O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!

O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!
O coração de uma mulher é um oceano de segredos

terça-feira, 1 de abril de 2014

Um Homem Muito Sensual - Helen Bianchin



Uma simples acompanhante?

Nickos Alessandros precisava de alguém para acompanhá-lo em sua agitada vida social. A linda e sofisticada Michelle seria a pessoa ideal para essa tarefa… temporariamente.
Para Michelle, um relacionamento falso a ajudaria a escapar da perseguição de um playboy. Nickos, porém, era tremendamente sensual, e Michelle começou a ter dificuldade para resistir aos encantos daquele verdadeiro deus grego. Se ela concordasse em participar daquela farsa, será que conseguiria separar fantasia da realidade?



Palavras de uma leitora…

- Sim. Depois de um desaparecimento de um mês, volto a dar notícias de vida.rsrs… E, infelizmente, não com a resenha de um livro marcante.

 “Ele beijou-lhe a mão mais uma vez e fez uma prece de agradecimento a Deus pela sorte que tivera de encontrar aquela mulher. Sua mulher.

Quando se lembrava de que quase não fizera aquela viagem à Austrália, que por um triz poderia ter enviado um de seus funcionários em seu lugar, chegava a sentir um arrepio de horror na alma. Se tivesse ficado em Atenas resolvendo outros problemas, jamais a teria conhecido. E aquilo seria tenebroso.

Como viver a vida toda, como passar uma existência inteira nessa Terra sem nunca experimentar a alegria de tê-la nos braços?

- Uma das coisas que sempre me fizeram suspirar ao ler um livro da Helen Bianchin, era o romantismo dos seus mocinhos. A capacidade que eles tinham de fazer e dizer coisas lindas, românticas, mesmo que fossem simples. Em geral, sempre são mocinhos que fariam tudo pela mulher amada, que muitas vezes não tinham coragem de confessar facilmente o amor que sentiam, mas que nos faziam perceber tal sentimento a cada página virada. Eram sempre os heróis das mocinhas.rsrs… Salvando-as de um ex controlador, obsessivo e doente mental, que não conseguia compreender o fim do relacionamento. E elas eram sempre mocinhas que tinham que enfrentar, com graça e dignidade, a língua afiada das rivais e, certas vezes, até mesmo as tentativas, desesperadas, dessas mulheres para eliminá-las do caminho. Lembro que já li livrinhos nos quais as “rejeitadas” tentavam até matar as pobres mocinhas, o que só fazia com os mocinhos ficassem ainda mais próximos de suas amadas e eles fossem ainda mais felizes. É claro que já li livros ruins da autora. Sejam ruins por serem fracos ou por terem pestes como mocinhos, mas esses livros foram raros.rsrs… A maior parte dos livros que li da autora, foram lindos e se tornaram inesquecíveis. Um Homem Muito Sensual teria entrado para essa lista. Para a lista de inesquecíveis. Se eu o tivesse lido num outro momento. Numa outra época da minha vida.


- Michelle e Nickos se conheceram num jantar entre amigos. Michelle era noiva do filho dos anfitriões, um rapaz um tanto quanto desequilibrado, que achava que Michelle só pertencia e só poderia pertencer a ele. Nickos era o convidado de honra, um homem envolvente e charmoso, que não conseguia tirar os olhos de Michelle e insinuar que existia entre eles mais do que estavam dispostos a admitir no momento. Ele a queria e não fazia questão de esconder isso. Determinado, pôs fim ao relacionamento sufocante que existia entre Michelle e o noivo e a convenceu a entrar numa trama complicada e perigosa… para o coração de ambos. Com o tempo, o que havia começado apenas como um jogo e que evoluiu para desejo, se transformou em amor. Só o que eles não sabiam é se estavam dispostos a encarar tal sentimento e todas as suas consequências. Ou fingir que nada ocorria e, ao fim do jogo, seguir com suas vidas. O que vale mais? Amor ou liberdade? E seria o amor realmente uma prisão?


- Nem sei bem por que comecei a ler esse livro.rsrs… Faz tanto tempo que o estou lendo (sim. Minha situação está tão complicada que estou demorando uma eternidade para ler um livro fininho. Se o livro fosse maior, provavelmente eu terminaria a leitura no próximo ano) que já nem lembro o motivo.kkkk… Mas foi provavelmente por estar sentindo alguma falta dos livrinhos da Helen Bianchin, que, no início da minha vida como leitora, teve papel importante. Era uma das autoras que eu mais amava, perdendo apenas para Lynne Graham, Michelle Reid, Charlotte Lamb e uma ou duas autoras mais. Eu lia seus livros com frequência e me encantava… sonhava acordada com suas lindas e simples histórias de amor, que tinham basicamente a mesma trama, mas que, para mim, eram únicas independente de tudo.rsrs… Sinto falta daquela época… Da época na qual as coisas eram mais simples, até no mundo da leitura. Agora tudo está mais complicado e eu, de certa forma, amadureci como leitora. Algo que é bom e ruim ao mesmo tempo.rs… Bom, porque me abri para outros tipos de histórias, me permiti dar chance aos romances históricos (lembram que houve uma época na qual não suportava históricos?!), aos livros de suspense (que não fossem só do Sidney Sheldon ou Dan Brown), saí do mundo dos livrinhos de banca e entrei no mundo dos livrinhos de livraria. Eu sempre fui uma leitora disposta a encarar novos romances, desde que não fossem romances com temas que me incomodassem além da conta. Sempre gostei de livrinhos mais reais, no entanto, os evitava mais.rsrs… Eu “pertencia” aos romances de banca. Abria pouquíssimo espaço para outros tipos de história, entendem? Tenho a sensação de que isso mudou muito de um ano (ou um pouco mais) para cá. Por diversos motivos… E é bom porque me permiti conhecer ótimas histórias, me encantar, emocionar, sofrer (risos), chorar e sorrir com histórias diferentes, mas incríveis da maneira delas. Aceito com mais “naturalidade” certas histórias e mesmo sofrendo muito com elas, gosto.kkkkk… O que me faz pensar que sou masoquista, é claro. Mas enfim… E ao mesmo tempo, é ruim. Porque sinto uma saudade violenta dos meus livrinhos de banca. Sinto falta daquela simplicidade… Da época na qual eu sentava, em dias chuvosos (ou não) nos quais eu estava em casa, com vários livrinhos perto de mim (na época, muitos deles, eu pegava emprestado com a irmã de uma amiga.) e ficava lendo um após o outro, sorrindo como uma boba e suspirando emocionada.rsrs… Era tudo tão mais simples (pelo menos, no mundo que eu criei, separei, para os livros), tão mais tranquilo… Eu penso que eu “enxergava” muito mais os romances de banca naquela época. Era capaz de compreendê-los melhor, “vivê-los” com maior intensidade. Hoje em dia, sinto como se tivesse me distanciado mais deles e é triste admitir. Mas como eu disse, isso aconteceu por vários motivos e não só por culpa de certos livrinhos de banca que tive o desprazer de ler. Aconteceu por certas decepções que não valem a pena ser mencionadas. Aconteceu porque conheci histórias diferentes e isso provocou certa mudança em mim. Enfim… foram vários os motivos.rsrs… Não amo mais os livrinhos de banca????!!! Claro que amo. Sempre os amarei. Aqueles que li no passado, alguns que conheci nos últimos dois anos e os que ainda conhecerei no futuro (pois não desisti deles). Sobretudo os que são da Lynne Graham e da Candace Camp.rsrsrs… Mas quase já não sou capaz de sentir a ligação que eu sentia antes (pelos da Lynne Graham e Candace Camp ainda sinto!!!!). A magia. Por que estou dizendo isso? Porque não senti por Um Homem Muito Sensual – Helen Bianchin, nem sequer metade do que eu sentia quando lia um livro da autora, no passado. E sei que se eu tivesse lido essa história uns dois anos atrás, seria diferente, entendem? O livro tem tudo que as histórias da autora sempre tiveram. É a mesma trama, que sempre foi capaz de me emocionar no passado. Por isso sei que a culpa não é da história. É minha.



- Eu gostei do livro. Mas não o amei. Um livro que eu teria amado muito no passado. Quero acreditar que é só uma fase. Que, se der tempo ao tempo, conseguirei recuperar a “ligação” que eu tinha com os livrinhos de banca (sobretudo os mais antigos), mas me entristece muito pensar que isso talvez não ocorra… 

domingo, 2 de março de 2014

Noiva da Traição - Blythe Gifford

(Título Original: The Harlot`s Daughter
Tradutora: Silvia Moreira
Editora: Harlequin
Edição de: 2012)


Ela foi prometida a um homem, mas terá de traí-lo. 

Os olhos de Solay encontraram os de um homem destituído de sentimentos. Ainda assim, ele teve o poder de fazê-la esquecer do mundo por breves instantes. Um erro, pois não havia tempo a perder com emoções quando tanta coisa dependia de seu prestígio na corte. No entanto, lorde Justin Lamont não podia ignorar a presença escandalosa da filha ilegítima do falecido rei. De cabeça erguida, ela caminhava como se a corte a adorasse. Ignorando a dor na alma dela, Justin cada vez mais se tornava arredio. Até que ponto ele seria capaz de se resguardar contra o charme fascinante de Solay?



Palavras de uma leitora...



" - Quando eu descobrir o que as estrelas reservam para mim, saberei o que quero - disse ela num familiar tom de brincadeira que escondia seus sentimentos. - Dessa forma, não me desiludirei. 

Aliviado por estar discutindo de novo, ele suspirou.

- Então você irá procurar a justiça nos céus, e eu, na terra."


- Ela faria o que fosse preciso para prover o sustento da sua família. Mesmo que isso significasse trair a si mesma...

Fazia dez anos que ela não colocava os pés na corte. Dez anos afastada de um mundo que era seu por direito de nascimento, mesmo que fosse um nascimento, para muitos, amaldiçoado. Mesmo que ela fosse filha do pecado. Tinha sido obrigada a fugir com sua mãe e irmã quando tinha apenas dez anos de idade, pois o rei, seu pai, havia morrido e o futuro delas tornara-se bastante incerto. Sua mãe, temendo pela segurança de suas filhas, fugiu na escuridão da noite e desde então nenhuma delas era vista na Corte. Até o retorno de Solay, agora com vinte anos e uma beleza capaz de fazer qualquer homem cair em tentação. Fingindo não notar o desprezo que todos ao seu redor sequer tratavam de esconder, Solay interpretava o seu papel, disposta a fazer o que fosse preciso para chamar a atenção do rei e fazê-lo ter misericórdia da sua família. Mas um homem, diferente de todos aqueles que ela já havia conhecido em sua vida, estava mais do que disposto a frustrar todos os seus planos e fazê-la ser mandada para o lugar de onde veio, sem arrancar sequer um centavo do rei. Um homem que parecia desprezá-la mais do que todos ali presentes, mas que ao mesmo tempo insistia em enxergar dentro dela o que ela própria não conseguia ver. Um homem que a deixava confusa e fraca, que a fazia sentir coisas que ela não queria sentir... Que ela não podia sentir.

Justin Lamont amava a verdade acima de tudo em sua vida. Para ele, a verdade era libertadora e com ela, era possível encontrar justiça no mundo. Havia conseguido tornar-se advogado mais cedo do que ninguém jamais conseguira e desde então trabalhava a serviço do Parlamento, tentando fazer com que o atual rei, jovem e inconsequente, não arruinasse o reino mais do que já fizera. Os cofres do país estavam profundamente ameaçados e no meio de uma crise fria, onde amigos e inimigos conviviam enquanto planejavam secretamente uma traição, ele não estava disposto a deixar que uma jovem de beleza angelical de cuja boca só saíam mentiras, caísse nas graças do rei para fazê-lo cometer mais excessos. Mas se Justin fosse ser bem sincero consigo mesmo, teria que admitir que o que mais lhe incomodava em Solay era o desejo que ela conseguia despertar nele. O desejo e algo mais... algo que o incomodava e o fazia lembrar-se de um passado sombrio que ele sempre tinha feito todo o possível para esquecer. Um passado que ainda era capaz de feri-lo e assombrá-lo. Enquanto Solay estivesse por perto, ele não encontraria a paz. Por isso era preciso livrar-se dela, mesmo que para isso ele precisasse jogar o seu jogo e tornar-se o que ele tanto abominava nas outras pessoas...

Solay não saberia dizer quem era. Ou o que esperava da vida. Desde pequena sua mãe lhe ensinara que tudo que deveria importar para ela, seria agradar os homens. Suas vontades, seus desejos, seus pensamentos ou sonhos não tinham a menor importância num mundo onde a mulher necessitava fazer o que fosse preciso para garantir a sua sobrevivência. E tudo sempre girava em torno dos homens. Uma mulher era incapaz de viver se não tivesse a proteção de um homem, se não fosse aquilo que um homem gostaria que ela fosse. Sendo assim, ela foi se perdendo, ano após ano, e chegara a um ponto no qual não era capaz sequer de dizer para si mesma quem era ou o que buscava. Sentia-se oca, sem vida, mas não era sequer capaz de lamentar por isso, pois seus sentimentos de mulher já não existiam mais. Ela... já não existia mais. 


" - O que mais resta a uma mulher? As únicas mulheres que não servem os homens são aquelas tementes a Deus, e até ele requer um dote. - Ser esposa, freira ou meretriz; eram estas as escolhas. - Uma mulher deve mimar um homem ou vários."


- Eu estaria mentindo se dissesse que essa história não mexeu comigo. Apesar de ter muitas coisas que eu não gostei na história e de tê-la achado fraca, não posso negar que a história me fez refletir bastante. Não posso dizer que ela não me causou certo impacto. Causou, sim. Ela me perturbou. Me fez pensar numa época na qual eu nem sonhava em nascer... Numa época na qual a mulher nada significava. Na qual ela era obrigava a se perder para ter o que comer, vestir ou onde morar. E isso me abalou, confesso. Afinal de contas, sou mulher e não posso dizer que não compreendi a Solay, mesmo que as atitudes dela tenham me deixado chocada. Mesmo que os pensamentos dela tenham me causado certa revolta. 

- Estou acostumada com um tipo bem diferente de mocinha. Geralmente as mocinhas que conheço, por mais imperfeitas que sejam, sempre agem de uma maneira que julgamos "correta". Lembro de algumas mocinhas da Johanna Lindsey... A de Assim Fala o Coração em particular... Eu lembro do quanto ela sofreu por lutar por sua liberdade, por buscar uma vida diferente daquela que as mulheres da época viviam. Lembro que senti muita raiva porque o próprio mocinho a via como um objeto, como um ser cujos sentimentos deveriam ser ignorados. Na verdade, na mente dele ela sequer possuía sentimentos. A vida dela deveria ser voltada para ele, para servi-lo, para agradá-lo. Era o que ele estava acostumado a ver. Era assim que as coisas funcionavam. Uma mulher valia menos que um cavalo. Valia menos que qualquer coisa. Nenhuma mulher deveria ter vontade própria, pensamentos próprios. Qualquer tentativa de rebeldia, deveria ser imediatamente frustrada. E punida. Mas a mocinha da história... Ela lutava. Lutava contra aquela situação, lutava por seus direitos como mulher e como ser humano. Não queria ser propriedade de ninguém, escrava de homem algum. Em Noiva da Traição as coisas são bem diferentes. Penso que são mais reais. 

- Em Noiva da Traição não encontramos a mesma violência que costumamos encontrar nos livrinhos medievais da Johanna Lindsey, assim como também não encontramos mocinhas como as dela. Corajosas, dispostas a tudo por sua liberdade, por seus direitos. Nesta história, encontramos uma mocinha bastante conformada com seu papel como mulher. Uma mocinha que não tem a menor vontade de lutar por sua identidade, que não pensa em lutar contra os homens, mas sim fazer suas vontades. Porque ela sabe que é o que precisa fazer. Porque ela sabe que se não agradar os homens, sua mãe e sua irmã passarão fome e perderão o pouco que têm. Desde pequena ela aprendeu que uma mulher inteligente era capaz de conseguir muitas coisas. E que se não conseguisse os favores de apenas um homem, deveria então tratar de conseguir agradando quantos homens fosse preciso. E o que mais me incomodou foi saber que ela achava aquilo normal. Que tudo era natural. Que não passava pela sua mente uma outra solução. Para ela, não existia. Aquela era a realidade. E tudo que ela podia fazer era aceitar, sem questionar, sem reclamar. Sem achar injusto. Solay me perturbou muito por isso. Eu terminei a leitura desta história sem saber quem ela era. Em sua essência, sabe? Não sei. Não sei quem ela era em seu interior, pois por mais que o amor a tenha transformado, fiquei com a sensação de que ela estava tão acostumada a usar máscaras e mentir para agradar, que jamais conseguiria se livrar disso. Que sua vida seguiria sendo uma falsidade. Cheia de mentiras, cheia de tentativas de agradar para conseguir o que precisava para viver. 

" [...] Onde estava a justiça em perder tudo o que era seu por direito? O que era verdadeiro além da necessidade de comer, vestir e se abrigar?"

- Ao encontrar em seu caminho Justin, Solay sente-se profundamente perturbada. Não só pelas sensações que ele era capaz de despertar dentro dela, mas também pelas convicções que Justin carregava, as verdades que ele insistia em querer passar para ela. O fato de ele ser um homem "das leis" também a incomodava, pois para Solay não se podia confiar nas leis ou nos homens que trabalhavam para elas. Na opinião dela, as leis eram umas das coisas mais ruins que existiam no mundo. Mais perigosas. Eram capazes de fazer com que as maiores injustiças fossem cometidas e o fato de Justin ver as coisas de outra forma acabam por provocar a sua compaixão. Não existia pessoa mais digna de pena, na opinião dela,  do que aquela que tinha a ilusão de que se poderia fazer justiça através das leis.

" - Ainda estou procurando minhas respostas, lorde Justin. E o senhor, encontrou as suas nas leis?

Ele se virou de costas e permaneceu num silêncio mortal, maculado apenas pelas águas do rio batendo nos muros do castelo.

- Eu procurava por justiça - ele finalmente respondeu.

- Na Terra? - Solay sentiu certa compaixão por ele. A vida daquele homem devia ser muito decepcionante. - É melhor olhar para as estrelas."


- E o que posso falar de Justin? Pelo pouco que a autora me deixou ver, eu diria que Justin era alguém realmente muito ingênuo. E inflexível. Até mesmo com ele próprio. Para ele, a verdade deveria ser sempre dita e qualquer pessoa que faltasse com a verdade, não possuía caráter algum. Para ele, as leis deveriam ser seguidas ao pé da letra, não importando tudo que estivesse por trás dos atos de uma pessoa ou da injustiça que pudesse ser cometida graças às leis. Mas, ao mesmo tempo, ele acreditava na justiça e buscava por ela. Seu verdadeiro motivo para ter se tornado advogado era justamente esse: fazer justiça. Mas ao longo da história, ele acaba por perceber o quanto estava iludido. O quanto a justiça ainda era uma utopia. Um sonho distante. E chega um momento no qual o defensor da verdade, alguém que só diz a verdade e exige o mesmo das outras pessoas, percebe que a verdade pode lhe tirar quem ele mais ama. Que é preciso mentir, para garantir a sobrevivência dela. 


"Solay não pensou duas vezes antes de dar um tapa no rosto dele, deixando a marca de seus dedos em vermelho na pele morena.

- Você não merece o amor que desperdicei com você. - Ela respirou fundo. - Vendi minha alma por sua vida. Você me deve a cortesia de, pelo menos por hoje, salvá-la."


- Ao término da leitura desta história, não fiquei com a sensação de que a história tenha sido ruim. Não foi. De certa forma, valeu a pena lê-la. Mas poderia ter sido uma história melhor. Poderia ter sido mais do que uma história apenas "boa". Se a autora não tivesse focado tanto no rei, nas intrigas e traições que fazem parte da corte, se ela não tivesse corrido tanto com várias cenas da história, se tivesse se concentrado mais nos protagonistas e permitido que nós realmente chegássemos a conhecê-los, a história teria sido muito melhor. Em vários momentos durante a leitura fiquei com a sensação de que a história estava "correndo". Como assim? A autora não ficava um tempo normal numa cena. Ela rapidamente pulava para a cena seguinte e eu achei que esse ritmo só fazia por onde estragar a história. A autora não necessitava correr tanto.rs... Era necessário um ritmo mais tranquilo para permitir que nós conhecêssemos seus protagonistas, era necessário um maior foco nos protagonistas para que eu pudesse realmente acreditar no romance, no amor que supostamente existia entre eles. Durante boa parte da história, não acreditei em tal amor. E para ser bem sincera, terminei a leitura ainda com essa dúvida. Será que eles realmente se amam? Ou sentem algo que confundem com amor? Geralmente não tenho essa dúvida, gente. Mas foi inevitável. Porque a autora não permitiu que eles se envolvessem como poderiam ter se envolvido. Tudo estava sempre girando em volta daquele tal rei e o fato da mocinha ter sido escolhida para trair o Justin, como um favor ao rei (que ela deveria colocar até mesmo acima de Deus, segundo a mãe dela), só dificultou as coisas. A mocinha fez tantas coisas reprováveis e que poderiam prejudicar seriamente o Justin, que foi difícil acreditar que ela o amava. Assim como o próprio Justin fez coisas que um mocinho apaixonado geralmente não faz. Coisas que poderiam ter consequências sérias e ele próprio sabia. Enfim... Além dessas coisas, existiram certos diálogos tanto entre o Justin e a Solay quanto entre outros personagens, que eu julguei totalmente sem sentido. Que, na minha opinião, não faziam sentido algum. Eram diálogos estúpidos. Eu cheguei a ler mais de uma vez certos diálogos para entender a utilidade deles, o sentido deles e não encontrei. 

Em resumo, posso dizer que a história não é ruim, mas que eu não recomendo.rsrs... Não me arrisco a recomendar essa história. Apesar de certas coisas terem mexido comigo e de eu achar a história "boa" (apenas boa, nada mais), não recomendo.rs...

Bjs!

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Vingança da Maré - Elizabeth Haynes

(Título Original: Revenge of the Tide
Tradutor: Mauro Pinheiro
Editora: Intrínseca
Edição de: 2013)


Depois de trabalhar arduamente por muito tempo – alternando um emprego como executiva de vendas durante o dia com o de dançarina de pole dance à noite -, Genevieve finalmente conseguiu juntar dinheiro para realizar seu sonho: comprar e reformar um barco e mudar-se com ele para Kent, bem longe da estressante vida em Londres que tanto a aborrece.

Tudo parece enfim perfeito. Até que, na festa de inauguração do barco, enquanto amigos de sua antiga vida parecem zombar do que agora lhe é tão caro, um corpo aparece boiando próximo ao ancoradouro, e Genevieve reconhece a vítima.

Ao perceber seu santuário flutuante maculado, e convencida de que sua vida também está em risco, Genevieve se vê novamente envolvida com o perigoso submundo de corrupção, crimes e traição do qual pensava ter finalmente escapado. E está prestes a descobrir os problemas de se misturar negócios e prazer. 



Palavras de uma leitora…



- Ao terminar de ler essa história, a primeira coisa que senti foi alívio. Afinal de contas, tinha sobrevivido ao livro. Não é qualquer pessoa que consegue algo assim, acreditem.rs Mas também me senti muito arrependida. E triste. Arrependida por ter apostado nessa história, por ter investido meu tempo nela, por ter acreditado nela. E triste porque dói ver uma autora tão talentosa, com um dom tão especial, jogar o nome na lama ao escrever uma coisa como essa. Peço perdão a quem gostou da história, mas não é qualquer pessoa que está falando isso desse livro, gente. É uma fã da autora. Alguém que a adora. Alguém que conhece o trabalho dela e a admira muito. Não estou falando nada com a intenção de ofender os fãs (estaria me ofendendo também) ou a autora. Estou falando isso porque me sinto revoltada, porque não posso aceitar que uma autora como a Elizabeth Haynes, que me arrebatou com o livro No Escuro, fez eu me apaixonar por sua história e ficar ansiosa por suas próximas histórias, tenha me decepcionado tanto ao escrever Vingança da Maré. Porque não é uma história digna dela. Não é um trabalho que mereça levar o nome dela! Isso sequer parece escrito por essa autora. Está muito abaixo dela, entendem? Não dá para não se revoltar com isso. Porque quem nunca leu No Escuro, quem conheceu a autora com Vingança da Maré, provavelmente vai querer passar bem longe dos trabalhos dela daqui por diante. Não vai confiar em nenhuma história da autora, por ter começado pelo livro errado. E se ela não tivesse escrito essa “coisa” nada disso aconteceria. Não canso de me perguntar o que se passou pela cabeça da autora quando ela decidiu escrever essa “história”. Como pôde se manchar assim?! 

Se era para escrever “isso”, antes não tivesse escrito nada, sabe? Até agora permaneço com aquele sentimento de incredulidade… Não consigo acreditar que essa história foi escrita pela minha autora. Pela Elizabeth Haynes. Não parece de modo algum uma história dela. Eu preferia jamais ter lido Vingança da Maré. Não queria sequer ter tomado conhecimento da existência dessa história. Mas sabe o que acontece? Quando você ama demais uma autora, fica aguardando os lançamentos de seus próximos livros, fica pesquisando para saber se a autora já escreveu uma nova história. Ao entrar numa livraria, fica passeando os olhos pelos lançamentos, procurando pelo nome da autora em algum deles. Foi algo assim que se passou quando encontrei essa história. Eu tinha visitado a Bienal do Livro pela primeira vez na vida e fui direto atrás de livros dessa autora, da Chevy Stevens (autora de Identidade Roubada) e James Patterson (autor de O Diário de Suzana para Nicolas). Na verdade, já tinha em mente quais livros queria. Estava muito cheio o local, algo que certamente deveria me fazer dar meia volta e cair fora dali.rs Porque detesto multidões. 
Lembro que quando vi Vingança da Maré, ele estava bem perto de No Escuro. Tinha um grupo ali lendo as sinopses dos livros e uma menina com No Escuro nas mãos, comentou: “Parece uma história interessante”. Eu lembro que eu sorri toda feliz por ela estar levando aquele livro com ela e comentei que era um livro maravilhoso, que ela não iria se arrepender de ler. Peguei Vingança da Maré. Verdade que achei o título estranho e a sinopse não me atraiu muito, mas pensei comigo mesma: “É da Elizabeth Haynes. Então é óbvio que é uma história tão incrível quanto No Escuro.”  Infelizmente, não fazia ideia do quanto estava enganada…

- Toda pessoa possui defeitos. Algo que as torna humanas, pessoas de carne e osso, imperfeitas como todos nós. Mas no caso de Genevieve, a coisa era bem mais grave. Ela não era apenas humana. Era um desastre em forma de gente. Alguém que pedia aos gritos para morrer. Que cada coisa que fazia na vida, era com a clara intenção de se prejudicar (e muito), por mais que, conscientemente, não tivesse a noção disso… Se ainda estava viva, era por pura questão de sorte. Ou de azar, dependendo do ponto de vista. 

- Ela era uma jovem executiva de vendas. Bem-sucedida, com uma vida que muitos invejariam. Mas não encontrava satisfação em seu trabalho. Pelo contrário, era um trabalho muito competitivo, dominado pelos homens e desgastante. O dinheiro que ela conseguia com ele não compensava todo o estresse mental e a frustração que o acompanhavam. Sua paixão sempre tinha sido dançar. Era na dança que ela encontrava algum sentido para sua vida. Na dança e no sonho que sempre compartilhara com o pai: o sonho de ter seu próprio barco. De construir um lar nele. Durante anos de sua vida, ela ia para a oficina do pai, ajudá-lo e sonhar com ele. Faziam planos, imaginavam como reformariam o barco dos seus sonhos; folheavam uma revista atrás da outra, sentindo-se felizes apenas por sonhar com aquilo. Mas o tempo passou e as responsabilidades da vida, a afastaram um pouco do pai. Mas ela ainda era capaz de lembrar que no dia em que fez a última prova na faculdade, ligou para casa. Apenas para descobrir que seu pai havia morrido. Justamente naquele dia. Após a morte de seu pai, sua mãe descobriu o que eles tanto faziam na oficina e sem piedade, destruiu todas as revistas. O tempo passou e Genevieve resolveu voltar para a dança. Pelo menos nos tempos livres. Seus anos de ginástica e aulas de dança, a fizeram se sentir em casa com o pole dance, como se tivesse nascido para isso. Tinha imensa facilidade para aprender e criar novos movimentos; sentia-se livre e viva. E através de sua professora ela descobriu que poderia ganhar muito dinheiro com o pole dance. Desde que trabalhasse na boate certa. Sua professora conhecia o lugar perfeito e a indicou. Mesmo não levando aquilo muito a sério, Genevieve foi à “entrevista” sendo contratada logo após mostrar que dominava o pole dance. E ela não fazia a menor ideia, na época, do quanto aquilo mudaria para sempre a sua vida. Se é que ela teria uma vida por muito mais tempo…

De início, tudo parecia perfeito. Ela só precisava fazer o que gostava: dançar e dançar. E ganhava uma fortuna por isso. Mas com o tempo, ela foi percebendo que havia se metido em algo muito mais perigoso. Arriscado. No entanto, o dinheiro, a ambição, a fizeram fechar os olhos para tudo e aceitar fazer qualquer coisa por mais e mais dinheiro, se metendo numa situação da qual não haveria a menor saída…

“Era dinheiro sujo, eu tinha me dado conta depois. Mas para mim, era apenas dinheiro. Uma bela soma que poderia investir no meu barco. E eu me enganara em relação a Dylan, é claro. Eu me enganara em relação a tudo, na época.”

- Isso é o máximo que posso fazer por essa história, gente. Esse resumo sem sal e sem açúcar. Totalmente sem graça.rsrs… Na verdade, o gosto amargo foi tão forte quando fechei essa droga de livro, que sequer tinha vontade de escrever uma resenha sobre a história. Eu estava muito decepcionada (e ainda estou), muito triste com a autora e queria atirar o livro pela janela. Mas achei que eu merecia pelo menos desabafar nem que fosse só um pouquinho do que eu estava sentindo. O que de modo algum, está fazendo eu me sentir melhor. 

- Talvez eu ainda não tenha dito com clareza o que tanto me incomodou nessa história, não é? Foi o fato da mocinha não possuir um cérebro, nenhuma inteligência? Foi o fato de ela ser dançarina de pole dance e aceitar ser prostituta nas horas vagas, desde que fosse bem remunerada? Dessas hipóteses, eu descarto só o pole dance. Na verdade, acho uma dança muito interessante e já vi (através da TV) pessoas dançando-a. Até mesmo homens arriscam hoje no pole dance e conseguem arrasar. É uma dança que se bem feita consegue ser sensual, sem ser vulgar. Então, o fato da Genevieve dançar não me incomodou nada. Mas a quantidade de besteiras que ela fez por conta da sua falta de cérebro, da sua incrível capacidade para ser burra e o fato de agir como uma prostituta, sim. Sem mencionar o início admirável dessa história. Afinal de contas, não há como não admirar o esforço que a autora fez para estragar toda a história, desde o princípio. Fazia tempo que eu não lia um início de livro tão sem graça. Tão absurdamente chato. Eu lembro que tive que fazer um esforço enorme para seguir com a leitura, sempre cheia de esperanças de que a história fosse melhorar a qualquer momento. Mas quanto mais eu lia, mais remota se tornava tal esperança. O livro estava perdido desde o início. Eu só demorei bastante para aceitar esse fato. 

- Quem leu essa história sabe o quanto o início dela é chato. O quanto dá vontade de fechar o livro e se livrar dele. E aposto que muita gente deve ter feito isso. Provavelmente as pessoas que seguiram com a leitura, foram aquelas que já conheciam o trabalho da autora e apostaram na história por isso. As outras devem ter desistido nas primeiras páginas. Eu gostaria muito de ter feito o mesmo. Se arrependimento matasse…

- Tirando o início entediante da história (um início que não é bem somente um início. Por mais de 200 páginas a história é puro tédio), a segunda coisa que me desagradou foi a porcaria de protagonista que essa autora conseguiu criar. Não consigo imaginar de onde diabos ela tirou a Genevieve. Ainda por cima deu para essa cópia mal feita de mocinha um nome do qual eu gosto. A quantidade de besteiras que a Genevieve faz deveriam dar a ela o prêmio como a mocinha mais tapada que tive o desprazer de conhecer. No momento, ela supera todas as outras retardadas que conheci ao longo do meu tempo como leitora. Nunca encontrei na minha vida mocinha mais estúpida do que essa. Mais insuportável! Além de ter ido dançar numa boate que ela percebeu que não era flor que se cheirasse, ela desceu ao nível mais baixo para conseguir a porcaria do dinheiro para comprar a droga do barco. O que ela foi capaz de fazer… me provocou náuseas. Tudo bem que eu não tenho nada a ver com a vida dela. Se ela estava disposta a vender o próprio corpo por dinheiro, era problema dela, não é verdade? Mas um direito que ela não tinha era de envolver mais pessoas nisso! Um direito que ela não tinha era de trair o que ela chamava de melhor amiga! Uma coisa da qual eu tive a certeza depois de ler certas cenas, é que eu jamais iria querer ser amiga de alguém como ela. Esse projeto de mocinha é pior que amiga da onça. Por dinheiro era seria capaz de trair alguém que lhe estendeu a mão, que lhe deu apoio, que a aceitou como amiga. E após ler os pensamentos dela sobre essa amiga (logo após ela ouvir os elogios que faziam ao que a amiga dela era) eu percebi a inveja dela, algo que eu deveria ter notado muito antes, pois a Genevieve é péssima para esconder qualquer coisa. Ela nunca foi amiga daquela menina. Tudo na Genevieve sempre foi falso. E não sei se a culpa é dela ou da autora. Nem quero saber. 

- Acho que não estou conseguindo colocar em palavras o que sinto por essa protagonista, não é?kkkkk… Dizer que não a admiro seria pouco. Dizer que ela me provoca náuseas, jamais seria suficiente. Eu a detesto. Porque a culpo por tudo de errado que aconteceu nessa história. Porque ela foi responsável por cada vida colocada em risco nesse livro, porque a estupidez dela tirou a vida de alguém que não merecia morrer. Porque tirou a vida de alguém que estava perfeitamente bem antes dela aparecer. A detesto porque ela é tão absurdamente burra que após tentarem matá-la, teve a coragem, a inteligência de ajudar a pessoa que queria matá-la. Creio que nunca vi isso na minha vida. Uma pessoa tenta te matar, mas acaba sofrendo um acidente durante a tentativa. O que você faz? Ajuda essa pessoa? Para ela terminar depois o que tinha começado? Para ela te matar depois???!!! Foi isso que essa idiota fez. O cara era assassino por dinheiro! Pago para matar. Se ela estivesse só arriscando a vida dela, tudo bem. Não me importo nada com ela mesmo. Mas não. Ela nunca destrói a vida dela e só. Tem sempre que destruir a vida de outras pessoas também. 

- Mas sabe o que mais me irritou acima de tudo nesse livro? O fato da autora melhorar a história a partir da página 214, somente para destruir totalmente o livro com aquele final absurdo. Não sei nem como dizer o que senti depois de ler aquele final… Parecia que eu estava assistindo um filme policial de péssima categoria. O livro tinha ficado eletrizante páginas antes, para terminar daquele jeito ridículo. A cena de ação merece total destaque. Foi uma verdadeira comédia. Mas aquela comédia que não tem a menor graça. Que te deixa com uma cara que diz: “Você realmente está de brincadeira com a minha cara.” Provavelmente esse livro marcará o ano de 2014. Como o pior livro que li. 

- Eu estava aqui pensando no fato de ter dado 3 estrelas ao livro no Skoob... Não foi justo. O livro não merece sequer três estrelas. Mas que fique claro aqui que essas estrelas foram pelo fato de eu ainda admirar essa autora. Essas três estrelas não foram por esse livro, pois essa coisa não é sequer uma boa história. As três estrelas foram pela autora e não pela história. Mas mudei de ideia. Vou dar as estrelas que o livro merece.rsrs...

- Bem… é isso. Depois dessa resenha que em nada aliviou a minha revolta e que deve estar parecendo uma resenha escrita por uma pessoa bastante louca (essa resenha não deve estar fazendo o menor sentido, não é?), vou procurar uma história que tire esse gosto ruim da minha boca. O livro ainda não voou pela janela. Prestem bem atenção nisso: ele ainda não voou. Provavelmente voará antes do término deste final de semana. Quero esse livro longe de mim!!!! 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O Príncipe do Deserto - Iris Johansen

(Título Original: And The Desert Blooms
Tradutora: Adriana di Pietra
Editora: Nova Cultural
Edição de: 2009)

Não me procure... Voltarei quando estiver pronta...

Pandora Madchen escreveu essas palavras quando fugiu, seis anos atrás. Nesse meio tempo, ela se tornou uma famosa cantora de rock e viajou pelo mundo inteiro, mas nunca se esqueceu da promessa que fez a si mesma. Agora ela está pronta para voltar à desértica Sedikhan e para o homem por quem se apaixonou cedo demais... e nunca conseguiu esquecer.

O sheik Philip El Kabbar é um homem poderoso e influente. Contudo, durante seis longos anos não conseguiu encontrar a garota a quem ainda considera ser seu dever proteger. Pandora está de volta, e não é mais uma garota, mas sim uma mulher linda e atraente, determinada a envolvê-lo num jogo de sedução, de onde ambos podem sair de coração partido...



Palavras de uma leitora...



Olá, queridos!

 - Sim. Eu sei. Estou negligenciando muito o blog, vocês e os meus livrinhos, de uns tempos para cá. De bastante tempo para cá, na verdade. E é algo que me deixa muito triste. Mas realmente não tenho outra opção. Minha vida está uma confusão completa; têm horas que sinto como se estivesse numa montanha-russa, subindo e descendo com tanta rapidez que mal consigo me acompanhar.kkk... Enfim... Viver não é nada fácil.rs

"Ele a estudou por um longo momento.
- Você mudou, Pandora.
- Eu cresci. Acontece com todos nós eventualmente."

- Seria o tempo capaz de pôr fim ao amor? Ou, na verdade, o que acaba com o amor não é o tempo, mas sim as atitudes das pessoas às quais doamos nosso amor? Fazia seis anos que eles não se viam. Seis anos de saudades, lembranças, arrependimentos e mágoas. Seis anos perguntando-se o que estariam fazendo de suas vidas, seis anos imaginando se o outro estaria nos braços de alguém, quando era nos braços um do outro que deveriam estar... Seis anos de uma distância planejada. Ao menos, por Pandora, que para estar para sempre ao lado do homem que amava, teve que ir para longe dele. Crescer e mudar. Para ter a coragem necessária de lutar pelo amor dele, para ir contra a dureza do seu coração e destruir todas as suas defesas. Para fazê-lo perceber que ela era importante para ele, até mesmo quando ele achava que tudo que desejava era tê-la o mais longe possível. Para fazê-lo enxergar que era possível ser amado. Que nem todas as mulheres estavam interessadas em seu dinheiro, em seu poder ou em partir seu coração. Tudo que ela queria da vida era doar-se a Philip. E receber dele o amor que ninguém nunca foi capaz de lhe dar. 


" - Roubou de mim os últimos seis anos... Tenho o direito de saber com quem passou esse tempo. Afinal, ele me pertencia. 

- Roubei? - Ela não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Precisava se controlar ou poria tudo a perder. - Você é mesmo impossível, Philip. Continua achando que o mundo gira ao seu redor. O tempo era meu, não seu. É de minha vida que estamos falando."


- Pandora era apenas uma criança quando despertou a atenção de Philip. Ela tinha se metido numa encrenca, algo que já era até rotina em sua vida, e Philip decidiu tornar-se o seu protetor. Por algum motivo que ele desconhecia, aquela menina mexia com as suas emoções e provocava nele uma ternura que nenhuma outra pessoa tinha conseguido provocar. Por esse motivo, ele decide lhe dar um medalhão, cujo desenho representava a sua marca. Tal atitude dava um aviso claro: qualquer um que fizesse mal àquela menina, estaria fazendo mal ao próprio Philip e pagaria caro por isso. Dessa forma, ele a colocava debaixo de sua proteção. E por esse motivo, também se achava no direito de decidir sua vida. Para ele, Pandora lhe pertencia. Mesmo que ele jamais tenha imaginado que um dia a desejaria como mulher. 

" [...] Como Helena não podia descontar a raiva em seu pai, descontava em você. - Apertou os lençóis com força. - Eu a teria matado, sabia?

- Teria? - Havia uma ponta de ternura na voz de Philip. - Sempre foi protetora, não é, Pandora? Mas isso foi há  muito tempo. - A ternura transformou-se em frieza. - Não preciso que se vinguem por mim, muito menos que sintam pena de mim - adicionou, amargo. - E também não preciso de você.

Ela sentiu uma pontada no peito.

- Precisa, sim. Apenas ainda não se deu conta disso. Mas farei com que o perceba."


- Ela o compreendia. E enxergava o que ninguém mais era capaz de enxergar. Conhecia os sentimentos que Philip ocultava dentro dele, sentimentos que o faziam tratar as mulheres com distância e desprezo, sentimentos que o faziam parecer cruel, insensível e egoísta. Ela sabia por que ele agia assim. Porque dentro dela habitavam os mesmos sentimentos: a dor, a mágoa que a rejeição é capaz de provocar. A ferida profunda que um pai ou uma mãe pode provocar dentro de um filho. As cicatrizes que tempo algum consegue apagar. O medo que somente um amor muito forte e corajoso pode superar. Por isso Pandora estava disposta a lutar por ele. Porque o conhecia. Porque sabia que dentro dele, em algum lugar bem profundo, estavam presos os sentimentos que ela conseguia despertar nele. Ela apenas precisava libertá-los. Porque a outra opção seria abrir mão de Philip, algo que ela jamais teria coragem de fazer. Não importava o quão mal ele fosse capaz de tratá-la, ela suportaria tudo e mostraria que jamais iria ser como a mãe dele. Que não brincaria com os seus  sentimentos. Que não o tornaria dependente dela somente para depois partir, deixando-o com o coração em pedaços.


"[...] O que aconteceu aqui foi sublime e sabe disso, Philip.

- Foi bonito - ele concedeu a contragosto. - Mas não significa que estávamos no paraíso. Sexo não é amor, Pandora.

- Sei muito bem a diferença. Sempre soube. Mas entre nós é diferente, Philip. É o mais puro amor... Tire a venda dos olhos e enxergue a realidade. Já perdemos muitos anos, e estamos envelhecendo. 

Philip não conseguiu conter o riso, vendo-a enrolada nos lençóis, os enormes olhos a encará-lo. Pandora não parecia muito mais que uma criança.

Já não sentia mais raiva dela. A fúria de momentos antes estava desaparecendo. Por que não conseguia se manter firme quando o assunto dizia respeito àquela menina?"


- Eu nunca esqueço de uma história, quando de alguma forma ela se tornou especial, querida por mim. E muito menos esqueço personagens. Posso até não lembrar de todos os detalhes de uma história, mas os sentimentos que a história me provocou, eu sempre lembro. E é por isso que nunca esqueci Philip e Pandora. Apesar de tê-los conhecido quase quatro anos atrás. 

- Eu estava lendo Sob o Sol do Deserto - Iris Johansen, quando a autora decidiu colocar Philip e Pandora na história. Eles não eram os protagonistas, mas tinha algo neles que os tornava especiais, ao ponto de desejarmos ler a história deles. Na época, eu sequer sabia que eles realmente possuíam a própria história. Descobri isso um tempo depois e aí fiquei completamente louca pelo livro. Mas não o encontrava em parte alguma, de modo algum. Passaram-se os anos... E, um dia, sem esperar, enquanto eu estava olhando alguns livros antigos que estavam sendo vendidos numa banca de jornal, esbarrei nesse livro. Imediatamente eu soube que era a história que eu tanto tinha procurado anos antes e aí, não pude deixar de trazê-la para casa. :) Mas só agora tive a oportunidade de lê-la. E a única coisa que lamento é não tê-la lido antes. 

- Em Sob o Sol do Deserto, encontramos dois personagens secundários marcantes. Pandora era pura vida naquela história, estava sempre cheia de energia e querendo chamar a atenção de Philip que fingia (apenas fingia) não perceber o interesse dela por ele. Philip era um homem cínico, insensível (aparentemente, é claro), egoísta e que tratava as mulheres da forma que achava que elas mereciam: com claro desprezo. Não que ele as maltratasse, mas não as considerava dignas de coisa alguma, além de alguns momentos na cama com ele. Exceto Pandora. Apesar de ela ser mulher e por tal motivo, não merecer nenhum segundo de sua atenção, ela o fascinava. E despertava nele um sentimento que ele não sentia por ninguém: ternura. Ela era apenas uma criança rebelde, disposta a sempre encarar o perigo de frente e necessitava de proteção. Não existia, na mente de Philip, ninguém mais capaz de protegê-la do que ele próprio. E assim os anos se passam e os laços entre os dois vão se tornando mais e mais fortes, ao ponto de Philip perceber que necessita mandá-la para longe. Para o bem de ambos. 

- Pandora, profundamente magoada pelo que ela considera uma fria rejeição, não aceita ir para longe, estudar na droga de lugar que fosse. Se não podia estar com Philip, também não iria para outro lugar, debaixo da proteção dele. Se ele a queria longe, ela iria. Mas da maneira dela. E assim, Pandora escapa, decidindo que voltaria quando estivesse pronta para conquistá-lo. Quando estivesse disposta a sofrer o que tivesse que sofrer, para mostrar a ele o quanto o amava. Seis anos antes, ela não passava de uma menina de quinze anos que não sabia como mostrar àquele homem que o amava. Mas agora, aos vinte e um anos, ela sabe exatamente como mostrar a Philip que ele não pode viver sem ela. Que sem ela, sua vida não passa de uma triste escuridão. 


- Em O Príncipe do Deserto, ocorre o reencontro entre os dois. Um reencontro que não é lá muito agradável, levando em conta que Philip havia sido contrariado e tinha passado seis anos imaginando onde aquela pestinha estaria; se estaria passando fome, se estaria sofrendo maus-tratos, se estaria viva ou morta. Seis anos desejando ver de novo o seu sorriso, a alegria que ela deixava transparecer cada vez que o via chegar... Desejava ver de novo algum de seus empregados procurando-o às pressas para contar que Pandora havia se metido numa nova encrenca. Ele tinha passado tempo demais sentindo falta. E isso o incomodava, pois fazia muito tempo que ele não sentia falta de alguém. Porque para sentir falta é necessário nutrir por alguém um sentimento profundo, um afeto. E Philip, desde criança, tinha se proibido de sentir tal coisa. Porque doía amar. E ele sabia bem o quanto. 

- É muito bonita a história entre os dois. Apesar de Pandora tê-lo amado muito cedo e de nós leitoras percebermos claramente que de alguma forma Philip assumiu o lugar de pai na vida dela, não duvidei do amor que ela sentia por ele. Possa ser que no início tenha sido apenas uma espécie de "transferência". O pai dela não a amava e fazia questão de mostrar isso claramente. Ele a queria sempre o mais longe possível. Ele desejava que ela sequer existisse. Então, aquela menina tão carente de amor, tão necessitada de carinho, viu em Philip um substituto do pai. Isso é evidente. Mas com o tempo tal sentimento se modificou e ela já não o viu mais como uma espécie de pai, mas sim como homem. O homem que a atraía, que despertava o seu desejo e o seu amor. Que a fazia sentir coisas que ela nunca tinha sentido antes. E corajosa e determinada como só ela sabia ser, ela luta por ele. Com todas as suas forças. Com todas as armas que a natureza lhe deu.rsrs... Eu gosto demais da Pandora e do Philip. Apesar do Philip ter me deixado fervendo de raiva em determinados momentos, eu o compreendi. Ele nunca foi deliberadamente cruel com ela, até mesmo quando ele próprio acreditava que tinha sido. Cada coisa que ele faz é sempre pensando no que ele julga melhor para ela, pois se importa. Se importa com ela como nunca se importou com ninguém. Ele sente ternura por ela e com o tempo descobre que isso é o mais intenso amor. Que demorou a amadurecer... Philip aprende de forma amarga a valorizar o que a vida lhe deu. É com dor que ele aprende, queridos. E no fundo eu penso que ele mereceu.kkkkkkkk... Se a Pandora tinha sofrido tanto, ele merecia sofrer também.rsrs... 

- Em resumo, posso dizer que essa é uma história leve, divertida e deliciosa. Uma história simples e comovente, para ser lida sem muitas expectativas, exceto se deliciar com um doce romance. E que mesmo assim, simples, consegue ser especial. A beleza dessa história está justamente em sua simplicidade. É uma bonita história, para ser lida com o coração. :)

"Philip cerrou o maxilar, sentindo-se ultrajado.

- Nunca fui comparado a um cavalo antes, muito menos a um tão perigoso - comentou em voz baixa, enquanto a segurava para ajudá-la a desmontar.

- Apenas algumas vezes ele me lembra você - ela corrigiu, tensa. - Em outras é adorável."