontrou Heathcliff na rua e o levou para casa. Ninguém sabia quem ele era, se tinha família, nada... Para alguns leitores... um demônio.

Catherine era mimada... Tinha tudo que queria, menos a felicidade. Desde criança era egoísta demais para ser feliz. Só pensava nela... E além dela, a única pessoa para quem dava um pouco de importância era para o Heathcliff. Eles cresceram como melhores amigos e se gostavam muito... Até o dia que Catherine se transforma numa adolescente interesseira, metida e que acha que não deve mais se misturar com pessoas como Heathcliff. Decide se casar com Edgar Linton e virar as costas para seu verdadeiro amor...

Heatchliff sempre foi desprezado. O irmão mais vê-lo de Catherine, Hindley, fazia questão de o agredir e humilhar. Seu único consolho era sua querida Catherine a quem amava com toda alma. Mas depois de ouvir uma conversa dela com a governanta Dean, decide ir embora...

Catherine sofre muito pela partida de Heathcliff... Mas mesmo assim se casa com Edgar...
Heathcliff reaparece disposto a se vingar de todos, até mesmo da sua Catherine... E é o que faz. Mas sua sede de vingança leva consigo a vida de Catherine...

Viver sem ela para ele é um martírio... Mas ele não admite que teve culpa na morte de Catherine e decide destruir todos que acha culpados... Principalmente Catherine Linton, a filhinha a quem Catherine deu à luz instantes antes de morrer... Para ele, Cathy Linton é culpada pela morte de sua amada.
Ele vai se desfazendo de cada um aos poucos...
No fim, Isabella Linton (sua esposa), Edgar Linton, Linton Heathcliff (seu filho) e Hindley Earushaw também morrem.... Restam Hareton  e Cathy Linton.

A vida de nenhum deles é feliz. Só Cathy chegou a ser feliz. Era uma menina simpática, amorosa, mas que foi destruída quando Heathcliff cruzou se caminho. É triste ver tantas vidas serem perdidas pelo erro de duas pessoas. Sim, os únicos culpados por tanta infelicidade foram: Heathcliff e Catherine Earushaw. Eles destruíram essas pessoas e no final também se destruíram.

Só conseguiram ser felizes e ficarem juntos após a morte. Dizem que até hoje suas almas vagam pela noite, de mãos dadas...

Uns trechos:

[..]"Catherine, não conseguindo conter a ansiedade, fixou o

olhar na porta do quarto. Mr. Heathcliff não encontrou logo o
quarto que procurava e Catherine fez-me sinal pára que o
ajudasse. Contudo, isso não foi necessário, pois ele logo o
encontrou e, com duas passadas largas, chegou junto dela e
tomou-a nos braços.
Durante mais de cinco minutos não falou nem afrouxou o
abraço, e atrevo-me a dizer que aproveitou esse tempo para lhe
dar mais :,
beijos do que jamais lhe dera em toda a sua vida. No entanto,
foi a minha patroa quem o beijou primeiro, e era evidente que
enfrentar o olhar dela era para ele uma agonia. Desde o
primeiro momento em que a viu, ficou convicto, tal como eu, de
que não havia qualquer esperança de recuperação e de que ela
estava condenada à morte.
-- Oh! Cathy! Oh, minha vida! Como posso eu suportar esta
dor? foram as primeiras palavras que proferiu, num tom onde
não realçava o desejo de mascarar o desespero.
Os olhos dele fixavam-na com tanta intensidade que julguei
esse olhar capaz de lhe rasar os olhos de água. Porém, as
lágrimas nem tempo tiveram para rolar, pois a angustia
secou-as primeiro.
-- E agora? perguntou Catherine, recostando-se na cadeira e
retribuindo-lhe o olhar com um súbito endurecer da expressão.
O seu humor era como um cata-vento, sempre ao sabor dos
caprichos.
-- Tu e o Edgar destroçaram-me o coração, Heathcliff! E vêm
agora lamentar-se ambos junto de mim, como se fossem as
vítimas! Não terei compaixão de vós! Não eu, a quem os dois
deram a morte. Penso que lucraste com a situação; olha como
estas forte! Quantos anos pensas ainda viver depois de eu
morrer?
Heathcliff tinha posto um joelho em terra para a abraçar,
mas, ao tentar levantar-se, ela agarrou-o pelos cabelos,
obrigando-o a manter-se na mesma posição.
-- Gostava de poder abraçar-te até morrermos os dois! --
prosseguiu ela, amargamente. -- Não importa o que sofresses.
Não me preocupo com os teus sofrimentos! Por que não hás-de tu
sofrer, se eu sofro tanto! Será que me vais esquecer? E
ficares muito contente quando eu estiver debaixo da terra? E,
daqui a vinte anos, dirás junto à minha sepultura: -- Aqui jaz
a Catherine Earnshaw. Amei-a há muitos anos e perdê-la
dilacerou-me o coração; mas tudo isso são coisas do passado.
Depois dela, já amei outras mulheres... os meus filhos são-me
mais caros do que ela foi, e, quando morrer, não me sentirei
feliz por ir para junto dela; muito pelo contrário,
lamentar-me-ei por abandonar os meus: filhos. Não será assim
Heathcliff?
-- Não me tortures até eu ficar tão louco como tu! --
gritou ele, libertando-se, e rangendo os dentes de raiva.
Para um espectador imparcial, formavam os dois um quadro :,
bizarro e assustador. Catherine bem podia acreditar que o céu
seria a sua pátria de exílio, mas só se ao perder o corpo ela
perdesse também o caracter. O seu rosto empalidecido tinha
agora um ar selvagem e vingativo, com os lábios descorados e
os olhos cintilantes. Mantinha a mão fechada e, por entre os
dedos, espreitavam as madeixas de cabelo que ela lhe tinha
arrancado. Quanto ao companheiro, e enquanto se levantava com
a ajuda de uma mão, com a outra agarrava-a por um braço. A
falta de consideração pelo estado em que ela se encontrava era
tanta que, quando a largou, pude ver quatro marcas vermelhas
na sua pele esmaecida.
-- Deves estar possuída pelo diabo continuou ele,
desvairadamente, -- para falares comigo nesse tom, atendendo
sobretudo a que estás à beira da morte! Já pensaste bem que
todas essas palavras vão ficar gravadas na minha memória,
consumindo-me a alma eternamente depois de tu morreres? Sabes
que mentes quando afirmas que fui eu quem te levou a esse
estado deplorável. E tu também sabes, Catherine, que enquanto
eu viver nunca te esquecerei! Não será suficiente para o teu
egoísmo atroz saberes que, enquanto descansas em paz, eu
sofrerei os tormentos do inferno?
-- Não terei paz! gemeu Catherine, debilitada pela fraqueza
física, devida ao batimento acelerado e desigual do coração,
visível e audível neste acesso de exacerbada agitação.
Enquanto o paroxismo durou, nada mais disse. Depois,
continuou, mais docilmente.
-- Heathcliff, eu não te desejo os tormentos que passei. Só
quero que nunca mais nos separemos, e, se algum dia as minhas
palavras te angustiarem, lembra-te de que sentirei a mesma
angústia debaixo da terra. E, pelo que sentes por mim
perdoa-me, por favor! Chega-te perto de mim e ajoelha-te
outra vez! Tu nunca na tua vida me fizeste mal algum. Se algum
rancor ainda guardas, será pior recordá-lo que às minhas
palavras ásperas! Vem, aproxima-te outra
vez."[...]
 
  [...] "-- Mostraste-me agora o quão cruel tens sido. Cruel e

falsa! Por :, que me desprezaste, Cathy? Por que traíste o
teu próprio coração? Não tenho sequer uma palavra de conforto
para te dar. Tu mereces tudo aquilo por que estás a passar.
Mataste-te a ti própria. Sim, podes beijar-me e chorar o
quanto quiseres. Arrancar-me beijos e lágrimas. Mas eles
queimar-te-ão e serás amaldiçoada. Se me amavas, por que me
deixaste? Com que direito? Responde-me! Por causa da mera
inclinação que sentias pelo Linton? Pois não foi a miséria,
nem a degradação; nem a morte, nem algo que Deus ou Satanás
pudessem enviar, que nos separou. Foste tu, de livre vontade,
que o fizeste. Não fui eu que te despedacei o coração, foste
tu própria. E, ao despedaçares o teu, despedaçaste o meu
também. Tanto pior para mim, que sou forte e saudável. Se eu
desejo continuar a viver? Que vida levarei quando... Oh! Meu
Deus! Gostarias tu de viver com a alma na sepultura?" [...]
 
  [...]"Perdoo-te o mal que me fizeste. Eu amo a

minha assassina. Mas... e à tua, como poderei perdoar-lhe?" [...]
 
  [...] "-- Catherine Earnshaw, enquanto eu viver não descansarás em

paz! Disseste que te matei. Pois então assombra-me a
existência! Os assassinados costumam assombrar a vida dos seus
assassinos, e eu tenho a certeza de que os espíritos andam
pela terra. Toma a forma que quiseres, mas vem para junto de
mim e enlouquece-me! Não me deixes só, neste abismo onde não
te encontro! Oh! Meu Deus! É indescritível a dor que sinto!
Como posso eu viver sem a minha
vida?! Como posso eu viver sem a minha alma?!" [...]
 

Acho esses trechos muito emocionantes. A dor de ambos pode ser sentida e até mesmo tocada.
 

8 comentários:

Renata Cristina disse...

Noosa! como eu amo esse livro!!!! li esse livro há uns 8 anos sem saber de como esse livro é um clássico, peguei na biblioteca pra ler porque gostei do nome e quando comecei a ler não consegui mais parar. Mesmo com toda a maldade de Heathcliff e com toda o egoismo da Cat não pude deixar de me apaixonar por eles e como eu torci pra eles terminarem bem no final ... se bem que eles terminaram bem sim no fim. Já vi pessoas dizendo que o final não foi feliz porque só podemos "supor" que eles terminaram juntos no fim mas como eu prefiro ver o copo meio cheio, pra mim as almas deles não poderiam seguir em frente se não fossem juntas.
E o filme também é ótimo, esse livro ja teve várias versões a que mais gosto é a de 1992 com Ralph Fiennes e Juliette Binoche, vc já viu?, eles foram maravilhosos.
Bjosss

Luna disse...

Não assisti o filme "O Morro dos Ventos Uivantes", não. Meu pai que assistiu e disse que é muito bom. Eu tenho a música da Kate Bush, "Wuthering Heights" e achei a música perfeita pra história. Aliás, a música foi feita baseada na história. Você já ouviu?

Também acho que a Catherine e o Heathcliff ficaram juntos depois da morte. No final, mereciam.

Bjs!

Renata Cristina disse...

Conheço sim e adoro essa música!
olha esse vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=UI5qEQAvOcY
tem essa música e várias cenas do filme de 1992, é liiiiiindo!!! *suspiros* chorei rios com esse filme .... *mais suspiros*

Luna disse...

Eu estou querendo achar o livro "O Morro dos Ventos Uivantes", mas não sei nem por onde começar a procurar... rsrsrs... Sabe onde o encontro?

Vou ver o vídeo.

Bjs! E obrigada mais uma vez pelas dicas.

Renata Cristina disse...

Oláaaa!!
Você quer achar o livro né! hehe eu já ia te enviar o e-book quando vi que você mesma postou o link do 4shared pra download ops e se não me engano a Bruna, minha amiga que faz o blog comigo, já te enviou ... hehe.
Então .. o livro que eu tenho eu achei em um sebo, sei que tem pra vender pelo site das lojas americanas e achei esses exemplares pra venda no site
http://www.americanas.com.br/AcomProd/1472/588133#features
http://www.americanas.com.br/AcomProd/1472/2423163
há uma diferença grande de preços entre eles né, não sei porque, deve ser por causa da editora.
O exemplar que eu tenho é da editora Abril e é esse:
http://br.gojaba.com/book/8561859/O-Morro-dos-Ventos-Uivantes-Emily-Bront%C3%AA
esse é um site de sebos online. sou meio desconfiada pra comprar pela internet de um site que não seja das americanas que sei que é confiável, mas quando o preço a pagar é pequeno às vezes eu arrisco.
Bjosss até mais

Mil suspiroos disse...

Ahhhhh menina! acredita que só agora eu vi o seu e-mail dizendo que queria achar o filme do "morro dos ventos iuvantes" se vc não tem ainda o link eu tenho. eu baixei ele uma vez e foi por esse site:

http://cinebloteca.blogspot.com/2008/10/1992-o-morro-dos-ventos-uivantes.html

o download está dividido em 6 partes, testei agora e ainda estão funcionando

PS: pois é ... o mocinho de "guerra das rosas" é de dá raiva mesmo mas como eu já esperava nao me irritei tanto.

PS:rsrsrsr ainda estou com 22 anos, 23 eu faço só em setempro hehehe e com 1 ano desses 22 anos e 11 meses dedicado à literatura de banca, entre outros tipos de leteratura também, a única coisa que não consigo ler é livro de auto ajuda. Sei até o dia exato que comecei a ler esses romances, foi no dia 13 de maio de 2009 com o livro "Maravilhosa" de Jill Barnett. sei que foi nesse dia porque é o dia que consta da postagem desse e-book no blog "Romances Sobrenaturais" na verdade esse livro não tem nada de sobrenatural, dizem que a mocinha é bruxa só porque ela mexe com ervas, na verdade é um Romance Histórico com um mocinho durão de armadura uiui *suspiros* acho que foi ai que comecei a adorar um guerreiro de armadura rsrsrsrs

Renata
Bjossss

Luna disse...

rsrsrs... Obrigada pela ajuda, Renata!

Eu já estou lendo romances de banca há dois anos. Comecei em agosto de 2008 com o livro "De encontro com o amor", mas só criei o blog em março desse ano.

Talvez o fato de eu ter começado por um romance contemporâneo influencie minha preferência por esse tipo de romance.

bjs!

Anônimo disse...

Desculpe Lú só comentar agora.Já faz um tempão que quero comentar mais ainda não tinha sido possível


"- Mostraste-me agora o quão cruel tens sido. Cruel e falsa! Por que me desprezaste, Cathy? Por que traíste o teu próprio coração? Não tenho sequer uma palavra de conforto para dar. Tu mereces tudo aquilo por que estás passando. Mataste a ti própria. Sim, podes beijar-me e chorar o quanto quiseres. Arrancar-me beijos e lágrimas. Mas eles vão te queimar e serás amaldiçoada. Se me amavas, por que me deixaste? Com que direito? Responde-me! Por causa da mera inclinação que sentias pelo Linton? Pois não foi a miséria, nem a degradação, nem a morte, nem algo que Deus ou satanás pudessem enviar, que nos separou. Foste tu, de livre vontade, que o fizeste. Não fui eu que despedacei teu coração, foste tu própria. E, ao despedaçares o teu, despedaçaste o meu também. Tanto pior para mim, que sou forte e saudável. Se eu desejo continuar a viver? Que vida levarei quando... Oh! Meu Deus! Gostaria tu de viver com a alma na sepultura?





- Pois que desperte em tormento! - bradou ele com assustadora veemência, batendo o pé e soltando um grito, paroxismo de cólera incontrolada. - Por que ela mentiu até o fim? Onde está ela? Não está aqui, nem no céu, nem morta! Onde está então? Oh! Disseste que não te importavas que eu sofresse! Pois o que eu te digo agora, vou repetir até que a minha língua paralise: Catherine Earnshaw, enquanto eu viver não descansarás em paz! Disseste que te matei. Pois então assombra-me a existência! Os assassinados costumam assombrar a vida dos seus assassinos, e eu tenho certeza de que os espíritos andam pela terra. Toma a forma que quiseres, mas vem para junto de mim e me enlouquece! Não me deixes só, neste abismo onde não te encontro! Oh! Meu Deus! É indescritível a dor que sinto! Como posso eu viver sem a minha vida?! Como posso eu viver sem a minha alma?!"


Esses trechos me tiraram o folego.Já os li várias vezes e apesar de não ter coragem para ler o livro ainda kkk...entendo perfeitamente o facto de vc o ter lido 2 vezes.É tudo muito triste,muito mórbido,mas contagiante.Sua resenha está mais uma vez maravilhosa.


bjs,

Moniquita

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