O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!

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O coração de uma mulher é um oceano de segredos

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Veronika Decide Morrer - Paulo Coelho


(Editora: Sextante
Edição de: 2012)

Aos 24 anos, a eslovena Veronika parece ter tudo: juventude e beleza, pretendentes, uma família amorosa e um emprego gratificante. Mas num dia frio de novembro, ela toma um punhado de remédios para dormir com a intenção de nunca mais acordar.

Só que ela acorda – e no Sanatório de Villete, o lugar de onde ninguém jamais havia fugido. Logo fica sabendo que só teria alguns dias de vida, e isso lhe desperta emoções até então desconhecidas.

Inspirado em experiências próprias, Paulo Coelho escreveu Veronika decide morrer para questionar o significado da loucura e celebrar os indivíduos que não se encaixam nos padrões do que a sociedade considera “normal”.

Ousado e esclarecedor, este romance de redenção faz um retrato tocante daqueles que estão na fronteira entre vida e morte, sanidade e loucura, felicidade e desespero, transmitindo a mensagem poética de que cada dia é um verdadeiro milagre.



Palavras de uma leitora...


"No dia 11 de novembro de 1997, Veronika decidiu que havia - afinal! - chegado o momento de se matar. Limpou cuidadosamente seu quarto alugado num convento de freiras, desligou a calefação, escovou os dentes e se deitou."

Com apenas 24 anos de idade, Veronika decidiu que sua vida já não fazia qualquer sentido. Tentava mostrar para os outros que estava satisfeita com suas escolhas, que era feliz assim, que estava realizada. Mas a verdade era bem diferente. Empenhara-se tanto em anular os próprios sonhos para não entristecer os pais, desagradar as outras pessoas e ter um futuro "estável", que o vazio dos seus dias começou a tomar conta dela. De que adiantava seguir em frente? Para quê? O que ainda poderia acontecer? Era realmente justo despertar um dia após o outro para viver as mesmas coisas, sem qualquer perspectiva de mudança? E por que não evitar a dor de um dia perder alguém que amasse? Se morresse naquele momento evitaria mais sofrimento para si mesma. Era o melhor a fazer. 

"Veronika deixou as quatro caixas na sua mesa de cabeceira durante uma semana, namorando a morte que se aproximava, e despedindo-se - sem qualquer sentimentalismo - daquilo que chamavam Vida."

Escolhera cuidadosamente a maneira como cometeria o suicídio. Poderia cortar os pulsos ou pular de um prédio, mas não queria que seus pais sofressem mais do que o inevitável. Além disso, existia a possibilidade de falhar se optasse por um desses dois métodos. E ela não desejava tentar suicídio, queria concretizá-lo, acabar de uma vez por todas com a inutilidade de sua existência. A melhor forma de ser bem sucedida seria ingerindo aquelas quatro caixas de comprimidos. Quem sobreviveria a uma intoxicação tão grave? 

"O barulho no ouvido tornava-se cada vez mais agudo, e - pela primeira vez desde que tomara os comprimidos - Veronika sentiu medo, um medo terrível do desconhecido."

Mas a morte não vem. Ela perde a consciência e fica entre a vida e a morte durante muitos dias, até acordar num sanatório de Villete, com vários fios presos ao seu corpo e somente um pensamento: precisava sair logo dali para terminar o que começara. Acordar com vida não muda sua determinação. Ela desejava morrer. E se falhara uma vez, sabia que da segunda não teria erro. Só que... os médicos tinham algo importante para lhe contar. Não. Não seria necessário tentar novamente. A ingestão de tantos comprimidos danificara seriamente seu coração. Ela só tinha alguns dias de vida. Não chegaria ao final daquela semana. 

"- O seu coração foi irremediavelmente afetado. E vai deixar de bater em breve.
- O que significa isso? - perguntou, assustada.
- O fato de o coração deixar de bater significa apenas uma coisa: morte física. Não sei quais são suas crenças religiosas, mas...
- Em quanto tempo meu coração vai parar? - interrompeu Veronika.
- Cinco das, uma semana, no máximo."

Embora o medo tenha tomado conta dela ao descobrir qual era o seu estado, ela não desistiu do suicídio. Pelo contrário. Não desejava esperar pela morte durante dias, até que seu coração parasse. Isso a apavorava. Não queria sofrer mais. Desejava uma morte rápida. Naquele momento. 

Assim, ela tenta obter a ajuda de outros pacientes para escapar de Villete ou, na hipótese de não conseguir, suicidar-se ali mesmo. Todavia os dias se passam... e quanto menos tempo ela tem de vida e mais conhece as pessoas que estão naquele sanatório por motivos diferentes e ao mesmo tempo semelhantes aos seus, mais ela começa a refletir e, de repente, já não deseja mais morrer. Quer fazer as coisas que não fez, descobrir lugares que não visitou, respirar a natureza novamente... Mas de que adianta querer tanta coisa se estava com os dias contados? 

"Todos nós, de um jeito ou de outro, somos loucos."

- Quando vi este livro pela primeira vez na livraria, eu o desejei. Sobretudo depois de ler a sinopse. Não sou o tipo de pessoa que gosta de arriscar leituras sobre suicídio (não é à toa que estou determinada a NÃO ler Os 13 Porquês), pois livros costumam sempre mexer com minhas emoções e uma história que gire em torno desse tema provavelmente me deixaria bem abalada. Todavia, Veronika Decide Morrer me atraía. Eu tinha descoberto a fama ruim do Paulo Coelho aqui no Brasil. Que muitos leitores desprezam os livros dele e até mesmo professores de universidades não consideram a leitura de seus livros algo construtivo nem mesmo uma leitura válida para o entretenimento apenas. Isso poderia me desanimar, me fazer evitar o autor. Mas sabe de uma coisa? Prefiro formar minha própria opinião. E já percebi, ao longo de minha experiência como leitora, que nem sempre um autor tem uma fama ruim porque seus livros não prestam. Às vezes, é o completo oposto. 

- Então iniciei a leitura. Com um pouco de medo, confesso. Não por causa do autor, mas por causa do tema tabu que me causava certo desconforto. Tinha medo de me sensibilizar demais e acabar em prantos. Mas logo no começo percebi que isso não aconteceria. O livro era muito diferente do que eu pensava e estava longe de ser deprimente. 

" - O que faz uma pessoa detestar a si mesma?
- Talvez a covardia. Ou o eterno medo de estar errada, de não fazer o que os outros esperam."

Como a sinopse dizia que Veronika tinha tudo e mesmo assim resolvera acabar com a própria vida, também iniciei a leitura nutrindo por ela uma certa antipatia. Pensava comigo mesma: "Como alguém que não tem problemas, que tem tudo o que deseja, se acha no direito de acabar com a própria vida?" "Se ela tivesse motivos, eu poderia entender, mas não é o caso." Só que quando começamos a ler, conhecemos mais a protagonista da história, entendemos que as coisas não são bem como a sinopse mostra. E além disso, o autor mesmo nos faz engolir nossas próprias palavras e pré-conceitos (escrevi assim de propósito).

"Como julgar - num mundo onde se tenta sobreviver a qualquer custo - as pessoas que decidem morrer?
Ninguém pode julgar. Cada um sabe a dimensão do próprio sofrimento, ou da ausência total de sentido de sua vida."

- Não foi à toa que o autor escreveu tal coisa em seu livro. Ele sabia que muita gente julgaria a Veronika, condenaria suas atitudes sem parar para pensar que ela era um ser humano como qualquer outro, que sofria, que sentia, e que somente ela conhecia seus próprios limites e sua própria dor. Nós estamos sempre dispostos a apontar o dedo para os outros, julgando suas escolhas, suas palavras, suas atitudes, quando não sabemos nada. Absolutamente nada do que se passa no interior daquelas pessoas. Quando alguém opta pelo que a Veronika escolheu, o suicídio, o primeiro pensamento que os outros têm costuma ser: "Ah, ela escolheu o caminho mais fácil. Foi covarde." E outros ainda pensam no grande pecado que fulano de tal cometeu, pois o suicídio é um dos maiores pecados contra Deus. Não é assim que as pessoas pensam? Lamentar pela pessoa que estava tão infeliz ao ponto de não ver mais saída, os outros não fazem. Tentar se colocar no lugar daquela pessoa muito menos. Eu também não apoio o suicídio. Claro que sou contra! Mas uma coisa é certa: não temos direito algum de julgar ninguém. Só a pessoa conhece sua própria dor. Nós não somos ninguém para julgar os outros. 

- Mesmo pegando como base a tentativa de suicídio da Veronika, o livro não vai realmente girar em torno disso ou dizer se foi certa ou errada a escolha dela. Quando ela acorda naquele sanatório, tendo apenas poucos dias de vida, um mundo novo se abre para ela e para nós leitores. 

Junto com Veronika, conhecemos outros personagens importantes na história. Como a Zedka que estava internada ali por sofrer de depressão; Mari, que sofria de Síndrome do Pânico quando deu entrada ali anos antes, mas que mesmo após estar curada não tinha coragem de sair, porque o mundo lhe dava pavor, tomar as rédeas da própria vida novamente requeria um esforço grande demais, para o qual ainda não se sentia preparada. E o personagem mais importante de todos: Eduard, diagnosticado com esquizofrenia e considerado um caso sem solução, mas que vai nos surpreender muito. 

"Não podia ir para a frente nem para trás. Então, era mais simples sair de cena."

- Conhecer a história desses personagens e a maneira como eles afetam a Veronika é o que tem de mais fascinante no livro. São pessoas consideradas "loucas", mas que eram mais inteligentes do que muitas pessoas tidas como normais. Afinal de contas, o que é a loucura? O que é ser normal?

- A antipatia que senti pela protagonista no início e foi totalmente irracional, não demorou a dar lugar à compreensão e compaixão. Às vezes olhamos para o outro e acreditamos que ele tem a vida perfeita, porque nossos olhos veem apenas a imagem. Como diria o padre Fábio de Melo na música Humano Demais (uma das minhas preferidas da vida) "Tu enxergas o profundo. Eu insisto em ver a margem. Quando vês o coração eu vejo a imagem." A alma de uma pessoa é muito mais complexa e a família, bem como a sociedade e as experiências de vida, podem ter papéis significativos nas escolhas de alguém. Podem tanto levá-la ao sucesso quanto ao fundo do poço. 

Apreciei muito esta leitura. Foi diferente de todos os livros que já li. E a maneira como o livro termina também é uma surpresa. Estou acostumada com finais em aberto, mas este foi distinto. 

Foi uma leitura desafiadora e reflexiva, nos colocando em contato com uma realidade à parte, em que o autor levanta questões que nos fazem pensar no mundo em que vivemos e em nossa própria vida. Ele até nos dá uma sacudida ao nos perguntar, com as histórias contadas neste livro, se realmente vale a pena nos privarmos de tantas coisas e deixarmos de lado sonhos só para agradar os outros, para não frustrarmos a expectativa de nossas famílias e da sociedade.

- Terminei a leitura sem entender o que as pessoas veem de tão errado nos livros do Paulo Coelho. E já quero ler mais de suas histórias! rs

Uma curiosidade: Veronika Decide Morrer foi inspirado na própria experiência do autor que, na juventude, foi internado mais de uma vez pelos pais num hospital psiquiátrico. Ele desejava ser artista, o que era reprimido pela sociedade da época. Seus pais resolveram interná-lo, pois acreditavam que era o melhor pra ele. Não farei comentários sobre o que penso da atitude dos pais dele, por respeito ao autor. Prefiro guardar minha opinião para mim. 

4 comentários:

Anônimo disse...

Ameii a resenha! Esse é um dos livros que tenho e que ainda não li... esperando criar ânimo para a história... agora me deu mais esperança! hehehe Também já ouvi muitos comentários ruins sobre o Paulo Coelho mas resolvi comprar esse livro pra dar uma chance... Beijão Luna! Fay Freitas ♥

Luna disse...

Olá, Fay!

Obrigada, querida! :)

Espero que você ame a história! É um livro que me surpreendeu bastante e gostei muito. Não me arrependo de lê-lo e pretendo apostar em outros livros do autor.

Bjs!

Kelly Alves disse...

Oi Lu!
Eu li esse livro na minha adolescência, e lembro que fiquei extasiada com o enredo, porque naquela época eu tinha uma curiosidade gigantesca com relação ao espiritismo, e me lembro que ela acaba dando um passeio fora do corpo.
Faz tanto tempo que li, que confesso que não lembro de muita coisa do que acontece no livro, mas lembro que gostei muito, e foi um dos primeiros livros 'adultos' que li sem obrigação.
Uma boa lembrança, preciso reler para lembrar os fatos e conversar melhor com você hahahaha

Bjs

Luna disse...

Olá, Kelly!

Sim, mas não é a Veronika que viaja para fora do corpo. É a moça que sofria de depressão. Eu fiquei com um pouco de medo das viagens dela.kkkkkkk... Sobretudo porque elas eram induzidas por medicações que aplicavam em seu corpo. Medicação proibida e que poderia matá-la.

O livro é realmente incrível! E acho que será uma ótima releitura! :)

Bjs!

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