O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!

O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!
O coração de uma mulher é um oceano de segredos

domingo, 17 de junho de 2018

O Morro dos Ventos Uivantes - Emily Brontë (não é resenha)


(Título Original: Wuthering Heights
Tradutora: Adriana Lisboa
Editora: Zahar
Edição de: 2016)

Caro leitor, 
Você está prestes a adentrar o inferno. 
Mas não hesite: a viagem valerá cada segundo. 

Esta é uma história de amor e obsessão. E de purgação, crueza, devastação. No centro dos acontecimentos estão a voluntariosa e irascível Catherine Earnshaw e seu irmão adotivo Heathcliff. Rude nos modos e afetos, humilhado e rejeitado, ele aprende a odiar; mas com Catherine desenvolve uma relação de simbiose, paixão e também perversidade. Nada destruirá a essência desse laço - porém quando ela se casa com outro homem, por convenções sociais, as consequências são irreparáveis para todos em volta. 

Com um olhar sensível e agudo, Emily Brontë fez de O morro dos ventos uivantes um retrato comovente e um estudo da degradação humana provocada pelas armadilhas do destino. Acompanhando a excelente tradução, traz mais de 90 notas, apresentação, cronologia de vida e obra da autora e ainda dois textos de Charlotte Brontë, escritos para a reedição do livro organizada por ela após a morte da irmã. 




Palavras de uma leitora...



- Achei importante destacar no título do post que não se trata de uma resenha.rs Isso porque no blog vocês podem encontrar duas resenhas que fiz anteriormente sobre o livro. Uma publicada poucos meses depois de criar o blog, em 2010. Outra publicada em 2012. 

"- Entre! Entre! - soluçava. - Cathy, entre. Ah, por favor... uma vez mais! Ah, minha adorada! Ouça-me desta vez, Catherine, por fim!"

Lembro com clareza a primeira vez que li esta história. Tinha terminado de ler a saga Crepúsculo e não parava de pensar nos trechos que eram mencionados pela Bella e o Edward. Não foi o único livro do qual eles falaram na história, mas era o preferido deles. E isso, claro, despertou minha curiosidade. Na época, não tinha muito conhecimento de internet, nunca comprava livros pela internet (ano de 2009, era uma adolescente ainda) e tentava encontrá-lo nas poucas livrarias que conhecia e nada. Aí acabei lendo em ebook, numa versão bem antiga e com linguagem difícil. Mesmo assim, com todas as dificuldades, concluí a leitura com uma sensação... "estranha". Nunca um livro tinha me provocado tamanho impacto. Eu jurava para quem quer que fosse que odiava o livro. Que não suportava os protagonistas. Que tudo era culpa deles. Que destruíram a vida de todo mundo e era o pior livro que já tinha lido. Não que eu não tivesse me comovido pelo sofrimento deles, mas os odiava até mesmo por causarem a própria dor!rs E assim, o tempo passou... 

"Qualquer que seja a substância das almas, a minha e a dele são feitas da mesma coisa [...]"

Não fui capaz de esquecê-lo. Eu lia outros livros, seguia normalmente com a minha vida, mas lembrava dos trechos, até mesmo citava alguns pedaços deles. Queria parar de pensar e não conseguia. Comentava sobre a história com minhas amigas, sempre que um professor falava de livros clássicos eu recordava Catherine e Heathcliff. Eles passaram a fazer parte do meu mundo. Ouvia a música, tentava modificar o final da história na minha cabeça e seguia jurando ódio eterno por eles. E quando minha mãe me ofereceu um livro de presente não hesitei ao escolhê-lo. Naquela época eu já sabia da existência da versão publicada pelo selo Lua de Papel, da editora Leya, que falava que era o livro preferido dos meus personagens queridos.rs E aí surgiu a oportunidade de reler a história. Era o que eu precisava. Só necessitava ler o livro de novo para me libertar dele. Para finalmente ficar em paz. 

"Nelly, eu sou Heathcliff! Ele está sempre, sempre em minha mente. Não como fonte de prazer, não mais do que sou uma fonte de prazer para mim mesma, mas como meu próprio ser."

E foi assim que, em 2012, reli a história. Não dá para colocar em palavras como foi essa experiência. Diversas outras vezes ao longo dos anos eu revisitei o morro dos ventos uivantes em minhas lembranças. Mas reler a história foi algo... arrebatador. Os sentimentos dos personagens, os acontecimentos, tudo me atingiu com força. Eu sentia meu coração acelerar, ficava angustiada com cenas que já conhecia e era obrigada a interromper a leitura para respirar antes de voltar para a montanha-russa que era o livro. Marcava muitos trechos e relia cada um deles várias vezes. Eu vivi cada instante com eles. E, no fim, o ódio que eu jurava sentir por Catherine e Heathcliff se transformou em amor. Não abandonei o ódio por inteiro, mas passei a sentir uma mescla dos dois sentimentos. Não era possível odiá-los sem amá-los. Era impossível sentir uma coisa sem a outra. Se antes eu era obcecada pela história deles dois... depois de reler o livro se cravou em mim. Deixou uma cicatriz. 

"[...] podem me enterrar a quatro metros de profundidade e derrubar a igreja por cima de mim, mas jamais vou descansar enquanto não estiver comigo. Jamais!"

E de lá para cá li o livro de novo, remarquei os trechos, assisti todas as versões que consegui dos filmes e minisséries, registrei na memória as histórias que lia e os personagens que de uma maneira ou de outra mencionavam o clássico... Ouvi a música trilhões de vezes e minha versão preferida sempre será do Angra... Enfim... Li centenas de livros (literalmente) depois de O Morro dos Ventos Uivantes, mas nem o passar dos anos foi capaz de apagá-lo, de tirá-lo de mim. Não sei o que acontece comigo, sinceramente. Creio que a obsessão dos personagens me contagiou.kkkkk... 

"Se ele a amasse com todas as forças do seu insignificante ser, ainda assim não poderia amá-la em oitenta anos o mesmo que eu num único dia."

Em 2017 ganhei minha segunda edição da história de presente da minha querida amiga Carol, para quem eu também vivia falando do livro.kkkkkk.. Ela me presenteou com aquela edição por conter um prefácio da Rachel de Queiroz que eu amava. Era um prefácio que li uma vez num livro encontrado numa biblioteca pública e nunca pude esquecê-lo. Aí ela encontrou uma edição que vinha com ele e me deu. Foi um dos melhores presentes que já recebi na vida. :D No mesmo ano, adquiri outra edição do livro, da editora Landmark (não gosto muito dessa edição) e ganhei da minha mãe (de presente de aniversário) a edição de 2016 da editora Zahar, que vem toda comentada, com notas muito interessantes que falam de peculiaridades da época em que o livro foi escrito, cronologia da família Brontë, anexos com comentários da Charlotte Brontë sobre sua irmã e a obra dela e mais... 

"Porque nem a tristeza, nem a degradação nem a morte, nem nada que Deus ou Satã pudessem nos infligir haveria de nos separar; você, de livre e espontânea vontade fez isso. Não parti o seu coração foi você quem o partiu, e, ao fazer isso, partiu o meu também. Pior para mim, ser forte. Se quero continuar vivo? Que tipo de vida vou ter quando... Ah, meu Deus! Você gostaria de viver com a alma no túmulo?"

E quando surgiu a oportunidade de me unir com outras blogueiras para o projeto de Leitura Coletiva deste clássico não pensei duas vezes! Sequer necessitei pensar!kkkkk... Foi com uma euforia que participei da organização com as outras meninas e quando abrimos as inscrições e as pessoas começaram a desejar participar... foi lindo! A leitura teve início em 13/05, com uma duração programada de quatro semanas, encerrando no dia 10/06. Foram quatro tópicos de discussão no grupo criado para esse fim no Facebook e participar dos debates com as meninas foi uma experiência maravilhosa. Nunca tinha participado de um projeto igual e começar pelo meu clássico preferido foi um ótimo início! 

"Não posso viver sem a minha vida! Não posso viver sem a minha alma!"

Ao longo das quatro semanas de leitura e dos debates sobre a história, conheci meninas que são tão apaixonadas pelo livro quanto eu! Que também aproveitaram a oportunidade para reler, que amam odiar os personagens, que compreendem o que os levou ao ponto em que chegaram. E que não conseguem desprezar por completo o Heathcliff. Foram muitos comentários incríveis. As conversas eram longas!kkkkkk... Teve uma vez, no tópico de Discussão 2, quando lemos os capítulos mais importantes do livro (do 10 ao 18), que conversamos até de madrugada.rsrs 

"[...] pois o que não está, para mim, associado a ela? E o que não me faz recordá-la? Não posso olhar para este chão, pois seus traços estão impressos nas lajes! Em cada nuvem, em cada árvore... enchendo o ar à noite, e vislumbrada em cada objeto de dia... Estou cercado pela sua imagem! Os rostos mais comuns de homens e mulheres, meus próprios traços, debocham de mim com alguma semelhança. O mundo inteiro é uma terrível coleção de recordações de que ela existiu, e de que eu a perdi!"

Quando decidi participar da Leitura Coletiva, escolhi ler o meu exemplar da editora Zahar. Nunca tinha lido uma edição comentada e queria saber como era. Confesso que algumas notas eram até muito importantes, nos situando, nos fazendo compreender a época em que a história se passava, vez que ela se passa entre o final do século XVIII e início do século XIX. Todavia, existiam algumas notas simplesmente desnecessárias, que vinham em momentos inoportunos e não acrescentavam coisa alguma. O que chegou a me irritar, sinceramente. Eu me obrigava a ler as notas e quando via que eram pura tolice me estressava.rs Como eu disse, algumas tinham importância sim. Mas outras... definitivamente não

Outro ponto a comentar é a tradução. Conheço algumas traduções diferentes do livro (já que foi a quarta vez que li e optei sempre por ler traduções diferentes umas das outras) e a da Adriana Lisboa, desta edição da Zahar, é muito boa, mas... não é minha preferida, gente. Achei que a maneira como alguns trechos foram traduzidos e organizados acabou por roubar parte da emoção deles. Quando comparava com a tradução da Ana Maria Chaves, da edição da Lua de Papel, sentia uma diferença enorme. E não poderia deixar de comentar sobre isso. Gosto é algo muito pessoal. E eu prefiro a tradução da Ana Maria. 

- Como eu disse, não é resenha. Apenas quis comentar um pouco sobre o livro após lê-lo novamente.rs Não fazia sentido publicar uma terceira resenha, gente!kkkkkkkkkkk... Aí já seria demais, não acham?! Por isso quase não falei sobre a história em si. Se quiserem ler a resenha basta clicar AQUI

Bjs!

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Segredos de uma Noite de Verão - Lisa Kleypas

(Título Original: Secrets of a Summer Night
Tradutora: Janaína Senna
Editora: Arqueiro
Edição de: 2015)


As Quatro Estações do Amor - Livro 1


Apesar de sua beleza e de seus modos encantadores, Annabelle Peyton nunca foi tirada para dançar nos eventos da sociedade londrina. Como qualquer moça de sua idade, ela mantém as esperanças de encontrar alguém, mas, sem um dote para oferecer e vendo a família em situação difícil, amor é um luxo ao qual não pode se dar.

Certa noite, em um dos bailes da temporada, conhece outras três moças também cansadas de ver o tempo passar sem ninguém para dividir sua vida. Juntas, as quatro dão início a um plano: usar todo o seu charme e sua astúcia feminina para encontrar um marido para cada, começando por Annabelle.

No entanto, o admirador mais intrigante e persistente de Annabelle, o rico e poderoso Simon Hunt, não parece ter interesse em levá-la ao altar - apenas a prazeres irresistíveis em seu quarto. A jovem está decidida a rejeitar essa proposta, só que é cada vez mais difícil resistir à sedução do rapaz. 

As amigas se esforçam para encontrar um pretendente mais apropriado para ela. Mas a tarefa se complica depois que, numa noite de verão, Annabelle se entrega aos beijos tentadores de Simon... e descobre que o amor é um jogo perigoso.

No primeiro livro da série As Quatro Estações do Amor, Annabelle sai em busca de um marido, mas encontra amizades verdadeiras e desejos intensos que ela jamais poderia imaginar.



Palavras de uma leitora...


- Quando viverei um momento em que poderei ler e resenhar tranquilamente, sem que o dia a dia tente me atrapalhar?rsrs Sério, é necessário sempre desabafar sobre o estresse de não poder ler como eu gostaria. Tipo: quase vinte e quatro horas por dia.rs Seria o paraíso, não acham? :D

Mas a semana que começou com o dia 03/06 foi particularmente terrível. Um pesadelo. Completo. A escolha mais sensata seria ter aberto mão da leitura esses dias. Porém está aí algo que eu nunca faria. Se mesmo lendo eu estava prestes a enlouquecer e descontar a raiva até nos móveis imagina como ficaria calma se não lesse! 

"Uma menina que sempre sonhou em se casar poderia superar praticamente qualquer obstáculo, exceto a falta de dote."

- Aos vinte e dois anos de idade, Annabelle ainda tinha esperanças de que todos os seus problemas poderiam ser resolvidos no momento em que recebesse uma proposta de casamento. Sabia que sua família mal tinha condições de pagar pelas despesas básicas e que possivelmente a lastimável situação na qual se encontravam já deveria ser de conhecimento geral, mas não se importava. Pelo menos, não tanto assim. Ela podia não ter dote e usar vestidos remendados, mas sabia que era bonita e que isso poderia ajudá-la a se casar. Tal esperança era tudo o que possuía. 

Todavia, dois anos mais tarde, ela continuava esperando por um convite que jamais chegaria. Participava das temporadas, mas em cada baile era obrigada a observar em silêncio enquanto jovens debutantes eram tiradas para dançar sem que ela pudesse ter a chance de dançar uma valsa que fosse. Os homens solteiros não a queriam como esposa. Não queriam alguém que não pudesse somar nada à fortuna deles e as únicas propostas que recebia era para compartilhar de suas camas. Na qualidade de amante. 

Embora tivesse sua dignidade e orgulho, ela sabia que aquela era sua última temporada. Que se não conseguisse atrair nenhum homem como marido, estaria completamente perdida. Não era mais possível adiar as dívidas. Seu irmão precisava estudar, ser mantido na escola... sua mãe não poderia continuar se sacrificando daquela maneira degradante. Tudo estava nas mãos dela e... se não se casasse... não teria outra alternativa senão abrir mão de seus princípios. De sua honra. E ser o que não desejava. 

"Talvez minha sorte esteja prestes a mudar, pensou Annabelle, e fechou os olhos numa breve oração de esperança."

Tudo muda quando ela acaba fazendo amizade com outras jovens solteiras que também enfrentavam problemas em atrair pretendentes. Apelidando-se gentilmente de "solteironas", as três unem-se à Annabelle com o objetivo de tomar as rédeas do próprio destino e parar de esperar pacientemente que tudo se resolva e alguém apareça do nada jurando amor eterno. Determinadas, iniciam o projeto pela mais velha do grupo, prometendo que quando a primeira conseguisse se casar não se esqueceria das demais e só parariam quando todas estivessem devidamente casadas e felizes. E, pela primeira vez em muito tempo, Annabelle pode sorrir de verdade. 

Um beijo jamais esquecido...

"Parecia que uma sensação sutil de reconhecimento ocorrera entre os dois - não como se tivessem se encontrado antes, mas como se tivessem chegado perto um do outro várias vezes até que por fim um destino impaciente forçara seus caminhos a se cruzarem."

Só havia um grande obstáculo no caminho de Annabelle... Simon Hunt, o homem que se atrevera a lhe roubar um beijo no passado. Um beijo que por mais que tentasse ela não era capaz de esquecer. Ao longo dos anos, fizera de tudo para mantê-lo longe de si, mas arrogante como o diabo, ele sempre se mantinha por perto... provocando-a e devorando-a com os olhos na frente de todos. Suas atenções não seriam tão desprezíveis se ela não soubesse, com toda a certeza do mundo, que tudo o que ele ansiava por possuir era seu corpo... de modo passageiro. Como amante, assim como todos os outros que lhe fizeram propostas ultrajantes. E ela não seria sua amante por nada no mundo... não enquanto ainda tivesse uma chance. 

Mas como resistir a todas as investidas dele, se seu corpo a traía com o desejo cada vez mais urgente? Como fugir se quando ele a tocava todo o resto perdia importância? Não sabia que poder ele tinha sobre ela... Não entendia a própria confusão de sentimentos, mas sabia que precisava lutar contra aquela fraqueza... senão ele acabaria por ser realmente a sua perdição. E destruiria tudo o que ela ainda tinha. 

"Apesar de dominador, até mesmo cruel, Simon nunca perdia o sono por causa de consciência pesada. Era uma lei da natureza, só os mais fortes sobrevivem, e os mais fracos deveriam ficar fora do seu caminho."

- Cruel, sério? Se o Simon era tão mau quanto jurava ser eu definitivamente não sei o significado de crueldade.rsrs Sabe aqueles cachorros que ladram e não mordem?kkkkk... Ele é exatamente assim. Bem... Na verdade, ele até morde, mas são aquelas mordidas de amor, nada que machuque.rs

Logo que conheci o mocinho, confesso que não fui com a cara dele. Para ser bem sincera, até o momento em que ele trocou o primeiro beijo com a mocinha eu gostava do cretino.rs Torcia por ele e tudo. Mas a história foi se desenvolvendo, os anos se passaram e os pensamentos dele sobre a mocinha me fizeram querer tratá-lo de uma maneira não muito agradável. Estava tão revoltada com tudo o que a Annabelle era obrigada a suportar daquela sociedade hipócrita e nojenta, que acabei por descontar toda minha raiva no Simon já que ele parecia ser da mesma laia que os outros. 

"Até agora sua estratégia tinha sido esperar pacientemente, sabendo que o desespero acabaria por conduzir Annabelle a fazer coisas que nunca havia pensado antes. A miséria colocava tudo sob uma nova perspectiva."

Realmente senti uma raiva muito grande dele. Cada vez que resolvia pensar no que pretendia fazer com ela, no que planejava transformá-la, mais vontade de matá-lo eu sentia. Ele costumava se considerar tão acima dos homens da aristocracia, mas no fundo pretendia se comportar como eles. Esperando que a mocinha estivesse completamente perdida, sem esperança alguma de casamento, para oferecer ajuda... em troca de tê-la em sua cama. Queria usar seu corpo sabendo que ela se submeteria para poder quitar as dívidas que a família tinha, para poder ter o que vestir e comer... e isso era inaceitável. Eu nunca seria capaz de perdoá-lo se ele fosse capaz de fazê-la descer tanto quando poderia ser diferente. Quando poderia respeitá-la como mulher e amá-la como ela merecia, como sonhava. 

"Embora ninguém a quisesse como esposa, parecia haver um número infinito de cavalheiros dispostos a mantê-la em pecado."

Por mais que o livro seja divertido e leve, um romance encantador, existiram momentos em que fiquei arrasada e com os olhos cheios de lágrimas de ódio. Revoltada com uma sociedade machista e que via as mulheres como objetos, que considerava que elas tinham "algum" valor se tivessem dinheiro, se possuíssem um dote capaz de fazer os homens pensarem na possibilidade de casamento. Uma sociedade que as oprimia e não lhes dava muitas opções. Como pertencente à classe alta, Annabelle tinha sido educada e preparada para se casar com um nobre, para ter tudo o que alguém da posição dela merecia. Algo abaixo disso não poderia ser aceito e ela deveria ser obrigada a viver na miséria e manter a fachada do que ser estúpida o suficiente para aceitar a proposta de alguém que fosse inferior, que não fizesse parte do "meio deles". Ainda que os seus iguais não quisessem se casar com ela. Era mais aceitável inclusive ser amante de um nobre que esposa de um homem pobre. E trabalhar como governanta ou se submeter a qualquer outra profissão inferior a colocaria não à mercê de um único homem, mas de todo mundo, pois as mulheres que trabalhavam eram ainda mais desrespeitadas que as amantes. Para qualquer lado que olhasse, ela não tinha dúvida alguma que seu futuro seria obscuro sem um casamento adequado. Porque a mesma sociedade que não lhe dava oportunidades estava mais do que disposta a massacrá-la se ela fizesse uma escolha errada... do ponto de vista dos demais. Era tanta hipocrisia, tanto oportunismo que chegava a me sentir nauseada. 

"Quando ele olha para mim, fica claro que tem alguma coisa em mente, mas não é casamento."

- Antes de começar esta leitura, eu tinha alguns receios. Tinha lido resenhas de pessoas dizendo que tiveram problemas com a mocinha do livro, que não gostavam dela, pois ela insistia em querer se casar com um nobre. E embora eu respeite a opinião de todo mundo, não consigo entender como alguém pode julgar a mocinha assim, quando ela está bem longe de ser superficial ou egoísta e quando nenhum não nobre a tinha pedido em casamento. Se isso aconteceu enquanto ela passava por mais uma temporada humilhante não fui capaz de perceber, infelizmente. Ela estava agarrando sua última oportunidade de ter uma vida honrada e se primeiro iria atrás dos nobres era porque eles eram pessoas do meio dela, do ambiente que ela frequentava, ao qual estava acostumada. Não consigo entender como alguém pode se sentir incomodado porque a Annabelle queria manter o padrão de vida que levava quando todos nós lutamos dia a dia para mantermos o nosso, para não passarmos por dificuldades na vida. Nos matamos de estudar, de trabalhar para termos uma vida confortável e darmos o melhor para nossos filhos, nossa família. Ninguém quer o pior. Sempre iremos querer o melhor. É algo natural. E Annabelle não tinha que querer algo inferior coisa nenhuma! Ela tinha todo o direito do mundo de querer se casar com um nobre. Afinal de contas, ela não estava sendo rejeitada apenas por não ter um dote, por não ter dinheiro? Se eles tinham o direito de escolher suas futuras esposas levando em conta tais critérios por que diabos de motivos ela não poderia fazer o mesmo?! Sempre o tão famoso dois pesos e duas medidas. O homem pode, a mulher não. Isso me irrita tanto! 

O mais incrível no julgamento de algumas pessoas é que ela sequer tinha recebido proposta de alguém que não fosse nobre. Se ela tivesse conhecido um homem que a tratasse com respeito e quisesse torná-la sua esposa, ainda ia. Mas não! Nenhum homem tinha lhe oferecido nada que não fosse ser amante. Mas as pessoas se sentiam incomodadas porque ela não saiu por aí indo de classe em classe ver se alguém de um ambiente que lhe era totalmente desconhecido não estava disposto a fazer dela sua esposa. Fala sério!

- E Annabelle não era soberba nem nada. Era uma mocinha humilde e bastante realista. Queria amor, queria ser querida pelo homem com o qual se casasse, mas sabia que isso não deveria ser uma prioridade. E que se não encontrasse algum nobre para se casar iria preferir realmente tornar-se esposa de alguém que fosse de uma classe mais baixa se a outra opção fosse ser uma amante. São pensamentos que fazem parte do livro. Reflexões que ela é obrigada a fazer. E ao mesmo tempo tinha que considerar a família... tinha que levar em conta ainda o que seria melhor para sua mãe e seu irmão. Tinha um peso enorme sobre os ombros e o apoio de ninguém, nem mesmo das hipócritas que um dia foram suas amigas, mas que depois de fisgarem maridos importantes lhe viraram as costas. O que mais existiam eram pessoas dispostas a se aproveitarem de sua vulnerabilidade, do estado terrível no qual ela se encontrava. 

"Enquanto houvesse esperança, no entanto, ela teria respeito próprio - e lutaria para mantê-lo."

- Dá para perceber que eu admiro e defendo a mocinha com unhas e dentes, não é mesmo?rsrs Pois bem! Não tinha como ser diferente. Annabelle é muito fácil de amar. Uma personagem corajosa, que era obrigada a ver a mãe fazendo tudo o que podia para ainda manter alguma comida na mesa (e vocês não têm ideia do que ela é obrigada a fazer), que andava com as roupas em estado lastimável, mal tendo um calçado adequado para colocar nos pés e ainda assim entrava nos salões de baile, sabendo que as outras moças olhariam para ela e comentariam, sabendo que os homens se deliciariam vendo que ela estava mais e mais perto de chegar ao ponto que queriam. Ela mantinha a cabeça erguida e lutava, mesmo que a vergonha às vezes fosse imensa. E quando alguns eram piores que os outros e além de simplesmente olharem ainda se atreviam a comentar alguma coisa, ela não abandonava sua dignidade e passava por cima da vontade de fugir. A admiro muito. Porque a situação dela era desesperadora e não gostaria nem de imaginar o que seria viver de um modo assim. E lembrem-se que a história não se passa no século XXI e sim no século XIX. Se as coisas são complicadas para as mulheres hoje dá para ter uma ideia que eram um pesadelo dois séculos atrás. 

"Desejo poder me apaixonar."

- Simon me surpreendeu. Bem quando eu estava mais do que disposta a mandá-lo para o inferno (lembrando que é sempre com passagem só de ida) ele conseguiu reverter o jogo e me fazer reconhecer que estava errada sobre o que acreditava. Que não o conhecia o suficiente para saber o que ele realmente pensava ou sentia. Existiram cenas tão lindas! Suspiros... Simon conseguiu manter seus sentimentos ocultos até de nós leitores... Não que não soubéssemos que ele sentia algo, mas não dava para medir, para ter uma real ideia do que faria, do quanto a queria. E não. Ele não é nobre. É um mocinho que era de classe média e fez a própria fortuna enfrentando os riscos dos negócios, tornando-se empresário e construindo seu próprio espaço no mundo. Não era refinado como os homens da nobreza. E talvez por isso tenha demorado a se julgar digno dela. E não tenha feito a proposta que ela precisava ouvir para acreditar nele. Para vê-lo como alguém diferente dos outros. Alguém que a enxergava como pessoa. Ainda assim, mesmo se julgando alguém para quem ela não daria uma chance, ele não conseguia se manter longe... Estava sempre lá, pedindo uma dança, provocando-a, prometendo que um dia ela cederia e ele a teria onde desejava... Enfim... Ele me irritou quando eu acreditei no que ele supostamente pensava. Mas quando percebi que era diferente... quando ele me deu a chance de saber o quanto a amava... Aí eu me rendi!kkkkkk... Porque as coisas que faz são realmente lindas, tocantes... de nos fazer chorar de emoção. 

"Assim que percebeu que Annabelle estava doente, sentiu um vazio no peito, como se tivessem arrancado seu coração."

- O primeiro grande momento do Simon como mocinho é justamente quando algo acontece com Annabelle e ele fica desesperado, não querendo ficar longe dela um só instante. Nem mesmo se afastar da porta de seu quarto. E isso porque não a amava! Imagine se amasse! É muito envolvente essa cena deles dois. Ele até tenta fazer graça, suas piadas de sempre e diverti-la, mas no fundo estava preocupado, temendo que ela sofresse, querendo vê-la bem de novo, nem que fosse para xingá-lo.rs 

É a partir daí que eles realmente se aproximam. Trocando algumas farpas ainda (bem leves.rs), mas de certa forma dando uma chance de se conhecerem melhor... mesmo não sabendo até onde aquilo iria... que rumo as coisas tomariam. Ela achava que ele só a queria como amante. E ele ainda não tinha criado coragem para mostrar que queria mais. Muito mais. 

"- Não há nada que eu não faça por você."

- Quando as coisas se resolvem entre os dois damos muitas gargalhadas. Sério! Eu esperava que aquilo fosse acontecer, mas não da maneira que aconteceu. Os outros personagens da história (como o melhor amigo do mocinho e as amigas solteironas dela) são bem intrometidos!kkkkkk... Se metendo onde ninguém os chamou. E querendo tomar decisões pelos amigos, pois "sabiam o que era melhor para eles". Ah, sim! Se a Annabelle e o Simon fizessem o que seus amigos e "grandes conselheiros" planejavam não teriam sido felizes.rs As intenções até eram boas, mas o resultado seria só infelicidade. 

"- Eu morreria mil vezes - disse ele, com um tremor na voz - para poupá-la do menor dano."

O final deste livro foi um dos mais lindos que já li. Eu chorava e ria ao mesmo. O amor dos dois provou ser mais forte do que qualquer coisa. E que um não estava disposto a viver sem o outro. Porque não existiria vida. Apenas um vazio constante, uma dor que nunca os deixaria. Eu chorei muito com a reta final da história, principalmente quando o pior passou e levados pela certeza do que poderia ter acontecido eles se abriram por completo. Dizendo o que já tinham dito com atitudes, carícias e olhares. Falando o que ia em seus corações. O quanto se amavam. Chorei mesmo! E não me envergonho! Porque foi uma cena belíssima! 

Não colocarei o trecho mais bonito aqui porque vocês merecem ler em primeira mão para que possam se emocionar como eu, ser envolvidos pelas mesmas sensações. Mas deixarei um outro trecho retirado da mesma cena e que também amo:

"Meu lugar é ao seu lado, Simon. Nada mais importa, exceto estar com você. Você está preso comigo para sempre, e nunca vou escutar quando me pedir para ir embora."

- Se vocês soubessem o que aconteceu antes disso... Ele pediu para ela ir embora. Pediu. Implorou. E eu estou chorando de novo.kkkkkkk Deus do céu! Nunca esquecerei. Nunca vou conseguir me lembrar daquela cena sem chorar. Era amor demais! Era sacrifício. Porque quando se ama como eles se amavam é o outro que vem em primeiro lugar. Não porque não haja amor próprio, mas porque precisamos que a outra pessoa esteja bem, porque proteger aquela pessoa é mais importante do que protegermos a nós mesmos. E tenho que parar de falar para não dar spoiler!rs

Amei muito este livro! Muito mesmo. É totalmente digno de 5 estrelas e passagem para os favoritos. Mas não deveria me surpreender, pois sempre me dei muito bem com os livros da Lisa Kleypas. A primeira história que li dela ainda não foi publicada aqui no Brasil (até onde sei) e se chama Um Estranho nos Meus Braços. Com essa história pude perceber que ela se tornaria uma das minhas escritoras preferidas. :) 


Segredos de Uma Noite de Verão foi tanto um dos meus escolhidos para o Desafio Mensal quanto para o tema de junho do Desafio 12 Meses Literários, que consistia em ler um livro do meu gênero favorito. :D 


Bjs!


P.S.: Vale comentar que já estou louca para ler a história do conde de gelo (também conhecido como Marcus) e da Lillian. Já sei que vou me divertir muito, pois essa mocinha não é fácil. Vai enlouquecê-lo, sem sombra de dúvidas!

terça-feira, 5 de junho de 2018

Lançamento Harlequin - junho/2018: As Filhas da Noiva - Susan Mallery (resenha)

(Título Original: Daughters of the Bride
Tradutora: Carolina Caires
Editora: Harlequin
Edição de: junho/2018)


COURTNEY É A IRMÃ DESASTRADA. 

Ela pode não ter uma vida tão organizada quanto a das irmãs, mas é excelente em guardar segredos. Principalmente sobre seu caso tórrido com um produtor musical. Courtney não imaginou que ao planejar o casamento da própria mãe sua vida secreta viria à tona, mudando completamente a imagem que sua família tinha dela. 

SIENNA É A IRMÃ DESAPEGADA.

Quando Sienna é surpreendida na frente da mãe e das irmãs por um pedido inesperado de casamento, ela acaba dizendo sim, mas sem muita convicção. Sienna já passou por dois noivados que fracassaram. Como fazer planos para o futuro, se ela nem tem certeza de que realmente merece o namorado?

RACHEL É A IRMÃ CÍNICA.

Ela sempre acreditou que o amor era para sempre... até o seu divórcio. Com a proximidade do casamento da mãe, seu ex-marido ressurge e começa a provar que mudou e que o relacionamento pode ter uma segunda chance. Porém, para que eles possam recomeçar, Rachel terá que reconhecer algumas verdades incômodas sobre o seu casamento. Ela precisa escolher entre seu próprio orgulho ou o tão desejado "felizes para sempre".



Palavras de uma leitora...



- As Filhas da Noiva, da diva Susan Mallery, é o mais novo lançamento da Harlequin Books Brasil. E eu estava tão ansiosa para ler o livro que não aguentei esperar: assim que recebi meu exemplar lindo e maravilhoso interrompi o que estava lendo (Segredos de Uma Noite de Verão) e iniciei logo em seguida a leitura desta história. Eu estava um tanto descontrolada, confesso.kkkkkk Fazia um tempo que não lia nada da minha autora e queria demais mergulhar outra vez em seus romances que tanto me envolvem. O que posso fazer se amo o que ela escreve?! :D

Desta forma, nem deu tempo de fazer o post de lançamento do mês antes de ler o livro e preparar a resenha. A leitura veio antes de tudo.rs Eu devorei a história! E olha que estava num momento difícil, encarando um final de semana agitado e para esquecer. O livro me arrancou risadas, me fez refletir e emocionou quando tudo o que meu ânimo pedia era para ficar deitada na fossa.rs É por isso que eu digo que um bom livro é capaz de curar qualquer coisa. :)

Me senti tão conectada às personagens, principalmente à Courtney! Isso é o que mais amo nos livros da Susan: sua capacidade de criar personagens humanas, que encaram situações comuns da vida e nos provocam aquele sentimento de identificação. Nós sabemos o que elas estão sentindo porque passamos por momentos parecidos. Dificuldades com a família, relações de amizade, problemas na escola/faculdade/trabalho, amores que terminam porque o dia a dia se interpõe... Você nunca encontra perfeição nos personagens da autora. Eles são reais. Gente como a gente. Ninguém é mocinho ou vilão. São pessoas tentando levar a própria vida da melhor forma possível. Que erram e acertam. Caem e levantam. Que têm dúvidas, medos, mágoas, sonhos, esperanças... É apaixonante mergulhar num livro dela. É sempre uma experiência incrível. 

- Rachel, Sienna e Courtney são três irmãs completamente distintas, adultas e bem resolvidas... nem tanto assim. Cada uma lidou de uma maneira com o choque sofrido na infância quando perderam o pai e seu lar quase simultaneamente. Agora, vinte e quatro anos depois, se organizam para auxiliar a mãe nos preparativos para o seu casamento. Após ter passado mais de duas décadas sozinha, Maggie finalmente encontrou o homem perfeito para curtir sua melhor fase. Estava mais do que na hora de deixar o passado e todos os obstáculos que enfrentou para trás e aproveitar os presentes que a vida ainda lhe reservava. 

É justamente nesse momento que o passado de Rachel resolve retornar com força. Não que seu ex-marido tenha realmente deixado de fazer parte de sua vida quando se divorciaram, quase dois anos antes. Afinal de contas, tinham um filho juntos e precisavam levar as coisas de maneira amigável ainda que a mágoa pela traição continuasse marcando-a e impedindo-a de seguir em frente. Mas Greg estava diferente. Nem parecia o homem que preferia curtir com os amigos ao invés de ajudá-la na criação do filho. Não parecia o mesmo que destruiu seu coração ao deitar-se com outra mulher. Ele parecia ter amadurecido... quando já era tarde demais. 

"Ela o amou muito, e Greg a traiu."

Embora a mudança de comportamento do homem que ainda abalava suas estruturas fosse um choque para Rachel foi somente após ouvir uma conversa humilhante que ela tomou a coragem necessária para voltar a pensar em si mesma. Greg estava bem. Lindo e maravilhoso como sempre. Mas... e ela? Era justo largar-se, esquecer de si mesma por causa da decepção estúpida que ele lhe causou? Tinha que aprender a se amar. E o resto... o tempo trataria de acertar. Inclusive seu coração...

"Ele tinha sido seu primeiro namorado, sua primeira vez, seu primeiro tudo."

 Estava acostumada a culpar Greg pelo fim de tudo. Foi ele quem traiu. Foi ele quem jogou fora dez anos de casamento. Mas... será que era a única vítima nessa história toda? O noivado da mãe a faz repensar a própria vida e suas escolhas... e ter Greg mais próximo... metendo-se em seu caminho e fazendo-a encarar o que não queria. Teria a força necessária para lhe dar uma segunda chance? Seguir seu coração? Ou a raiva falaria mais alto?

- Sienna não se lembrava com tristeza dos momentos que passou no bangalô da amiga de sua mãe quando perderam tudo. Tinha apenas seis anos na época e todos eram legais com ela. Assim, tirando alguns momentos desagradáveis da sua adolescência, cresceu independente, confiante em si mesma e desapegada como as irmãs não conseguiam ser, o que a fazia se sentir bem diferente delas e de certa forma distante. Tinha um relacionamento complicado com a caçula e embora já tivesse ficado noiva duas vezes não se sentia disposta a dar o passo necessário para transformar o noivado em casamento. E quando seu atual namorado decide surpreendê-la com um pedido de casamento... não é nada bom o que ela sente. Porque sempre que estava em seus braços queria estar em qualquer outro lugar. Seu toque não lhe provocava nada. Ele podia ser um ótimo partido, o cara ideal para sua vida, mas... faltava algo. Talvez um amor do passado. 

"Ela simplesmente ficou se olhando e se perguntando por que ninguém mais via os muros que se formavam ao redor de seu coração."

Será que no fundo não tinha medo? De não encontrar a pessoa certa? De cometer o erro de se contentar com alguém que estava simplesmente ali, mas que não a fazia se sentir amada? Estava confusa. E só gostaria de ter dito "não". 

- Courtney já estava acostumada a ser a ovelha negra da família, a fracassada, a incapaz. Tinha apenas três anos quando seu pai morreu e não guardava nenhuma lembrança dele ou dos momentos que passaram em família. Tudo o que recordava era que sua mãe nunca estava presente quando ela precisava. Concentrada em se reerguer e comprar uma casa para a família, para que deixassem de viver de favor na propriedade da amiga, Maggie não tinha tempo para lidar com os problemas de sua caçula. Por isso, mal percebeu que ela enfrentava problemas de aprendizagem e quando a menina repetiu de série duas vezes simplesmente considerou que ela tinha algum retardo mental, que não era tão brilhante como suas outras meninas. Assim, somente aos dez anos de idade o déficit de aprendizagem de Courtney foi diagnosticado. E mesmo que depois ela tenha feito de tudo para fazer sua mãe se orgulhar dela, Maggie nunca percebeu. 

"Mas era difícil ser mais quando as pessoas que deveriam te dar amor insistiam em te ver como menos."

Cansada de tudo, ela foi embora de casa aos dezoito anos, disposta a seguir a própria vida. Acabou encontrando em seu antigo refúgio da infância um trabalho como camareira. No hotel de Joyce, a melhor amiga de sua mãe e quem as tinha abrigado tantos anos antes. Mesmo com as relações com a família estremecidas, ela encontrou em Joyce uma amiga verdadeira, uma mãe mais presente do que a sua jamais tinha sido. E com o passar dos anos a relação entre as duas apenas se fortaleceu... provando que família é muito mais que uma união por laços de sangue. 

Ainda que o passar dos anos a tenha levado a fazer as pazes com a mãe e que sua relação com Rachel fosse bastante próxima, não tinha coragem de revelar seu segredo. Não ainda. Não tão perto do casamento. Aguardaria o término dos dois semestres seguintes e então mostraria que tinha conseguido. Que não era mais a incapaz que insistiam em ver. 

É quando ela menos espera que Quinn surge em seu caminho. O neto de Joyce. O famoso produtor musical, que há anos deixara a cidade pequena para construir seu próprio espaço no mundo. Agora ele regressava como se nunca tivesse partido. E parecia considerar Courtney seu novo projeto. Seria tolice cair em suas garras, com certeza. Não importava o quanto ele a olhasse... ou as sensações que despertava em seu corpo. Mas por que ele parecia lê-la como ninguém? Por que compreendia o que sua própria família não entenderia? Sentia que poderia confiar nele, entregar-se... e isso era assustador. 

"Courtney conhecia o perigo. O amor doía. Sempre. Todos os tipos de amor."

- Quando iniciei a leitura já sabia que o livro se tornaria um dos meus preferidos. Às vezes isso acontece. Sentimos uma ligação profunda com uma história antes mesmo de lê-la. Mas ainda assim eu não imaginava que fosse amar tanto praticamente todos os personagens do livro, com suas qualidades e defeitos, com sua humanidade tão tocante. Eu quis matar alguns? Claro! Os mesmos que eu amava insistiam em me tirar do sério em alguns momentos, mas faz parte. Amar não significa não sentir raiva.rs Todavia, de modo geral, eu simplesmente me apeguei a eles. E curti imensamente cada instante. 

Das três irmãs, a Courtney é minha preferida por tudo o que ela passou e conseguiu construir sozinha. Foi a que mais sofreu, quem mais sentiu a ausência da mãe. Quem enfrentou dificuldades que não compreendia e só podia contar com o apoio de uma irmã que era apenas seis anos mais velha que ela. A infância dela foi um pesadelo e foi bem fácil entender o que a levou a ir embora... E me orgulha imenso a volta por cima que ela deu. Foi a personagem da qual me senti mais próxima e por quem mais torci. Ela era tão espontânea mesmo que desejasse não ser percebida pelos outros. Mesmo que fosse insegura tinha uma energia capaz de contagiar, uma vontade de viver e uma forma simples de ver as coisas. É fácil amá-la. Não é à toa que o Quinn fica rendido. E por falar em Quinn... Meu Deus do céu! Que homem!kkkkkk... A relação que se constrói entre ele e a Courtney é belíssima de se ver. Era a pessoa certa para fazê-la enxergar o próprio valor. Para protegê-la e respeitá-la. Para fazê-la sentir-se livre. O relacionamento dos dois é delicioso de acompanhar. Sabe aquela pessoa que te coloca para cima, que não tenta te sufocar, cortar suas asas e sentir-se superior? Quinn era o tipo de homem com quem uma mulher poderia contar. Alguém que a ouviria quando ela precisasse. Que escutaria até mesmo as palavras que ela não tivesse coragem de colocar para fora. E que sempre a incentivaria a ser tudo o que ela desejasse. A seguir seus próprios sonhos. Um homem assim é o que todas nós merecemos, sem dúvidas. :D Eu quero alguém assim para mim! Suspiros...

E necessito dizer que quando os dois estavam juntos eram quentes.rsrs E as cenas eram belas. Simplesmente belíssimas. 

"Queria que Greg ficasse. Queria se ajeitar ao lado dele no sofá e assistir a um filme. Ou conversar. Queria que a beijasse e abraçasse, e então a levasse escada acima e fizesse amor com ela."

- Se eu for falar tudo o que amei nesse livro a resenha não terminará nunca.rsrs Porque gostaria de falar tanta coisa... É muito amor que sinto por essa história. E preciso comentar que também fiquei muito envolvida pela história de Rachel e Greg. Embora eu seja bem intolerante com traição e ache que ele merecia era passar o resto da vida sozinho para aprender a ser fiel.rs No fundo, não conseguia odiá-lo. Está aí algo que a Susan consegue com facilidade: que compreendamos os personagens. Existe muita coisa entre esses dois. Todo um passado juntos, toda uma vida. Se conheciam como ninguém. E a verdade é que não houve apenas um culpado pelo fim. Um casamento é feito por duas pessoas e por mais que o Greg tenha errado feio e eu não concorde com tudo o que ele disse para ela (por mais que algumas coisas fossem verdades), acabei por querer que eles se acertassem. Porque não estavam felizes. Nenhum dos dois seguiu em frente. Ficaram parados no ponto em que se separaram.  

"Tenho saudades do que éramos juntos."

- Sienna foi a protagonista que mais me provocou raiva em determinados momentos do livro. A maneira como ela tratava a Courtney me enfurecia. E eu a considerava uma metida, que se achava demais.rs Todavia, isso mudou. Porque, por mais incrível que pareça, quando a Courtney mais necessitou de um apoio familiar ela foi a primeira a estender a mão, a primeira a oferecer seu apoio, me mostrando que às vezes não conhecemos todos os os lados... vemos apenas uma parte da pessoa e a julgamos por isso. Sienna cresce muito como mocinha. E nos surpreende bastante. No fim, eu a amava também.kkkkkk... Mas se tem uma coisa que desejei foi que ela mandasse aquele noivo dela para o inferno. #Prontofalei. Sempre que eu o via pensava em psicopata.kkkkkkk

Por falar nisso, vale a pena comentar também o trabalho maravilhoso que a Sienna fazia. Era uma pessoa complicada? Sim.rs Mas também era alguém que se importava e abraçava a causa do seu trabalho com unhas e dentes. Ela trabalhava para uma ONG que ajudava mulheres vítimas de violência doméstica. E não ficava gritando isso aos quatro ventos para mostrar que pessoa incrível ela era. De modo algum. Mostrava para os outros era seu lado difícil.rs O lado humano, que se importava com as pessoas, só quem era bem próximo conhecia. E as pessoas que ela tinha ajudado, claro. :)

- O que mais posso dizer?! Que recomendo MUITO esta história! Que se fosse vocês largaria tudo (e foi exatamente o que eu fiz) e leria este livro. Dei 5 estrelas no Skoob porque era o limite. Mas se pudesse teria dado 10, 100, 1000. Sim! Porque merece mesmo! E porque amo demais! E vocês sabem que quando amo é com força. :D 

Termino deixando uma cena linda:

"Courtney se recostou nele.
- Eu precisava chorar, e nenhum homem quer lidar com essas coisas. 
- Eu posso lidar com qualquer coisa que estiver acontecendo com você. - Beijou-a de novo. - Na próxima vez, quero estar presente. Não importa a hora."

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Tudo o que li... em maio/2018



Olá, queridos!

- Geralmente o nome deste post é "Tudo que assisti e li", mas no mês de maio eu não consegui assistir absolutamente nada. Filme, série, novela... nada mesmo. :( Tive que me dedicar inteira à faculdade, ao trabalho, leituras e resenhas. Não sobrou tempo para assistir o que eu queria. Senão, teria que abrir mão de ler algum livro. Assim sendo, farei comentários apenas das leituras concluídas.

Começando por Razão e Sensibilidade, meu clássico do mês. Não existia maneira de não ser uma experiência fantástica, não é mesmo? :D Jane Austen arrasava! É minha segunda leitura da autora e fico cada vez mais apaixonada por suas obras. Me diverti e emocionei com essa história, tendo como meus personagens preferidos a Elinor e o coronel Brandon. Com este livro cumpri parte do meu Desafio Mensal

Observação: O Desafio Mensal consiste na leitura de 2 livros predeterminados no início do ano. Os livros do mês de maio eram: Razão e Sensibilidade e La Magia de Tu Ser. O segundo, infelizmente, não deu tempo de ler, mas concluirei em junho, se Deus quiser. 



A Filha foi minha escolha para o tema do mês de maio do Desafio 12 Meses Literários, que consistia em ler um suspense, fosse ele voltado mais para o psicológico, ao puro suspense mesmo ou uma mescla com o terror. Enfim... Eu escolhi um thriller psicológico do qual nunca tinha ouvido falar e foi uma surpresa maravilhosa. A história se revelou incrível, profundamente envolvente e amei MUITO! 

O livro O Caçador de Pipas, por sua vez, era a leitura do mês de abril do mesmo desafio. E consistia em ler um livro abandonado na estante. Ocorre que tinha tanto medo do livro que só iniciei a leitura no final de abril e só pude concluí-lo no início do mês seguinte. Desta forma, acabou por ser tornar leitura de maio.rs



Sol em Júpiter e Pertinácia foram minhas leituras da parceria com a editora Harlequin. Ambos são livros nacionais e desta maneira me ajudaram a cumprir minha meta de ler mais livros nacionais este ano. :) 

O primeiro (Sol em Júpiter) foi um tanto quanto uma decepção. Não que eu não tenha gostado da história em si, mas peguei uma antipatia tão grande pela protagonista Sol, considerando-a uma garota superficial, com nada em seu interior (ou ao menos não conseguindo me mostrar que possuía), que isso acabou por influenciar negativamente a leitura. A única coisa que valeu a pena e fez com que eu não me arrependesse de ter lido foi o Júpiter. Ele sim é um amor! Um personagem incrível, que merecia maior destaque na história. 

Pertinácia foi uma surpresa. Eu não esperava que fosse um romance erótico (não gosto de livros eróticos, evito sempre que possível) e ao descobrir que era não contava com o fato de que iria gostar.kkkkk... Não que tenha apreciado todas as cenas quentes do casal. Na verdade, não gostei de todas mesmo. Mas a história em si é muito boa, ao ponto de eu dar 4 estrelas. Porque o livro tem conteúdo e aborda temas importantes como: crianças especiais, nascidas com má formação e o tratamento que essas crianças recebem. O câncer infantil, já que o sobrinho do Jonas tinha leucemia e lutava para sobreviver. Aí a autora nos trouxe a questão da doação de medula óssea, da importância de sermos doadores, pois muitas pessoas morrem por não encontrarem alguém compatível e isso é muito triste. Enfim... É uma história que vale muito a pena. 


Essas foram minhas leituras de maio. Consegui ler um livro a mais que em abril e já fiquei muito feliz com isso.kkkkkkkkk... Para conferir as resenhas basta clicar aqui