O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!

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O coração de uma mulher é um oceano de segredos

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

A Metamorfose - Franz Kafka

(Título Original: Die Verwandlung
Tradutor: Torrieri Guimarães
Editora: Martin Claret
Edição de: 2012)


Em uma manhã qualquer, ao acordar mais uma vez para o trabalho, o caixeiro-viajante Gregor Samsa percebe que, durante o sono, transformou-se em um inseto com "dorso duro e inúmeras patas". O jovem passa a analisar sua mudança, à primeira vista, de forma prática mas, posteriormente, sua análise torna-se psicológica e densa. 

Em A Metamorfose, Kafka faz uma profunda análise da desesperança e da alienação do homem moderno, imerso num mundo que não consegue compreender. Uma crítica contundente à sociedade, que despreza as diferenças, os enfermos e as pessoas improdutivas.



Palavras de uma leitora...



- Ao fazer o post sobre os Clássicos que já li, falei muito mal de A Metamorfose.rs Tal fato me levou a uma releitura da história, na tentativa de ver se hoje em dia eu enxergaria o livro de outra maneira. E, de certo modo, isso realmente aconteceu. 

"Quando certa manhã Gregor Samsa despertou, depois de um sono intranquilo, achou-se em sua cama convertido em um monstruoso inseto".

Gregor odiava o seu trabalho, mas acostumara-se a levantar bem cedo e trabalhar longas horas para não decepcionar seu chefe e sustentar toda a sua família. Sonhava com o dia em que se libertaria daquele emprego e poderia dedicar-se ao que realmente gostasse, mas a dívida que seus pais tinham para com o seu chefe o condenava àquela situação pelos próximos anos. Algo de que ele não reclamava. Mais do que habituara-se a viver pelos que amava, entregando praticamente todo seu salário a eles e deixando para si uma quantia ínfima. 

"O costume, tanto na família, que recebia agradecida o dinheiro de Gregor, como neste, que o entregava com gosto, fez com que aquela primeira surpresa e primeira alegria não se tornasse a se reproduzir com o mesmo valor". 

Enquanto os três outros integrantes da família ficavam com as pernas para o alto, Gregor carregava sobre as costas o peso das responsabilidades por aquela família, desculpando-os ao dizer que seu pai estava velho e cansado, que sua mãe tinha problemas de saúde e sua irmã era jovem demais para trabalhar. Não lamentava o fato de mal ter tempo para si mesmo e um dos seus maiores sonhos era poder pagar os estudos da irmã no Conservatório de música, algo que anunciaria feliz no próximo Natal. Mas todos os seus planos e alegria chegaram ao fim numa certa manhã... quando ele acordou de um sonho perturbado para ver-se transformado numa criatura asquerosa. 

"Durante alguns momentos permaneceu deitado, imóvel e respirando calmo como se esperasse voltar em silêncio ao seu estado normal".

Muitos em seu lugar provavelmente surtariam ao sentir que seu corpo não era mais humano e sim bem semelhante ao de um inseto gigante. Mas a primeira preocupação de Gregor foi com o atraso para o trabalho. Porque ele precisava chegar cedo, não podia atrasar-se. Seu chefe se zangaria e sua família dependia dele. Custasse o que custasse, precisava sair daquela cama e seguir com sua rotina de sempre. Sua aparência física não poderia ser um obstáculo, ele não podia dar-se ao luxo de ficar parado naquele quarto. 

Mas todas as suas tentativas para mover-se eram difíceis e conforme o tempo passava e ele não aparecia, sua família começava a preocupar-se, temendo que algo sério tivesse acontecido com ele. Momentos mais tarde, quando Gregor consegue finalmente levantar-se e tentar se comunicar com seus pais e irmã, o choque de todos não poderia ser maior. E com ele, veio o medo e o desespero. 

"Nas primeiras horas da manhã, quando se encontrava fechada a porta, todos tinham se esforçado para entrar, e agora que ele tinha aberto uma porta e que as outras tinham sido abertas, já não vinha ninguém, e as chaves ficavam por fora nas fechaduras".

Após o choque inicial e de perceberem que aquela coisa era Gregor, rapidamente decidiram que deveriam mantê-lo trancado no quarto, sendo alimentado no momento que eles quisessem e condenado a uma existência silenciosa e escondida dos olhos do mundo. Até mesmo dos olhos de sua própria família, que recusava-se a continuar considerando-o um ser humano.  

Preferindo esquecer, durante boa parte do tempo, que ele ainda existia e que poderia possuir sentimentos, preocupavam-se com suas próprias vidas, com o jeito que teriam que dar para se sustentarem uma vez que o bom filho agora transformara-se num inútil que apenas atrapalhava a vida deles. Seu pai rapidamente aprendeu de novo a trabalhar, sua mãe começou a costurar para fora e sua irmã também deixou de ser nova demais para ter um emprego. 

Enquanto isso, Gregor permanecia trancado, privado de qualquer contato humano, sendo obrigado a fugir das vistas da irmã quando ela se dignava a entrar para limpar o quarto e levar-lhe comida, mesmo que não se importasse muito se ele comia ou não. 

"Esvaziavam o seu quarto, tiravam-lhe tudo quanto ele amava [...]"

Naquela manhã, ele perdeu tudo. Não só sua "humanidade", mas também o amor da sua família. Pensavam que ele não podia ouvir, mas Gregor ouvia. Acreditavam que ele já não possuía sentimentos, mas suas palavras e atitudes o feriam. Dependente de uma família que queria ver-se livre dele, existiria alguma esperança? 

- Na época que li este livro pela primeira vez, após o assombro inicial e de chegar à conclusão que o autor era louco, fiquei perturbada. Mesmo não tendo apreciado a leitura, não tendo sequer gostado da escrita do autor, eu pude compreender a "mensagem" da história. E desprezei os pais e a irmã do protagonista. O passar dos anos não diminuiu a minha repulsa por eles. 

É impossível não sentirmos compaixão pelo Gregor, não lamentarmos profundamente pelo que aconteceu com ele, por mais que seja surreal alguém acordar um dia transformado num inseto. Mas eu entendi que o autor quis mostrar, dessa maneira extravagante, a realidade de muitas pessoas que são "diferentes", que possuem alguma deficiência física ou mental, que têm algo que os torna dependentes dos outros e assim sujeitos a tratamentos desumanos. O protagonista era muito querido pela família enquanto era útil, enquanto levava dinheiro para casa, mas no momento que transformou-se em alguém que lhes dava trabalho e que os envergonhava diante dos outros, tornou-se um peso, algo que deveria ser escondido e tratado pior que um animal. Claro que eles tinham seus momentos de "bondade", mas até mesmo um psicopata seria capaz de tais gentilezas para com aqueles que pretendesse matar. Caridades como as deles são dispensáveis! Pessoas como os pais e a irmã do Gregor me dão asco. 

"Pensava com emoção e carinho nos seus. Achava-se, se era possível, ainda mais firmemente convencido do que sua irmã de que tinha de desaparecer."

- O mais triste é que em nenhum momento o Gregor condena sua família ou deixa de pensar nela. Não importava o que fizessem, o impossível que tornassem sua vida, a insensibilidade que demonstrassem, ele seguia amando-os e desejando que eles deixassem de sofrer. Desejou até mesmo desaparecer para não ser mais um peso nas costas daqueles que ele tanto tinha ajudado durante anos dedicados exclusivamente a eles. Isso é ainda mais revoltante! E o final não poderia nos causar fúria e tristeza maiores...

- Não volto atrás no que disse antes. Continuo não vendo nada de especial neste livro. A história mexe com a gente sim, nos emociona, revolta, provoca raiva e compaixão. Nos faz refletir. Mas existem livros bem melhores que tratam de assunto semelhante. A Doçura da Chuva e A Canção de Annie são apenas dois exemplos. Não consigo entender o motivo de A Metamorfose ser considerado um clássico tão importante, mas tudo bem. 

- Esta história é uma novela, bem curtinha mesmo, e dá para ler em pouquíssimas horas. Recomendo que deem uma chance ao livro, que se permitam chegar às suas próprias conclusões sobre ele. Vale a pena! :)

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