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terça-feira, 23 de maio de 2017

Conto de Escola - Machado de Assis


Contos Escolhidos - 2/30

Machado de Assis é um dos mais renomados contistas da literatura brasileira. Transitando entre os diversos tipos de contos - do tradicional ao moderno -, seus textos são originais e complexos. São contos cheios de acontecimentos intensos - quase sempre envolvidos num clima de tensão -, repletos de personagens polêmicos e ambíguos e de jogos e armadilhas textuais que induzem à dúvida, relativizando a maior parte das ideias e levando o leitor a refletir sobre suas "certezas". 




Palavras de uma leitora...



- Sei que eu falei que não faria resenha de todos os contos presentes no livro Contos Escolhidos, mas somente daqueles que me interessassem muito, lembram? O que posso fazer se o segundo conto também me encantou?! :)

Não posso dizer que sempre fui uma leitora de contos, pois seria a mais completa mentira. Tirando os contos de fadas (que amo demais!), nunca tive muito interesse em ler contos. Mas, nos últimos anos, mudei muito como leitora e escritora, e, uma vez que passei a escrever contos, decidi lê-los também. Meu escolhido foi o Machado de Assis. E confesso que não esperava que fosse ser uma escolha tão acertada! Como pude esperar tantos anos para ler este autor? Que estúpida! 

Conto de Escola é o segundo dos trinta contos que fazem parte deste livro que tem me acompanhado desde segunda-feira. Nos traz o drama de Pilar, um menino traquinas como muitas crianças de sua idade que, num determinado dia, toma a equivocada decisão de ir à escola.rs

Ele não tinha muita vontade de assistir às aulas daquele dia. Preferia brincar com os outros "vadios", curtir o dia lindo que se apresentava. Mas... a lembrança do último castigo dado generosamente por seu pai, fez nosso protagonista pensar duas vezes antes de matar a aula. Desta forma, desanimado, ele foi para a escola. Péssima decisão!rs Bem... Considerando o que se passou naquele dia, tenho que admitir que ele realmente não deveria ter ido à aula, coitado!

"Ora, foi a lembrança do último castigo que me levou naquela manhã para o colégio."

- Durante a aula, que o professor mal estava se preocupando em ministrar, um menino chamado Raimundo, filho de seu severo "mestre", lhe fez uma proposta. Algo simples, inocente, mas a tentação da recompensa oferecida era o problema. Se pegos as consequências não seriam nada agradáveis.

"Em verdade, se o mestre não visse nada, que mal havia?"

- Sinceramente, senti imensa pena do Pilar. O garoto já não queria ir à escola, tomou a decisão de não ir curtir o dia brincando por medo de apanhar.rs Mesmo assim cumpriu suas tarefas prontamente e aí, quieto no seu canto, acaba envolvido numa situação que não demora a lhe causar grandes transtornos. Eu fiquei com muita raiva do delator, mas nada se compara ao que senti por aquele professor miserável! É "linda" a maneira de educar de certos professores de antigamente. Realmente admirável! Para não dizer todo o contrário, claro!

- Sério, achei um exagero o que o tal Policarpo fez. Que necessidade tinha de agir daquela maneira? Talvez exista quem discorde de mim, mas não vi mal algum no que os garotos fizeram. Onde estava a ilegalidade, a ilicitude que não enxerguei?! Não achei o acordo dos meninos sequer moralmente inadequado. Raimundo pediu algo ao Pilar, oferecendo uma retribuição, uma recompensa. Tanto o pedido quanto a retribuição foram inocentes. Não achei que foi algo "corruptível", como o Pilar meio que afirma no final. Foi extremamente inocente e banal. E a atitude do professor completamente desproporcional.

Sim, fiquei revoltada!kkkkkkkk... Penso que alguns valores são ensinados da maneira errada, o que acaba fazendo a mensagem se perder ou ser desprezada pela forma como ela foi passada. Enfim...

Quanto mais leio este autor mais apaixonada fico! Ele consegue transformar um conto, uma narrativa simples, despretensiosa em algo que vai muito além! Ele joga com as palavras, com as cenas, com a construção dos personagens...  isso é fascinante!

"[...] e foram eles, Raimundo e Curvelo, que me deram o primeiro conhecimento, um da corrupção, outro da delação; mas o diabo do tambor..."


Conto anterior:
Missa do Galo

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