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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

As Fitas da Vida e O Drama da Geada - Monteiro Lobato (contos)


Negrinha é um livro de contos realistas lançado em 1920, com personagens que representam a população brasileira das décadas iniciais do século XX. Nele Lobato revela uma terra onde o poder é exercido arbitrariamente pelos coronéis e expõe a mentalidade escravocrata que persiste décadas depois da Abolição. Estão retratados em suas páginas tipos tão diversos quanto um fazendeiro falido, o jardineiro que faz poesia das flores, a viúva cruel, uma criança negra maltratada e o gramático ranzinza.



Palavras de uma leitora...



- Depois de ter lido o conto que abre e dá título a este livro, pensei que passaria muito tempo antes que eu criasse coragem de ler outra história do Monteiro Lobato. Todavia, hoje resolvi arriscar... Cheia de medo, mas arrisquei!rs

Em As Fitas da Vida conhecemos a comovente história de um senhor idoso, que foi soldado e combateu na Guerra do Paraguai, mas que depois acabou sozinho, esquecido por todos, condenado por uma doença que lhe roubou a visão. Ele se sentia inútil e desamparado, encontrando nas recordações de um tempo distante um frágil consolo. 

Mas sua vida sofre uma reviravolta quando acaba embarcando com um destino diferente do que imaginava: deveria estar a caminho do Asilo dos Inválidos da Pátria, mas, por um equívoco, o colocaram junto com os homens que estavam indo para  a Hospedaria dos Imigrantes e dali para as lavouras de café, onde trabalhariam. Ninguém se importava muito em despachá-lo para o lugar correto. Era só um caco de gente, alguém imprestável com quem ninguém perderia tempo. 

"Não tinha olhos para guiar-se, nem teve olhos alheios que o guiassem. Triste destino o dos cacos de gente..."

Um funcionário daquela Hospedaria, porém para e pergunta ao idoso o que ele fazia ali e é quando o homem conta a sua história. Comovido com o que se passava com aquele senhor, o funcionário leva sua história até o diretor do local e é aí que as coisas tomam um rumo inesperado... 

- A história é simples, mas nos emociona, nos faz pensar em tantas coisas... Eu fico pensando no quanto existem pessoas por aí que acreditam que nunca irão envelhecer. Que serão sempre fortes e "úteis", autossuficientes, sem precisar de ninguém. Não têm paciência com seus pais ou avós, maltratam idosos. Esquecem que a vida dá voltas e um dia podemos parar num mesmo lugar. 

Achei muito linda a maneira como o conto terminou. O senhor tinha tanta fé numa pessoa de seu passado. Tanta certeza que sua vida seria diferente se reencontrasse aquele alguém... Foi impossível não sorrir ao perceber que ele tinha motivos para acreditar. 


O Drama da Geada, por sua vez, nos traz uma história muito mais triste e com um final que nos parte o coração. 

Um fazendeiro, profundamente dedicado à sua terra e ao trabalho, ergueu com seu esforço e suor a fazenda que possuía. Participou ativamente de cada construção desde as pequenas até as maiores e sua plantação de café era todo o seu orgulho. Era o resultado do seu trabalho, sua obra-prima. Mas aquele mês era o que lhe dava pesadelos. Mês de geadas... um mês que poderia passar sem grandes turbulências ou... destruir toda a sua vida. Estava nas mãos do destino.

Embora tivesse uma fazenda que dava lucros, o fazendeiro contraíra dívidas e hipoteca. Sua salvação, a chance de livrar-se dos credores e continuar tocando sua vida em paz, estava naquela plantação de café... que poderia morrer com uma forte geada. O tempo não estava bom. E quanto pior ficava maior era o desespero daquele trabalhador. 

"Virá? Não virá? Deus sabe!...
  Seu olhar mergulhou pela janela, numa sondagem profunda ao céu límpido.
- Hoje, por exemplo, está com jeito. Este frio fino, este ar parado..."

- Eu nada entendo de agricultura, lavouras, fazenda... É grego pra mim. Não faço a menor ideia de como funcionam. Eu compro o café no mercado, já embalado, pronto para consumo. Bem como tomate, cenoura, batatas e tudo o mais... Eles já nos chegam preparados e sei que mesmo os produtos "vegetais" necessitam de uma preparação, de pessoas que trabalham a terra, que lidam dia a dia com o cultivo da terra mesmo que hoje em dia talvez tenham auxílio de máquinas. Como disse, não faço a menor ideia de como é a plantação de coisa alguma. Sou leiga no que se refere a isso. No entanto, entendo de sonhos. Entendo de esforços e perdas. 

Imagine o que é dar todo o seu tempo, sua vida a uma coisa... Dedicando-se de corpo e alma a isso e e de repente ver todos os seus sonhos, tudo o que você construiu, ameaçado, correndo sérios riscos de ser destruído. Só que mais do que perder aquela plantação, o fazendeiro que lutou tanto para levar uma vida digna e tranquila ao lado de sua família, corria o risco de perder até o teto que tinha. Era como se todos os seus esforços tivessem sido em vão. Como se nada tivesse valido a pena. E é muito triste. Sobretudo porque o conto tem um final que nos deixa em choque. É o que eu chamaria de injustiça. E a vida, definitivamente, não é justa. 

- Monteiro Lobato, pelo que pude perceber dos três contos que li, segue uma linha mais "crua", real em seus contos. Ele mostra situações passíveis de acontecer. E que aconteceram. Em algum lugar deste país mesmo... com alguém, em outra época, em outro momento... Seus contos são humanos, mostrando trechos da vida de seus personagens... Cenas que podem parecer banais, mas que possuem uma força e nos causam impacto. Que mexem com a gente. 

Estou amando conhecer suas obras, mas não são leituras fáceis. Pelo menos, não para mim. 

4 comentários:

Ana Reis disse...

Monteiro Lobato grande poeta e escritor. A maioria dos escritores brasileiros do passado focavam muito nas histórias das pessoas da época. Lembro que li certa vez o livro da Rachel de Queiroz cujo nome é "O Quinze". Nossa!!! História muito triste de luta e sofrimento.
São livros reflexivos e que nos faz questionar coisas importantes da vida.

Luna disse...

Estou amando conhecer esses autores clássicos, Ana! Monteiro Lobato e Machado de Assis já estão entre os meus queridos. :)

Estou querendo ler O Quinze, mas não sei quando conseguirei. Está difícil ler ultimamente. Necessito terminar a leitura da segunda parte de O Resgate no Mar até o dia 20, pois depois tenho que ler Inferno do Dan Brown.

Ana Reis disse...

Puxa!!! Eis um livro que pretendo comprar Inferno.
Estou ansiosa para ler esse livro.
A história deve ser fascinante como sempre, muita simbologia e história 😍😍😍😍😍 não vejo a hora.

Luna disse...

Sim! Também estou louca para ler, embora sinta um pouco de medo.rsrs

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