O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!

O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!
O coração de uma mulher é um oceano de segredos

sábado, 21 de maio de 2016

A Lista do Nunca - Koethi Zan

(Título Original: The Never List
Tradutora: Elvira Serapicos
Editora: Paralela
Edição de: 2013)


Quando a ficção é tão assustadora quanto a realidade

Vítimas de um acidente de carro quando ainda eram crianças, as amigas inseparáveis Sarah e Jennifer decidem tomar todos os cuidados para se manter sempre seguras. No entanto, quando estão no primeiro ano da faculdade acabam sendo sequestradas facilmente depois de entrar em um táxi à noite. Em uma situação pior do que jamais poderiam imaginar, elas passam os três anos seguintes acorrentadas no porão da casa de um professor - alguém acima de qualquer suspeita, mas que praticava com elas as mais diferentes técnicas de tortura.

Dez anos depois, a vida de Sarah está longe de ser normal. Seu sequestrador, que ainda lhe manda cartas da prisão, está prestes a ser liberado. Por mais que busque ficar distante, voltar aos acontecimentos do passado pode ser sua única chance de realmente se livrar de tudo.

A lista do nunca se torna ainda mais impressionante e assustador quando vemos, na vida real, fatos que não são tão distantes assim da ficção. Um deslize, um único momento de desatenção, pode ser fatal.


Palavras de uma leitora...


"Éramos apenas universitárias, fazendo o que os universitários fazem. Mas eu me consolava sabendo que tínhamos seguido nossos protocolos até o amargo final."

- Estou com vontade de chorar. O que, com certeza, não é surpresa para ninguém. Sei que vou acabar desmoronando por algum tempo por causa desta história. Ainda assim, não me arrependo de lê-la. Mesmo sabendo que ela permanecerá em minha mente durante muito, muito tempo... 

"Estávamos atentas. Tomávamos cuidado. 
Naquela noite não foi diferente."

- Amigas inseparáveis, Sarah e Jennifer haviam passado por muita coisa na vida. Sabiam o que era sofrer. Sabiam o que era perder... E o que era ver-se diante de uma situação na qual não se tem nenhum controle. Aos 12 anos de idade, enquanto voltavam da escola, no carro da mãe de Jennifer, sofreram um acidente terrível. Os médicos mesmo admitiram que elas tinham sobrevivido por milagre. Algo que a mãe de Jennifer não teve. Após um longo e doloroso período de recuperação no hospital, profundamente traumatizadas por aquela tragédia, as meninas decidem fazer o que fosse preciso para manter-se seguras. Dedicam-se a estudar probabilidades de algo de ruim lhes acontecer. Estudam acidentes, doenças, terremotos e outros perigos. Conforme crescem, se dão conta de ameaças ainda mais terríveis, como: sequestro, estupro e assassinato. Ainda mais aterrorizadas, elaboram "a lista do nunca", que se trata de conselhos que dão para si mesmas, de atitudes que devem tomar ou evitar. "Nunca entre no carro", "Nunca entre em pânico", "Nunca deixe sua bebida sair de vista", são apenas uns dos diversos conselhos que fazem parte da lista. Uma lista que elas seguiam e levavam muito a sério. Porque sabiam que o mal estava apenas à espera. 

"Mais do que ninguém, sabíamos o que havia lá fora, naquele mundo imenso, e não iríamos deixar que nos pegasse."

- Mas, ainda no 1º ano de faculdade, apesar de todos os cuidados, acabam sendo sequestradas por um psicopata, com fascínio pelo sadismo, pela tortura. E passam anos de verdadeiro inferno, trancadas num porão, servindo de estudo para a mente doentia dele. Nem em seus piores pesadelos poderiam imaginar que existiria alguém tão cruel e um mundo tão insuportável como aquele. Após anos que foram destruindo pouco a pouco qualquer esperança que tivessem de escapar, de voltar a ter uma vida e rever as pessoas amadas, tudo finalmente chega ao fim. Mas as cicatrizes deixadas por toda aquela dor física e psicológica jamais desapareceriam... 

"Talvez o universo tenha nos brindado com uma justiça perversa no final. Ou talvez os riscos de viver no mundo exterior simplesmente fossem maiores do que havíamos calculado."

- Eu nem sei por onde começar... Não tenho palavras. Tudo está muito confuso na minha cabeça. E sinto um nó insuportável na garganta. Lembram do terror de Identidade Roubada? No Escuro? Confie em Mim? Não Conte a Ninguém? Restos Humanos? Nem mesmo unindo todos esses livros eles conseguiriam ser piores do que A Lista do Nunca. Este livro é simplesmente mil vezes pior do que qualquer outra história do gênero que eu já tenha lido ou assistido. Sei que terei pesadelos. Sei que não o esquecerei. Que a angústia que ele me provocou vai ficar em mim, mesmo depois de eu ler outras histórias. Mesmo depois que o tempo passar. O que se passa nesta história.... Deus! Saber que coisas assim acontecem o tempo inteiro neste mundo... que neste exato instante existem milhares de pessoas sofrendo exatamente o que Sarah, Jennifer e as outras mulheres sofreram... é mais do que doloroso. É desesperador. Aterrorizante. Na verdade, não tem uma palavra que defina o que sinto. Não dá para expressar. 

"Havia quatro de nós lá embaixo nos primeiros trinta e dois meses e onze dias do nosso cativeiro. E então, de repente e sem qualquer aviso, éramos três. Apesar de a quarta pessoa não ter feito barulho algum nesses vários meses, o porão ficou muito silencioso quando ela se foi. Depois disso, durante muito tempo, ficamos sentadas em silêncio, no escuro, imaginando qual de nós seria a próxima na caixa."

- Um professor. Um professor de psicologia. Simpático, bondoso, carismático... homem acima de qualquer suspeita. Inteligente, brilhante. Hipnotizava seus alunos a cada aula. Suas classes estavam sempre cheias, de pessoas ávidas por conhecimento, pelo encanto que só ele era capaz de provocar. Mas por trás daquele professor inofensivo, se escondia um homem brutal, que sentia prazer com o sofrimento dos outros. Que amava infligir dor. Torturar. E que mantinha, com a maior naturalidade, quatro mulheres presas num porão em sua casa. E o mais doentio e assustador de tudo isso, é que ele ainda tinha a frieza de estudar suas vítimas. De usá-las como projetos, entendem? Ele sentia prazer, se excitava ao causar sofrimento. Quanto mais sofrimento causava mais prazer sentia. Porém, não se tratava apenas disso. Ia além. Muito além. Para ele, tudo fazia parte de um estudo. Dizer que fiquei aterrorizada é pouco. Nunca vi uma mente tão doentia em minha vida. Nem mesmo no filme Beijos que Matam

"Percebi que havia permitido que minha incapacidade de recuperação do meu passado encolhesse o meu mundo de tal forma que só restara espaço para mim. Agora me ocorria, realmente pela primeira vez, que as pessoas ferradas podiam se transformar em uma espécie de narcisistas. A tal ponto que eu, por exemplo, mal conseguiria reconhecer que os outros poderiam precisar de mim."

- Depois de aproximadamente 3 anos presa naquele maldito porão, Sarah consegue escapar. E buscar ajuda para as outras duas que ainda permaneciam presas. Christine e Tracy são resgatadas. A mídia e a população ficam completamente chocadas com tamanha crueldade e o doente mental é devidamente preso, julgado e condenado, deixando para sempre uma marca terrível não apenas em suas vítimas, mas em todas as pessoas que, de uma forma ou de outra, fizeram parte daquela história. Daquele inferno. Bastava que seu nome fosse mencionado para reavivar a memória da sociedade... de um pesadelo que nunca seria esquecido. Mas enquanto todos seguiam em frente, fazendo o possível para refazer suas vidas... para Sarah não existia recuperação. Dia após dia, ano após ano ela sentia, cada vez mais, que estava destruída. Que a pessoa que ela um dia havia sido já não existia. Que Jack tinha atingido o seu objetivo. Que tinha conseguido quebrá-la. Para sempre.

"Aquele lugar lá no fundo, que ninguém poderia tocar, que nem mesmo a dor do corpo poderia alcançar. Eu conhecia esse lugar. Vivia aí há cerca de treze anos."

- Dez anos após ter conseguido escapar, Sarah segue presa. De suas lembranças... de Jennifer. Sua amiga de infância. Sua irmã. Aquela que estivera com ela em todos os momentos, que sofrera com ela, mas que partira bem antes. Aquela que Sarah não conseguira salvar. Não importava quanto tempo se passasse, Jennifer sempre estaria presente em sua memória. Ainda era capaz de ver seu rosto... aquele olhar perdido e triste, de alguém que tinha sido desfeita muitos anos antes do sequestro. De alguém que, de certa forma, morrera no acidente de carro, juntamente com a mãe. 

"Ela foi mantida naquela caixa, amarrada e amordaçada. Nossa única forma de comunicação naqueles primeiros dias era um código rudimentar com batidas nas laterais da caixa. Mas depois de alguns meses as batidas cessaram completamente."

- Ela nunca saía do apartamento. O mundo poderia pensar que todas elas haviam seguido em frente. Reconstruído suas vidas. Superado toda a dor e as lembranças. Só Sarah e as pessoas mais próximas sabiam a verdade. Que ela concluíra a faculdade, conseguira um emprego estável, um apartamento confortável e uma vida totalmente nova e independente. Mas fazia anos que ela não colocava os pés para fora daquele prédio. Tudo o que ela necessitava, o porteiro levava até sua porta. Até mesmo o trabalho ela realizava da segurança do seu lar. E qualquer contato humano para ela era extremamente doloroso. Não suportava qualquer toque. Nem mesmo dos seus pais. Se fechara num mundo particular, onde não existia espaço para mais ninguém. Ocupado apenas pelas lembranças... e pelo olhar de Jennifer. 

E quando seu sequestrador, torturador e assassino da sua melhor amiga, está prestes a conseguir a liberdade condicional... é que ela percebe que chegou a hora de finalmente recomeçar. Mas não sem antes encontrar as respostas para as perguntas que ainda se fazia. E de ir até as últimas consequências para dar à Jennifer o descanso que ela merecia. Encontraria seu corpo. Daria a ela o sepultamento cristão ao lado de sua família. Nem que para isso precisasse arriscar a própria vida. Porque só encontraria a paz que tanto necessitava no dia em Jennifer descansasse. Jamais antes...

"Olhando para aquela carta, sozinha com meu medo, conseguia imaginar Jennifer olhando para mim com os olhos sem expressão, pedindo sem dizer uma palavra, me encontre."

- O que Sarah não percebe... é que essa busca por paz e perdão... pode desvendar segredos ainda mais perturbadores do que ela poderia imaginar. E ser fatal não só para ela, mas para muitas outras pessoas envolvidas. Será que tudo realmente acabou? Ou... existiria mais? Muito mais por trás do sequestro, dos anos de tortura e do desaparecimento do corpo de sua melhor amiga? Trabalharia Jack sozinho? E o mais importante... existiriam outras garotas? Trancadas em algum lugar, esperando por um milagre? Quanto mais perto das respostas ela estiver... mais perto da morte também poderá estar... 

- Dei 5 estrelas ao livro sem pensar duas vezes! Fascinante, perturbador, real. Ninguém que o leia seria capaz de ficar indiferente. Ou de seguir sendo a mesma pessoa depois. Sei que não sou mais a mesma. Sei que esta história me marcou. De uma forma insuperável. Não posso simplesmente fechar o livro e fingir que nada que eu li se passa na vida real. Que é apenas uma história que jamais aconteceria. Sei que não é assim. Lembro com clareza de um caso semelhante que vi no jornal, poucos anos atrás. Tudo o que Sarah e as outras sofreram... Deus do céu! Eu só peço que Deus tenha misericórdia dessas pessoas. Que as socorra, por favor. 

"Havia alguma coisa ali. Eu só precisava raciocinar. Só o raciocínio poderia me salvar."

- Recomendo o livro para todos. Acredito realmente que todas as pessoas deveriam lê-lo. Porque é uma história que nos faz refletir, que nos atinge. Que nos provoca compaixão, amor pelo próximo ao ponto de nos fazer sofrer imenso com e por eles, que faz com que nos coloquemos no lugar dessas pessoas. É uma história que nos atinge em cheio exatamente da forma que tem que atingir. Se todas as pessoas retirassem deste livro a lição mais preciosa que ele tem a nos ensinar, o mundo seria um lugar melhor. E mais psicopatas seriam descobertos e presos e mais vítimas seriam libertadas. Vidas poderiam ser salvas se todos nós nos importássemos. Se prestássemos atenção. Se parássemos de olhar apenas para nós. 

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