O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!

O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!
O coração de uma mulher é um oceano de segredos

quinta-feira, 4 de junho de 2015

É Melhor Não Saber - Chevy Stevens

(Título Original: Never Knowing
Tradutora: Maria Clara de Biase
Editora: Arqueiro
Edição de: 2013)

Algumas perguntas devem ficar sem resposta

Sara Gallagher nunca sentiu que pertencesse de verdade à sua família de criação. Embora sua mãe seja amorosa e gentil e ela se dê bem com sua irmã Lauren, a relação com o pai e a irmã caçula, Melanie, sempre foi complicada.

Às vésperas de se casar, Sara decide que está pronta para investigar o passado e descobrir suas origens. 

Mas a verdade é muito mais aterrorizante do que ela poderia imaginar. Sara é fruto de um estupro, filha do Assassino do Acampamento, um famoso serial killer.

Toda a sua paz acaba quando essa história é divulgada na internet e o pai que ela anteriormente queria conhecer resolve entrar em sua vida de forma avassaladora. Eufórico com a descoberta de que tem uma filha, John vê nela sua única chance de redenção. E, para criar um vínculo com Sara, ele está disposto a tudo, até a voltar a matar.

Ao mesmo tempo, a polícia acredita que essa é sua única chance de prender o assassino e resolve usá-la como isca. Então Sara se vê numa caçada alucinante, lutando para preservar sua vida e a de sua filha.

É melhor não saber é um complexo retrato de uma mulher tentando entender suas origens. Uma história cheia de reviravoltas, na qual ninguém é completamente bom ou mau.


Palavras de uma leitora...


- Eu concordo totalmente com este livro num ponto: algumas perguntas realmente necessitam ficar sem resposta. Mexer no passado... pode ser fatal. 

"O tempo diz muitas coisas. Toda a minha vida lutei contra o tempo - geralmente porque ele não estava passando rápido o suficiente para mim. Mas há momentos em que ele corre contra você e que então você faria qualquer coisa para parar o relógio."

- Já é madrugada e não sou capaz de ir dormir. Faz quase uma hora que terminei a leitura desta história, mas sinto que serei incapaz de me separar dela enquanto não colocar em palavras ao menos um pouco do que sinto. Necessito tirar toda essa carga emocional de mim. Preciso aceitar o final do livro. Entender que não havia outra forma das coisas terminarem. Não quando tudo já estava mais do que... inclinado a ter aquele ponto final. Chorei. Sim. E muito. A vida não é justa. Não é uma fábrica de realização de desejos, como diria os personagens de A Culpa é das Estrelas. E as pessoas estão sempre dispostas a destruir a vida uma das outras. É muito raro alguém parar para pensar: "O que minha ação causará na vida de tal pessoa? Eu gostaria que fizessem comigo o que estou disposta a fazer com ela?" Não pensamos no emocional, no psicológico dessa pessoa. Não a enxergarmos. Não pensamos em sua dor. O mundo é egoísta. Eu já estou cansada de saber disso. Então... por que o final desta história me causou tanto impacto? 

"Imaginei se, após o parto, ela chegara a tocar em mim, ou se simplesmente pedira que me levassem embora."

- Ela deveria estar se sentindo a mulher mais feliz do mundo. Tinha uma filha que alegrava cada um dos seus dias e um noivo que a amava e a fazia perceber que afinal existe alguém certo para cada um de nós... apenas esperando o dia em que finalmente pararemos de procurá-lo nas pessoas erradas. Em breve eles se casariam e tornariam oficial a família que já formavam. Sara sabia que tudo estava certo em sua vida e que a felicidade que ela tanto ansiara durante tantos anos estava em suas mãos. Então... por que ainda existia aquele vazio? Aquela sensação de que não importava o quanto pudesse ser feliz havia uma parte de si que sempre faltaria. Uma parte perdida no passado desde o instante em que sua mãe abriu mão dela e a entregou à adoção. 

Talvez ela se sentisse diferente se tivesse encontrado em sua família adotiva a aceitação e o amor que seu coração buscava não importando o quanto ela se recusasse a admitir isso até para si mesma. Mas será que era realmente tão vergonhoso desejar ter um pai e uma mãe que a vissem como filha... como parte deles, sem fazer diferença entre ela e os outros filhos? Cada lembrança de Sara era marcada pela dor e... rejeição. Até mesmo as mais felizes recordações de sua infância possuíam manchas que tempo algum seria capaz de apagar. Sim, ela fora escolhida ao ser adotada. Desejada, de certa forma. Mas de modo algum aceita. 

Então, prestes a se casar com o homem que amava, Sara resolve ir em busca das respostas que jamais encontrara... e que necessitava. Mais do que suportaria admitir. Mas o que encontra ao mexer em seu passado é tudo que jamais desejaria descobrir... ou enfrentar. E ela acaba por perceber... tarde demais... que existem coisas que precisam permanecer ocultas. Porque o preço... pode ser alto demais. 

"Mas às vezes, mesmo quando se tem uma escolha, as opções são todas tão terríveis, que parece que não há decisão a tomar."

- Não vou repetir tudo que já foi dito na sinopse. Minha intenção não é essa. Pois a sinopse por si só já fala demais.rs O que quero realmente é que vocês conheçam a Sara. A nossa protagonista. A maior responsável pelo grande impacto que este livro provocou em mim. Assim como a Annie, de Identidade Roubada, Sara será inesquecível. Não poderei pensar neste livro sem lembrar de tudo que vivi através da história dela, de todas essas emoções e do quanto eu lamentei. Do quanto eu quis que muitas coisas pudessem ter sido diferentes. Não. Não estou falando demais. Não revelarei nenhum grande segredo, podem ficar tranquilos. 

- A Chevy Stevens tem um dom. Ela realmente nasceu para escrever este tipo de história. Ela não apenas coloca um bom suspense no papel, cria um enrendo que nos "chama" e com reviravoltas que nos fazem parar de respirar. Não. Ela faz muito mais do que isso. Ela dá vida para cada um dos seus personagens. Até mesmo para os de menor importância.. ou aparentemente de menor importância. Todos eles tem personalidade, alma... conseguimos enxergá-los, senti-los... amá-los e odiá-los de uma forma impressionante. E se ela faz isso com os secundários... com a protagonista a coisa é bem mais intensa. Tudo que a Sara sente... é como se sentíssemos também. Tudo que acontece com ela... parece que está acontecendo com a gente. É fascinante... e assustador. 

- Quando conheci a Sara nem pude imaginar o quanto ela marcaria minha vida. A história não começa tão enlouquecedora como Identidade Roubada. É muito mais sutil, tranquila no início... Podemos respirar calmamente, mal imaginado o que está por vir. Mas tudo começou a mudar dentro de mim quando as lembranças da Sara se tornaram mais profundas e dolorosas. Em vários momentos me peguei com um nó machucando minha garganta e os olhos cheios de lágrimas que eu não queria derramar. As emoções da Sara em mim eram tão fortes que eu continha as lágrimas porque ela também não queria chorar. Não é algo louco?! Sim, é. Mas eu nunca fui normal.rs Só que eu me coloquei no lugar dela. E aquilo realmente doeu, gente. Eu desejei muito me afastar... precisava de distância do livro, precisava me retirar do lugar da Sara, pois não era algo suportável para mim. Só que era impossível. Porque eu já estava muito envolvida. A única maneira de me libertar seria chegar ao fim do livro. E colocar para fora um pouco de tudo que eu sentia. Não é à toa que não consigo dormir. 

- Eu sei que, neste mundo egoísta como eu disse antes, existem muitas crianças que sentem na pele a rejeição de seus pais. Muitas vezes seus pais foram vítimas da sociedade, dos pais, do destino, da vida em si... Nunca podemos dizer que somos totalmente responsáveis pelo nosso futuro. Não somos. Acreditar nisso é pura ilusão. Claro que fazemos escolhas que nos conduzirão a algum lugar... Mas sabe de uma coisa? Não temos realmente o controle de nossa vida. Apenas uma pequena parcela. Um controle mínimo. Porque as ações de outras pessoas sempre terão um efeito em nossa vida. Afinal de contas, vivemos em sociedade. Então... Como eu estava dizendo e me perdi... a rejeição não é algo que somente crianças adotadas podem vir a sofrer. Mas no caso da Sara, tudo girava em torno do fato de ela ser adotada. Parecia que havia uma mancha nela... parecia que estava escrito "pessoa indigna de amor uma vez que seus próprios pais não a quiseram". Sério, gente. Eu fiquei tão revoltada com isso! Peguei para mim o sofrimento dela. E foi horrível. Nenhuma criança no mundo merece sofrer como ela sofreu. Tanta dor, tanta culpa que era jogada em cima dela, tanta responsabilidade... acho que até se o mundo acabasse, seu pai adotivo a culparia por isso. Para ele, Sara era a causa de todos os males. E a mãe adotiva dela, nunca estava ali para protegê-la. Sara pode justificá-la de quantas maneiras diferentes ela desejar, mas eu não justifico. Não existe desculpa para sua negligência. Para a sua covardia. 

"Durante a maior parte da vida, estive a um centímetro da loucura, avançando para ela em marcha acelerada, mas e agora? Eu nem sabia mais o que era normal."

- Pela sinopse vocês puderam saber que quando a Sara dá aquele passo em busca dos pais que a abandonaram... querendo ao menos que eles lhes dissessem o motivo de não a terem desejado... ela entra num caminho sem volta. Além de perceber que é a última pessoa que sua mãe gostaria de ver em sua frente (para ser bem sincera, não é a última, mas quase isso), ela descobre também que é fruto de um estupro. Que sua mãe fora uma das primeiras vítimas do Assassino do Acampamento, um psicopata que atacava suas vítimas no verão, as estuprava e assassinava. Há mais de trinta anos. E que jamais fora pego. Ela mal tem tempo de sentir o impacto de tal choque, pois não demora para que tal notícia atinja a internet e se transforme num jogo mortal, no qual a vida de todos que ela amava estaria correndo sérios riscos. Um jogo no qual ela própria poderia acabar morta. 

"Pergunto-me como isso seria depois de tanto tempo. Passarei o resto da vida olhando para trás por cima do ombro e esperando o telefone tocar? Algo assim pode realmente terminar algum dia?"

- Foram muitas as coisas que me revoltaram nesta história. Muitos os momentos nos quais fechei o livro com força e desejei gritar para diminuir um pouco da minha raiva. Não sou muito fã de pessoas que gostam de manipular outras pessoas. Isso me irrita e me deixa muito frustrada. E a quantidade de pessoas que conheciam os pontos fracos da Sara e os usavam a favor delas era realmente bem grande. Praticamente todas as pessoas que ela amava faziam isso. Aproveitavam-se de seu desejo de ser aceita, amada, querida por eles para poder manipulá-la e fazê-la dançar ao som da música deles. Até mesmo a polícia. Como a sinopse diz, eles a usam como isca. Porque a vida da Sara não importava. Como ela era filha de um assassino em série, como tinha o sangue de alguém ruim, cruel, sua vida não era nada comparada a vida das vítimas dele. Se ela morresse, seria por um bem maior, verdade? Não para mim! Cada vez que um daqueles policiais abria a boca eu realmente sentia meu sangue ferver. 

"De quem seria a vida que eu acabara de destruir?"

- O trecho acima me lembrou demais de Identidade Roubada (já devo ter mencionado esse livro umas cem vezes só nesta resenha.rsrsrs) Lembro como se fosse hoje do momento em que a Annie comenta com sua psiquiatra algo marcante. Um trecho que sempre me vem à memória, apesar de já ter uns três anos que li o livro. Diz o seguinte:

"Eu odiava levar em conta a opinião de um maníaco. Mas se alguém nos diz que o céu é verde, embora saibamos que é azul, e a pessoa age como se ele fosse verde, e repete que é verde dia após dia, como se de fato acreditasse nisso, finalmente começamos a nos perguntar se não estamos loucos por pensar que é azul." (Identidade Roubada)

- A vida inteira a Sara foi considerada culpada por cada coisa que dava errada na vida dos seus pais adotivos. Ou na vida das irmãs dela. Até se a mãe, que tinha um problema de saúde, passasse mal (por causa do problema de saúde!) a culpa era dela. Então... quando a polícia também passou a considerá-la culpada pelos crimes que o pai dela cometia (não ela, mas o pai é que matava!) e passaram a repetir isso com tanta frequência, Sara passou a acreditar que realmente era culpada por todas essas coisas. Até pelas mortes. Como a questão do céu verde, do trecho acima. A cabeça dela virou uma confusão tão grande que ela realmente esteve bem próxima da loucura.

- No final das contas, independente do quanto eu sofri com o livro, sobretudo na reta final, o amei. Aquela mescla de amor e ódio, sabe. E considero a Sara uma das melhores protagonistas que conheci. Porque não importava quanta culpa ela sentia, não importava quantas lembranças ruins ela carregasse dentro dela e o quanto se considerasse indigna de amor e felicidade... ela sempre seguia em frente. Ela jamais desistia. A força dela, sua coragem e seu desejo intenso de encontrar a saída de tudo aquilo me admiraram bastante. Nunca a esquecerei. E lamento demais tudo que ela sofreu. Se você quer saber o que ela passou e entendê-la, precisa se colocar no lugar dela. Por mais doloroso que isso seja. Para mim, valeu a pena, pois pude compreendê-la por completo. E isso é o principal nesta história. 

- Além da Chevy Stevens não ter rompido com Identidade Roubada ao criar esta história, ela voltou a me provocar sentimentos que eu lutava para não sentir. Sentimentos que a Annie sentiu em sua história, sentimentos que eu senti na história dela. E agora... em É Melhor não Saber. O que eu senti se resume nesse trecho do livro:

"Eu me pergunto quando a coisa aconteceu com o Maníaco. Qual terá sido o momento decisivo... o momento em que alguém pisou com o calcanhar da bota e esmagou a vida dele e a minha.

... Teria sido no útero? Ele teria alguma chance? Eu tive?


... Ele tinha o lado maníaco, o cara que me sequestrou, me espancou, me estuprou, me submeteu a brincadeirinhas sádicas, me aterrorizou. Mas, às vezes, quando estava reflexivo, feliz ou entusiasmado, quando seu rosto se iluminava, eu enxergava o sujeito que ele poderia ter sido. Talvez aquele cara tivesse formado uma família e ensinado a filha a andar de bicicleta, e teria feito para ela bichinhos com balões, você entende? Que droga! Talvez tivesse sido um médico e salvado muitas vidas." (Identidade Roubada)

- Assim como no livro anterior, a história é dividida em sessões que a protagonista tem com sua psiquiatra Nadine. Sim, a mesma do outro livro. E a melhor notícia é que pelo que pude perceber neste livro e numa sinopse em inglês no skoob (NÃO entendo inglês.kkkkkk...), a Nadine tem sua própria história. Que eu estou simplesmente louca para ler! Só peço que a Arqueiro venha a publicar a história aqui. A autora é brilhante e me encanta saber que a Nadine tem sua própria história. Só necessito confirmar essa informação. Como eu disse, não entendo inglês então ler o nome "Nadine" na sinopse não é garantia de que ela tem seu próprio livro.rsrsrs

- Dei 5 estrelas ao livro sem pensar duas vezes! Sou fã incondicional dessa grande autora! A Chevy Stevens sempre estará entre os meus autores mais queridos. 

"Ele tem escapado impunemente há mais de trinta anos. O que vai fazê-lo parar agora?"

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