O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!

O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!
O coração de uma mulher é um oceano de segredos

domingo, 25 de agosto de 2013

Manhã, Tarde e Noite - Sidney Sheldon


(Título Original: MORNING, NOON AND NIGHT
Tradutor: Pinheiro de Lemos
Editora: Record
Edição de: 1995)


 Rico e poderoso, com grande influência sobre diversos governos de todo o mundo, Harry Stanford é o patriarca de uma família em decadência. O novo romance de Sidney Sheldon começa quando Stanford morre em circunstâncias suspeitas logo após anunciar a intenção de modificar o testamento. Depois do funeral, a reunião de família é interrompida pela chegada de uma linda jovem que alega ser filha do empresário e reivindica uma parte de sua formidável herança.

Enquanto isso, o advogado nomeado como testamenteiro começa a investigar a morte de Stanford e a tentar descobrir quem tem direito à herança.



Palavras de uma leitora...


"Deixe que o sol da manhã aqueça
Seu coração quando é jovem
E deixe a brisa amena da tarde
Esfriar sua paixão,
Mas cuidado com a noite,
Pois a morte ali espreita,
Esperando, esperando, esperando."
                          (Arthur Rimbaud)



- Até onde uma pessoa poderia ir por dinheiro? O que ela seria capaz de fazer? Chegaria a matar por isso? Mesmo que fosse alguém da própria família?! Ou... existiria destruição pior que a morte?!

Harry Stanford era um homem brilhante. E o que tinha de brilhante tinha de cruel. Suas crueldades nunca conheciam limites. Ele era capaz de tudo para se manter no controle, no comando, das situações e das pessoas. Por dinheiro, por poder e uma ambição sem fim ele havia começado um longo processo de destruição ainda bem jovem, desunindo a própria família e traindo o pai. Era insensível, incapaz de sentir compaixão por qualquer ser humano. Tudo sempre tinha que girar ao seu redor e era capaz de fazer uma pessoa passar pelas piores humilhações se o contrariasse. Tinha assassinado a própria mulher e escapado impune. Tinha separado os filhos e os feito viver um inferno em vida. Em sua vida, nunca tinha pagado por nenhum mal feito e era temido pelas pessoas mais poderosas do mundo, que se dobravam perante ele, por reconhecer que acima delas, estava Harry Stanford. E ele se orgulhava por causar medo. Se orgulhava de cada crime. O medo das pessoas o alimentava. E se achava invencível... Infelizmente, um homem tão brilhante, tão astucioso e letal parecia não saber que todo ser humano tem o seu calcanhar de Aquiles e que confiar na pessoa errada pode ser simplesmente fatal. E ainda existe outra lição que ele parecia preferir ignorar: um mestre pode ser superado por seus alunos. 

Durante uma viagem em seu iate, Harry Stanford sofre uma queda para a morte e acaba por morrer afogado, deixando para trás um legado de destruição e uma fortuna de valor incalculável. Não havia ninguém, apesar de todos os seus anos de vida, que pudesse lamentar sua morte. Pelo contrário, sua morte era motivo de comemoração e alívio, afinal de contas, o filho do diabo estava retornando ao seu local de origem. Realmente, um motivo para muita comemoração. 

Com sua morte, os únicos herdeiros são seus filhos, pessoas que tinham sido marcadas de uma forma ou de outra, pelas lembranças de um lar destruído. Pessoas que eram atormentadas até os dias atuais pela morte trágica da mãe e a perda das únicas duas pessoas que se importavam com elas. Pessoas que tinham todos os motivos do mundo para odiar o pai e desejar a sua morte. Mas seriam essas pessoas também, capazes não apenas de desejar livrar-se de uma vez por todas do pai, mas também transformar o desejo em realidade? Existiria entre os filhos de Harry, alguém capaz de reproduzir os feitos do pai? Alguém capaz de superar o mestre? Seria Kendall Stanford, uma estilista de grande prestígio, no auge da sua carreira, casada com um homem maravilhoso, uma assassina? Seria ela capaz de assassinar à sangue frio o próprio pai? Seria Tyler, um juiz criminal brilhante, adorado e respeitado por todos, que exigia o total cumprimento da lei e tinha uma vida estável, capaz de tamanho crime? Ou o suspeito mais provável deveria ser Woodrow Stanford, um viciado em drogas, quase pobre, que vivia com a pequena renda herdada da falecida mãe? Teria ele mais motivos para matar o pai? Mas é claro que não se pode esquecer de Julia Stanford, filha bastarda de Harry Stanford, uma jovem da qual ninguém possuía a menor ideia do paradeiro. Uma jovem que ninguém nunca tinha chegado a conhecer e que representava apenas a prova viva (ou talvez não) de um dos maiores pecados de um homem sádico. Ela existiria realmente? Ou seria somente uma lenda? No caso de existir, seria ela capaz de finalmente tomar a decisão de aparecer, mas apenas para destruir seu criador e possuir aquilo que é seu por direito? Quem seria o assassino? E qual teria sido a motivação? Dinheiro... ou vingança? A motivação mais provável seria uma mescla dos dois. 


"Stanford fitou os olhos frios [...] e nesse instante o instinto lhe disse o que estava prestes a acontecer."


- A vida pode ser até cruel, injusta muitas vezes, mas existem vezes nas quais ela decide que merecemos ter te volta aquilo que plantamos com tanta dedicação. Afinal de contas, temos que ser recompensados por nosso esforço, nosso trabalho, certo? Seria muita crueldade não dar ao poderoso Harry Stanford aquilo que ele tanto tinha plantado. Havia chegado o tempo da colheita. E Harry receberia a parte que lhe pertencia. 

- Geralmente, eu me apego muitos aos personagens do Sidney Sheldon. Não existe nenhum que seja mocinho por completo. E nem totalmente vilão. Lembro do que passei por causa da Noelle. Ela tinha se transformado numa pessoa terrível e eu posso considerá-la uma das mais brilhantes e terríveis vilãs do meu autor, mas ainda assim sofri demais com o seu destino. Com o que ela precisou colher. Até hoje lembro daquelas cenas com muita tristeza. E são vários os casos em que passei pelo mesmo. Não importando quantas crueldades os personagens fossem capazes de fazer, ainda assim eu me pegava amando-os, mesmo quando lutava muito contra isso. Mesmo quando queria odiá-los. Mas no caso de Manhã, Tarde e Noite as coisas foram bem diferentes. Eu não consegui um só instante lamentar pelo Harry. Pelo contrário. Conforme fui conhecendo-o e vendo que ele era a própria encarnação do coisa ruim, eu fui percebendo que ele já deveria ter deixado de existir faz tempo. Enquanto vivesse, continuaria fazendo aquilo que mais lhe dava prazer, aquilo que lhe dava forças: destruindo. Ele não pararia. Era um sádico e os sádicos se alimentam do sofrimento alheio. Por isso, não senti nem um pingo de pena sequer por ele. Senti foi muito alívio quando ele voltou para o inferno. Um local do qual não deveria ter saído. 

- Não há muito que eu possa dizer sem revelar os segredos da história. Mas posso dizer que muita coisa que aconteceu foi previsível.rsrsrs... Inclusive a identidade do assassino (ou assassina). Mesmo assim ainda fiquei surpresa com alguns fatos e com a brilhante ideia do Steve (um advogado que eu gostaria de ter por perto.rsrs...). Achei que o final foi bastante justo e me senti feliz com ele. Não é o melhor livro nem o melhor final que o SS já deu para suas histórias, mas é sem sombra de dúvidas uma história que prende a nossa atenção até a última página e que tem a marca evidente do meu autor. :)

- Fico pensando... nas pessoas que, como os filhos de Harry, carregam com elas (por toda a vida) marcas de uma infância cruel, marcas da maldade ou negligência daqueles que deveriam protegê-las. Quantas pessoas brilhantes têm o futuro tragado pelas lembranças das quais não conseguem se livrar? Quantas pessoas ficam com suas vidas completamente arruinadas por obra do pai ou da mãe? Quantos irmãos travam brigas letais porque os pais sempre mostraram preferência por um? Amor somente por isso? Dedicação somente a um? Quantas e quantas pessoas, até mesmo sem perceber, reproduzem os feitos dos pais e se tornam até piores do que eles? Quantas crianças, quantos adolescentes ou adultos chegam ao ponto de se suicidarem por não encontrarem forma de apagar as coisas terríveis que lhes aconteceram? Eu nunca conseguirei entender como uma pessoa pode destruir, tão friamente, seus próprios filhos. Como pode sentir prazer ao fazer isso. Eu nunca poderei entender. 

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