O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!

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O coração de uma mulher é um oceano de segredos

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Morte Invisível - Lene Kaaberbol e Agnete Friis

(Título Original: Et stille umaerkeligt drab
Titulo americano: Invisible Murder
Traduzido do inglês por: Marcelo Mendes
Editora: Arqueiro
Edição de: 2015)


Série Nina Borg - Livro 2


Em meio às ruínas de um hospital militar soviético no norte da Hungria, Pitkin e Tamás procuram antigos suprimentos e armas que possam vender no mercado negro, até que acabam encontrando algo mais valioso do que poderiam imaginar.

Ali está a esperança dos meninos ciganos de deixar a pobreza, de quitar as dívidas da família, quem sabe de se livrar um pouco do preconceito que sofre o seu povo. Porém, suas boas intenções podem provocar a morte de um número alarmante de pessoas.

Na Dinamarca, a enfermeira Nina Borg também se preocupa com o bem-estar dos desfavorecidos, e por isso colocará sua vida em risco mais uma vez. Chamada às pressas para cuidar de um grupo de ciganos húngaros, ela descobre uma doença misteriosa que se espalha de forma implacável. Ao investigar o caso, percebe que há algo de podre em toda aquela história, um segredo perigoso, guardado a sete chaves pelos imigrantes, que pode envolver terrorismo e fanatismo.

Nesta continuação de O menino da mala, Nina acabará colocando sua família na mira de criminosos e se verá diante de uma crise sem precedentes que mobilizará o país.



Palavras de uma leitora...



Ele só queria mudar de vida...

Ao invadir o que restou de um antigo hospital soviético, Tamás não sabia o que encontraria. Tinha esperança de achar algum objeto de valor, que pudesse vender e assim ter algum dinheiro para levar pra sua família. Tinha apenas 16 anos e embora pudesse ser considerado imaturo para a idade, conhecia muito bem a vida e suas injustiças. Sabia o que era não ter o que comer, passar anos num orfanato, separado de seus irmãos, pelo simples fato de sua mãe ter adoecido. Embora possuísse outros parentes que lutaram para não permitir que os levassem, o governo não quis saber. O sistema odiava os ciganos e aproveitaria qualquer oportunidade para tirar as crianças dessas famílias. 

Desta forma, ele cresceu rodeado pelo preconceito, os olhares de desprezo, a miséria tão arraigada nos ciganos que viviam naquele país. Encontrava nas traquinagens uma forma de fuga, de esquecer por alguns momentos aquela realidade, ao mesmo tempo que entrar naquele hospital o fazia ter esperanças de conseguir dinheiro. Assim, foi um choque e uma alegria enormes descobrir, numa parte isolada do hospital arruinado, algo capaz não só de fazê-lo conseguir alguns trocados, mas de tirar sua família de uma vez por todas daquela miséria. Com a fortuna trazida pela venda daquela coisa, eles nunca mais seriam marginalizados, tudo seria diferente. Os sonhos iam se atropelando em sua cabeça enquanto ele se aproximava de sua fonte de esperança, até agarrá-la e levá-la consigo. Sem saber... Sem ter a menor ideia da destruição que poderia provocar...


Ele só queria esquecer o passado...

Um brilhante estudante de Direito, Sandor preferia passar seus dias trancado no quarto estudando do que saindo com seus colegas de faculdade. Sabia o que era crescer na pobreza, sofrer privações e humilhações por ser metade cigano. Não importava para os outros que seu pai fosse húngaro, eles só enxergavam seus cabelos negros e seus traços mestiços. Fora levado pelo pai, afastado daquela realidade, mudara de nome, mas nada bastou. Ainda recebia olhares de desconfiança nas ruas, não podia sequer entrar num táxi sem que o motorista o visse como um criminoso. Era uma situação insuportável, mas ele encontrava consolo no Direito, no desejo de mudar alguma coisa, de defender as pessoas. Porém, todo o seu futuro vai por água abaixo quando seu irmão aparece em seu caminho, trazendo de volta o passado e a certeza de que não adiantava lutar, que não havia uma saída. 


Ela só queria ajudar as pessoas...

Depois de todos os riscos que correu ao salvar um menino trancado dentro de uma mala, Nina sabia que deveria se afastar do seu trabalho clandestino, que não podia mais ajudar imigrantes ilegais. Deveria seguir em frente como enfermeira na clínica em que trabalhava e deixar para trás a Rede. Não podia arriscar seu casamento e seus filhos. Todavia, a humanidade que a fez entrar naquele esquema perigoso a fazia sempre atender o celular e ir correndo quando seus serviços se faziam necessários. Não podia sair. Porque eram poucos aqueles dispostos a socorrê-los, a ajudar aquelas pessoas que fugiam de seus países na esperança de encontrar uma chance. Que estavam assustadas e não podiam buscar atendimento num hospital. Elas precisavam de Nina e enquanto houvesse alguém que necessitasse de sua ajuda, ela continuaria. Por mais que estivesse colocando em risco tudo o que possuía, incluindo seu marido e filhos. 

Porém, daquela vez foi diferente. Ao receber a ligação de seu contato na Rede, Nina hesitou. Por mais que seu coração dissesse que ela deveria ir, um instinto mais forte a fazia perceber o perigo mais palpável do que em qualquer momento anterior. O mais sensato seria recusar, ir para o acampamento com seu filho pequeno e esquecer toda aquela história. Mas existiam crianças doentes e jamais se perdoaria se elas morressem porque ela se negou a ajudar. 

Ao chegar na oficina em que um grupo de ciganos se escondiam, vindos da Hungria para a Dinamarca, ela foi recebida com hostilidade e desconfiança. Já tivera problemas com pacientes ciganos no passado e não simpatizava muito com eles. Não eram capazes de receber socorro com gratidão, vendo sempre nos outros uma ameaça. Mesmo assim, pensando nas crianças, ela entrou. 

O quadro não parecia tão mal como seu chefe a fizera pensar. As crianças estavam doentes, isso era um fato, e existia um bebê que estava pior do que os demais, mas nada que pudesse ser considerado sério. Provavelmente elas tinham contraído uma virose estomacal que passaria sozinha após alguns dias. Necessitavam de hidratação e alimentos. Logo estariam bem. 

Todavia, os dias se passam e mais pessoas adoecem. O bebê não apresenta melhoras e o vômito começa a conter sangue. Que doença seria aquela? O que estaria acontecendo ali? Tudo se agrava quando a mãe do menino, também doente, lhe mostra o vômito que era puro sangue de alguém que não estava mais ali. Olhando para aquele líquido escuro, Nina poderia imaginar o que teria acontecido com aquela pessoa. Se ainda estivesse viva não seria por muito tempo. 

Após o contato direto com aqueles ciganos, sintomas semelhantes começam a aparecer em Nina. Ao perceber que provavelmente contraíra a mesma doença que eles, Nina toma a decisão de levar as crianças para um hospital, não importando o fato de serem ilegais no país. Algo sério estava se passando e já não era possível esperar. Mas ao tentar convencê-los da gravidade da situação, é ameaçada pelos ciganos e obrigada a fugir às pressas do local. 

Quando um corpo em péssimo estado é encontrado dentro de um tanque, o que era só um caso de imigrantes com uma doença misteriosa e contagiosa, se transforma em caso de Estado. O que quer que estivesse acontecendo colocava em risco a segurança nacional e a vida de milhares de pessoas. 

Doente, sendo interrogada por policiais e perseguida por criminosos, Nina necessitará de toda sua força de vontade para sobreviver e salvar sua família. 

"Se no mundo ainda houvesse quem se oferecesse para salvá-lo, ótimo. O mundo andava mesmo precisando de salvação."

- Após ler O menino da mala, eu fiquei com vontade de ler a continuação da série, embora o título me deixasse com um pé atrás.rsrs Morte Invisível somado à capa que contém objetos cirúrgicos e sangue não era lá muito animador. Por isso, evitei a história, pois temia o que pudesse encontrar. Mas a verdade é que o livro é bem diferente do que eu pensava. 

Eu simpatizei muito com a Nina quando a conheci no livro anterior. Me angustiava a maneira como a família dela a rejeitava só por ela ajudar outras pessoas. Reconheço que ela se arriscava, que não era um trabalho fácil, mas ela estava sendo humana. Socorrendo pessoas que necessitavam muito de ajuda e não tinham com quem contar. Como ela poderia simplesmente olhar para o ouro lado, fingir que não via? Quando seus conhecimentos de enfermagem poderiam salvar aquelas vidas!

No fim do primeiro livro, as coisas não estão muito boas entre a Nina e o marido. Sabemos que só seria necessário um pretexto para o casamento desmoronar de uma vez por todas. Nossa protagonista também era consciente disso e ela realmente tenta se afastar da Rede, dedicar-se unicamente ao trabalho na clínica e à sua família. Mas tudo foge ao seu controle e, neste segundo livro, ela acaba envolvida em algo maior, muito mais sério e letal. E se o casamento estava em crise na história anterior dá para vocês terem uma ideia do que se passou nesta história. :(

- Não há muito que eu possa falar sobre o livro sem acabar revelando demais. As autoras nos trazem a realidade de minorias marginalizadas, abusadas de diversas formas, humilhadas por não serem de uma etnia "aceitável". Elas nos fazem encarar a situação desesperadora de ciganos húngaros, a enorme pobreza e desesperança, as escolhas ruins que se veem obrigados a fazer para tentar uma mudança. Também nos trazem de volta o abuso sexual que uma personagem suportava na primeira história só para não ser deportada. Nos mostram o desfecho da vida dessa personagem e nos fazem encarar que muitas vezes o sistema judiciário é parcial, funcionando para quem bem entende. 

Elas também falam de tráfico de pessoas e exploração sexual neste livro, mas o enredo gira em torno dos ciganos, da doença misteriosa, terrorismo e fanatismo religioso. E o final da história não é imprevisível. O livro contém suspense, claro, mas é muito fácil perceber a ligação entre os personagens e quando descobrimos do que se tratava a tal doença tudo se resolve perfeitamente em nossa mente. Muito antes das autoras revelarem nós já sabemos quem estava por trás de tudo aquilo e qual era o motivo. 

- Dei 4 estrelas ao livro no Skoob, mas a verdade é que tive muitas dúvidas. Não conseguia decidir se a história merecia 4 ou 3 estrelas.rsrs Não é de modo algum ruim. Admiro as autoras por terem tocado em temas que muitos escritores evitam. Elas costumam escrever sobre situações que se passam no país delas, na Dinamarca. Trazem para a ficção a realidade. Todavia, tive que tentar sair das primeiras páginas do livro umas três vezes antes de finalmente conseguir. O livro não te prende no início, ele demora muito para envolver. Além disso, não gostei muito da falta de profundidade que foi dada a certos personagens. Eles ficaram "rasos", tinham participação importante, mas foram pouco desenvolvidos. E isso acabou prejudicando o livro, na minha opinião. 

Isso não significa que pararei de ler a série. Sigo gostando muito da escrita dessas autoras e a protagonista Nina me encanta! Quero saber como se resolverão as coisas na vida dela nos próximos livros. 


Livro anterior:

O Menino da Mala

3 comentários:

Nicole Castilho disse...

Oie! Não conhecia o livro mas fiquei bem curiosa pra lê-lo pela sua resenha, achei muito boa!
Beijos

Kelly Alves disse...

Oi Luna!
Não conhecia o livro, e depois vou na Resenha o primeiro para me achar.
Achei a premissa interessante, gosto de livros que lidam com coisas reais, que nos faz pensar e abrem nossos olhos para coisas que não vivenciamos e assim esquecemos que existem lá fora. Fiquei chateada quando o livro não prende e não me deixa fascinada, fico com a impressão de que estou perdendo tempo e isso não é legal, mas assim como você vou até o fim. Espero realmente que a autora de um final bacana para a personagem que te cativou e vou esperar a terceira resenha pra ver se você gosta e decidir se leio ou não. Beijos

Luna disse...

Olá, Kelly!

Sim, também gosto muito de histórias assim. É saudável ter um choque de realidade de vez em quando. É preciso nos importarmos mais com os outros, com pessoas que passam por coisas que não queremos nem imaginar.

É decepcionante mesmo quando ansiamos que um livro nos prenda e isso não acontece.

Pelo que sei, uns quatro livros da série já foram publicados lá fora. Aguardando que a Arqueiro continue publicando-a.

Bjs!

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