O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!

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O coração de uma mulher é um oceano de segredos

sexta-feira, 30 de junho de 2017

A Cartomante - Machado de Assis


Contos Escolhidos - 6/30

Machado de Assis é um dos mais renomados contistas da literatura brasileira. Transitando entre os diversos tipos de contos - do tradicional ao moderno -, seus textos são originais e complexos. São contos cheios de acontecimentos intensos - quase sempre envolvidos num clima de tensão -, repletos de personagens polêmicos e ambíguos e de jogos e armadilhas textuais que induzem à dúvida, relativizando a maior parte das ideias e levando o leitor a refletir sobre suas "certezas". 




Palavras de uma leitora... 


- Eu achava que O Espelho era o conto mais forte que tinha lido do Machado de Assis. Todavia, A Cartomante conseguiu superá-lo. 

Quem aqui nunca encontrou um "vidente" em seu caminho? Alguém que lhe revelou algo sobre sua vida, seu futuro, que disse que você seria isso ou faria aquilo? Perdi a conta de quantas vezes isso aconteceu comigo.rsrs Já disseram que eu seria cantora, que casaria aos 18 anos, que teria determinada quantidade de filhos. Nada disso aconteceu, claro. Já chegaram até mesmo a "revelar" coisas bastante duras sobre o meu futuro. E se eu desse ouvidos a essas pessoas certamente já teria me trancado num hospício, escondendo-me do mundo. Eu acredito totalmente na existência do bem e do mal e que Deus pode sim usar alguém para te "contar" algo sobre sua vida, para te auxiliar numa direção, num caminho. Mas algo que venha dEle, que seja dito por Ele. Na maioria dos casos, as pessoas fazem "revelações" por conta própria. Inventam. E aí é que está o perigo. 

Em A Cartomante, Rita e Camilo se amam. Vivem um romance proibido, pois ela é casada com o melhor amigo dele. Apesar dos obstáculos e dos perigos, não conseguem manter-se separados. E quando Camilo resolve se afastar um pouco, deixando de frequentar a casa do amigo para não levantar suspeitas, Rita, desesperada, resolve procurar uma cartomante para entender o que se passava. Será que Camilo já não a amava mais? Será que a tinha esquecido? E nada poderia ter sido mais confortador que as palavras daquela sábia mulher, que lhe tiraram um peso do peito. 

"Apenas começou a botar as cartas, disse-me: 'A senhora gosta de uma pessoa...' Confessei que sim, e então ela continuou a botar as cartas, combinou-as, e no fim declarou-me que eu tinha medo de que você me esquecesse, mas que não era verdade..."

Camilo, por sua vez, não era uma pessoa supersticiosa, não acreditava em adivinhações e muito menos era alguém religioso. Tinha crescido com uma mãe que lhe passara várias crenças, mas ao chegar na vida adulta ele se tornou alguém incrédulo, com os dois pés no chão. Achava divertido que Rita acreditasse naquelas coisas, que tenha ido consultar alguém para ter respostas sobre o futuro e o afeto dele. E isso só aumenta o seu amor por ela e o torna mais e mais imprudente. 

"Camilo não acreditava em nada. Por quê? Não poderia dizê-lo, não possuía um só argumento; limitava-se a negar tudo."

- Foi fácil perceber como este conto terminaria. Por mais que eu quisesse que as coisas ocorressem de outra maneira, tudo caminhava para aquele final. Fiquei chocada com a facilidade com que os personagens se deixaram levar. Muitas vezes a gente quer ouvir determinada coisa e se alguém chega e lhe diz aquilo, você acredita que foi uma "confirmação" do que você deveria fazer, do que pensava em fazer. Mas na verdade não passava daquilo que você QUERIA que alguém lhe dissesse. Não era exatamente o conselho ideal, o sensato, o correto, não passava do que você desejava ouvir. E isso é extremamente perigoso. 

O tempo, as experiências, as leituras... tudo contribuiu para me tornar uma pessoa mais questionadora e cética. Não que eu seja como o personagem Camilo que "não acredita em nada". Eu acredito em Deus, como todos aqui sabem. Penso que o fato deste mundo existir e de nós seres humanos e todos os outros seres viventes existirmos é mais do que uma prova da própria existência do nosso Deus. Mas Deus nos deu um cérebro, a capacidade de pensar, de raciocinar. Não podemos dar como certo e verdadeiro tudo o que as pessoas nos contam. Isso é o mesmo que ter o cérebro como enfeite, caramba! Eu fico admirada com a maneira como as pessoas preferem acreditar em tudo que ouvem, chegando a repassar informações que elas nem sequer pararam para confirmar se eram verdadeiras ou não. Mas se fosse só isso! O que realmente me choca e angustia é que existem pessoas que se deixam levar totalmente pela conversa, pela lábia dos outros, tornando-se alienadas. Eu conheço pessoas assim. Que não pensam mais por elas mesmas, que tudo que dizem ou fazem parte da influência total das palavras de outra pessoa. Isso para mim é algo muito sério. 

Sim, este conto mexeu comigo.rsrs E penso que essa era justamente a intenção do autor. Tocar num determinado assunto, alfinetar aqueles que lessem a história. Já percebi que em todos os seus contos há sempre uma sutil (ou não tão sutil assim) crítica à sociedade. E gosto bastante disso! :)

- Infelizmente, este mês só consegui ler dois contos. Espero que no próximo consiga ler os quatro que pretendo! 


Contos anteriores:

Missa do Galo
Contos de Escola
Cantiga de Esponsais
Teoria do Medalhão
O Espelho

2 comentários:

Dyen Paes disse...

Boa noite!!!
Fiquei curiosa para ler a Cartomante para ser um conto surpreendente e vindo de Machado de Assis não se pode esperá menos que isso.
Bjs.

Luna disse...

Olá, Dyen!

O conto é muito bom, apesar de perturbador. Já sou fã incondicional do Machado de Assis! Louca para ler os romances dele. :)

Bjs!

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