O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!

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O coração de uma mulher é um oceano de segredos

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Livro de Mágoas - Florbela Espanca


Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada.. a dolorida... (...)
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!...


Palavras de uma leitora...


- Antes de tudo... Infelizmente, não estou conseguindo postar pelo menos três vezes por semana, gente. A vida está corrida demais.kkkk... Está sendo impossível dar conta de tudo e como gosto de fazer as coisas com carinho, com todo cuidado, a partir da semana que vem as postagens ganharão novos dias pré-fixados: toda segunda e sexta-feira. Vamos ver se agora eu consigo!rsrs

"Sonhar um verso de alto pensamento,
E, puro como um ritmo de oração!
- E ser, depois de vir do coração, 
O pó, o nada, o sonho dum momento..." 
[Trecho de Tortura]

- Eu estava um tanto deprimida há alguns dias e resolvi carregar este livro comigo, para reler meus sonetos preferidos. Acabei relendo todo o Livro de Mágoas e arrisquei fazer uma resenha especialmente dele, que é de longe o meu livro preferido dentro dessa Antologia. 

Publicado originalmente em 1919, o Livro de Mágoas é sua primeira reunião de obras poéticas. Ele é composto por 32 sonetos (33 se considerarmos que dois que são aparentemente iguais, mas possuem alguns trechos diferentes são dois sonetos separados), que nos atingem em cheio a alma e nos fazem pensar em tantos assuntos ao mesmo tempo que é como se estivéssemos numa montanha-russa, subindo lentamente a princípio para de repente cair com violência. Ora nos sentimos leves, alheios ao mundo e a nossos próprios sentimentos, mergulhados no que a poesia quer transmitir.. envolvidos em suas palavras... Ora somos golpeados com força, sentindo que o que está escrito ali é o que sentimos e não conseguimos falar nem para nós mesmos. Que é a nossa alma no papel. Choramos pela confusão de sentimentos que eles provocam. Pelo que perdemos e nem sequer sabíamos. 

"Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas, 
Parece-me que foi numa outra vida..."
[Trecho de Lágrimas Ocultas]

- Lágrimas Ocultas é um dos meus preferidos não só do Livro de Mágoas, mas de toda a obra da Florbela. Já perdi a conta de quantas vezes o li e é sempre como se fosse a primeira vez. A mesma magia. Sinto uma nostalgia levemente dolorosa... Me pego revisitando o passado... Indo para outras épocas... Quando tudo era perfeito. Quando eu era criança e queria crescer, ser gente grande, acreditando que o mundo seria melhor quando me tornasse "adulta". Ao ler este soneto a vontade de ter de volta esses momentos, essa inocência, se torna mais forte. Desejo algo impossível de obter. Dói lembrar sabendo que não poderei ter esses dias novamente, mas ao mesmo tempo é uma saudade boa.

"Toda a noite choraste... e eu chorei
Talvez porque, ao ouvir-te, adivinhei
Que ninguém é mais triste do que nós

Contaste tanta coisa à noite calma,
Que eu pensei que tu eras a minh' alma
Que chorasse perdida em tua voz!..."
[Trecho de Alma Perdida]

Sempre que leio o soneto Alma Perdida, penso numa noite escura, com quase nenhuma estrela. A lua cheia no céu, um vento leve passando e balançando as folhas... Imagino uma pessoa sentada à mesa escrevendo e parando muitas vezes para olhar pela janela. Ela está triste e não sabe como colocar seus sentimentos no papel. É quando ouve o rouxinol chorar, num canto tão doloroso, como se lesse sua alma, como se cantasse o que ela sentia. Vejo a moça largar a caneta e o papel e ir até a janela de onde observa o pássaro até que os olhos dos dois se cruzam, num entendimento silencioso. Não importa quantas vezes eu leia este soneto, a imagem é sempre a mesma. Vejo exatamente as mesmas cenas em minha mente. Devo ser realmente um tanto louca.kkkkkkkk... 

De modo geral, essa coletânea traz sonetos muito parecidos, que tratam de sentimentos profundos e intensos. Que falam de dor, tristeza, perda, solidão... Que falam numa descrença no amor ao mesmo tempo em que parecem ainda guardar alguma esperança por mais tênue que seja de que o amor existe e que vai chegar. Em algum momento ainda que tarde demais. 

São versos que falam com a gente. Que transbordam sentimentos, que parecem possuir vida própria não se limitando às páginas do livro. Eu amo todos os livros da Florbela, mas o Livro de Mágoas é o meu preferido, aquele que releio mais vezes e nunca me canso. Ele é especial.

"Mesmo a um velho eu perguntei: 'Velhinho,
Viste o Amor acaso em teu caminho?'
E o velho estremeceu... olhou... e riu...

Agora pela estrada, já cansados,
Voltam todos pra trás desanimados...
E eu paro a murmurar: 'Ninguém o viu!...'"
[Em Busca do Amor]


- É isso, queridos. É a primeira vez que faço resenha de poesia. Nunca antes consegui. Não passei da tentativa.rsrs Claro que a resenha não ficou perfeita nem nada, muito menos chegou aos pés do que a autora merece, mas espero que tenham gostado. :)

Deem uma chance à Florbela!!! Vocês não vão se arrepender! Tenho certeza que também se apaixonarão pelos escritos dela!

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