O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!

O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!
O coração de uma mulher é um oceano de segredos

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Cavalo de Fogo (Congo) - Florencia Bonelli


Trilogia Cavalo de Fogo - Segunda Parte


Ele era um senhor da guerra. Ela lutava pela paz. 

A cirurgiã pediátrica Matilde Martínez viajou de Paris com destino ao Congo guiada por um objetivo: aliviar o sofrimento das crianças castigadas pela violência e pela fome que reinam nesse país africano. Atrás de si, ela deixou uma história de amor complicada, que não consegue esquecer. 

Por sua parte, o soldado profissional, Eliah Al-Saud, chega ao Congo movido por uma ambição: conquistar uma mina de coltan, o mineral mais cobiçado pelos fabricantes de celulares, que lhe renderá grandes benefícios econômicos. Porém, sobretudo, chega ao Congo para recuperar Matilde, quem ele considera a razão de sua vida. Os traumas e segredos que os separaram em Paris seguem latentes e, rodeados por um contexto cruel e carente de justiça, a reconciliação parece impossível. 

No marco da Segunda Guerra do Congo, mais conhecida como Guerra do Coltan, e ameaçados por grupos guerrilheiros muito poderosos, Matilde e Eliah farão de tudo para que o amor triunfe sobre a guerra. 




Palavras de uma leitora...



- Sim. Quatro meses depois de ler Cavalo de Fogo - Paris, eu finalmente consigo continuar a leitura desta trilogia. Mas por que não fiz isso antes? Se amo tanto essa história (como creio que deixei claro com a resenha sobre a primeira parte) por que não segui com a leitura imediatamente após terminar a primeira parte? Por amor. Sim. Exatamente por isso. Eu cheguei a começar a leitura da segunda parte da história, mas as obrigações diárias me roubavam tempo. Quando eu chegava em casa, não tinha tempo para me dedicar de corpo e alma ao livro. Fosse por cansaço ou outras obrigações. E eu não aceitava de modo algum ler aos pingos dessa vez. Estava me estressando. Porque essa história não é como uma história qualquer, que eu posso ler aos poucos. Para ler a trilogia Cavalo de Fogo é necessário mergulhar de corpo, alma, mente e coração. É preciso tempo. E aí... chegaram minhas férias (apenas 10 dias, mas é melhor que nada.kkkkkkk...). E a primeira coisa na qual pensei foi: Eliah e Matilde!!!!!!! Vou poder estar com eles!!!!! Eu quase pulava de felicidade pela casa (na verdade, dei alguns pulos e gritinhos aqui.kkkkkkk...). Era chegada a hora que eu tanto tinha aguardado: o momento de estar novamente com eles. Sentindo tudo com eles. Vivendo tudo com eles. A emoção que eu senti não pode ser descrita. É impossível. Só quem ama muito uma história de amor profunda, inesquecível, arrebatadora como essa, pode me entender. 

- Antes de começar é necessário que eu diga algo: nesta resenha existirá spoiler sobre a primeira parte da história (Cavalo de Fogo - Paris). Quem ainda não leu esse livro, é melhor não seguir lendo a resenha. :) Existirá spoiler também sobre a segunda parte? Não!!!!!! Não quero ser uma estraga-prazeres, desta vez.rsrsrs...


- Livro NÃO recomendado para menores de 18 anos. 



"Sem minha Matilde, não. É simples assim: não vivo sem minha Matilde. Sem ela, só respiro e subsisto."


- Quanta dor uma pessoa pode suportar nesta vida? E aos 16 anos de idade? Matilde não saberia dizer, só sabia que o que sentia era insuportável. Tudo... Tudo estava acabado. Toda a sua vida. Todos os seus sonhos. Destruídos. Por causa de uma doença cruel. Por causa de um câncer em seus ovários. 

Aos 16 anos de idade, Matilde já tinha conhecido o sofrimento. Através do lar desajustado no qual vivia, a tirania da avó, as brigas e o divórcio dos pais, a prisão do pai... Não teve uma infância normal. E a adolescência foi pior ainda. A insegurança e a timidez a dominavam, mas tudo se tornou um verdadeiro inferno quando aquele câncer tomou conta de sua vida, tragando com ele tudo que ela havia sonhado. E sobretudo, o maior sonho da sua vida: o sonho de ser mãe. Ela havia lutado e vencido a doença, mas no final das contas a doença também venceu, pois roubou dela sua razão de viver. Seu maior sonho.

 Para sobreviver ao câncer, Matilde teve que ser submetida a uma cirurgia que lhe tirou os ovários, trompas e útero. Tudo que, segundo os pensamentos dela, a tornavam mulher. Lhe davam sentido. E mesmo depois de todos aqueles anos, a dor ainda era sufocante. Nunca. Nunca ninguém a chamaria de mamãe. Nunca carregaria dentro de seu ventre um bebê. Um fruto de seu amor. Nunca sentiria o que é dar à luz, nunca colocaria o filho para dormir ou o veria dar os primeiros passos. Nunca teria um filho. Nunca saberia o que é ser mãe. Somente uma mulher cujo o sonho de ser mãe lhe é arrancado sem piedade, poderia realmente compreender a sua dor. Poderia entender o vazio que ela sentia em seu interior e o desespero que tomava conta dela. 

Matilde sobreviveu ao câncer e ao sofrimento que a acompanhou (e continua acompanhando) depois que ela soube que seus ovários e útero haviam sido arrancados. Embora fosse uma pessoa insegura e aparentemente vulnerável, carregava dentro de si uma força que nem ela própria sabia possuir. Uma força que a fez continuar e construir novos sonhos. Que a fez lutar, dia após dia, para viver, para superar. Um novo sonho a impulsionou a seguir adiante: ela seria médica. Não tinha vindo a esse mundo à toa. Embora jamais pudesse ter filhos, através dela, da sua dedicação, do seu amor, das suas mãos, vidas seriam salvas. Ela salvaria vidas de pessoas que haviam sido esquecidas por todos. Ela curaria os mais necessitados. Ela não desistiria. E assim, dez longos anos se passam... E ela realiza o seu sonho. Se torna uma brilhante cirurgiã pediátrica e é através de sua profissão, de seu desejo de ajudar os outros, que seu caminho se cruza com o de Eliah Al-Saud, um homem misterioso e perigoso, sedutor, apaixonante...  alguém que poderia lhe levar ao céu, mas também ao inferno. E pela primeira vez em sua vida, Matilde decide arriscar, sem se importar com as consequências. Decide se deixar ser amada. Nem que fosse só uma vez. Uma única vez. Para carregar com ela em sua memória. Pois existia algo em Eliah, alguma coisa que a atraía, que a fazia caminhar para ele mesmo quando toda a razão gritava para ela fugir correndo, mesmo quando toda a razão dizia "não". Existia algo nele... em seu olhar, em seu sorriso, em seu toque, em seu cheiro... que a fazia pensar que de algum modo já o conhecia. Já o amava. Que só ele poderia curá-la. Que só ele poderia livrá-la da dor que a perseguia durante todos aqueles anos, da dor que não a deixava em paz nem por um segundo. Que só em seus braços poderia encontrar a felicidade, o consolo que tanto necessitava. Valeria a pena? Valeria a pena ceder só essa vez? Isso... só o tempo é capaz de dizer...


Eliah Al-Saud nunca foi uma pessoa fácil. As brigas com o pai foram frequentes durante a sua infância, pois o pai não conseguia compreender o seu espírito livre, sua rebeldia, sua independência. A única pessoa que era capaz de entendê-lo nesta vida era Francesca, sua mãe. E o trauma que viveu ainda muito jovem, quando sua mãe e sua irmã estiveram prestes a serem sequestradas e ele ficou parado, impotente, o impulsionou a se rebelar mais e mais e o levaram a jurar que nunca mais ficaria numa situação como aquela. Nunca mais ficaria vulnerável ou deixaria sua família desprotegida. Com a ajuda de alguém que enxergou o seu potencial e compreendeu os medos e a raiva presos em seu interior, Eliah se tornou uma arma mortal, alguém que com apenas um golpe poderia mandar uma pessoa para o inferno. Apaixonado por aviões, ele fez parte de algumas guerras, sempre saindo vitorioso. Dentro de um avião, distante da terra, ele se sentia livre e encontrava (será?) a paz que não conseguia encontrar em parte alguma. Existia algo dentro dele, algo que ele nunca foi capaz de controlar, que o fazia desejar se arriscar mais e mais. Que o fazia desejar ir além dos seus limites. Ser livre como ninguém jamais conseguiu ser. Só que na verdade, ele nunca conseguiu isso. Nunca conseguiu realmente encontrar a liberdade que tanto buscava. Fosse dentro de um avião, fazendo manobras arriscadas, atirando contra inimigos na guerra, arriscando sua vida por ideais nos quais não acreditava ou saindo pelas ruas de Paris com seu carro em alta velocidade. Fosse fazendo o que fosse, se arriscando como fosse, Eliah nunca encontrou o que realmente buscava. E será que ele sabia o que sua alma ansiava? O que ele realmente sempre buscou? Seria a liberdade? Ou algo um tanto diferente? 


Aos dezoito anos, resolveu se casar com a amiga de infância. Não importava que dissessem que ainda não era o momento para isso. Ele não quis saber. Casou-se com Samara e encontrou uma nova espécie de inferno para si próprio. Embora amasse Samara, embora tenha desejado aquele casamento, não suportava a prisão que ele significava. Não conseguia ficar em paz com a esposa e as brigas começaram. E foi apenas um passo para as traições... 

Sufocado pelo casamento, Eliah não mediu as consequências (ou se importou com elas) ao começar a trair a esposa. Foram muitas mentiras, muitas traições. Até que um desastre aconteceu. 

Enquanto buscava pelo Eliah, para contar que esperava um filho, Samara sofreu um sério acidente, que acabou com a sua vida e a vida do filho que esperava. Enquanto a esposa e o filho morriam naquele acidente, Eliah se encontrava nos braços de Céline, uma modelo brilhante, e sua amante nas horas vagas. A culpa pela morte da esposa era como um veneno que não o matava, mas tornava sua vida vazia, triste, dolorosa. Era impossível para ele encontrar a felicidade, quando se considerava o assassino da mulher e do filho. E assim, os anos foram passando... 

Eliah fundou, juntamente com seus amigos e parceiros de outros trabalhos, a Mercure, uma empresa de segurança, infalível, que existia para garantir a segurança de quem necessitava e pudesse pagar por isso. Embora fosse essa, aparentemente, a função da empresa, na verdade, ela era apenas uma fachada para algo muito mais perigoso. Embora realmente garantisse a segurança de muitas pessoas importantes (incluindo a segurança de sua própria família), por trás daquela empresa existiam os soldados profissionais, chamados vulgarmente de mercenários. Aqueles que trabalhavam pelo maior valor, acreditassem ou não nos ideais das pessoas para as quais trabalhavam. Aqueles que necessitavam que a guerra existisse para que seu trabalho fosse feito. E o Eliah fazia parte deles. Era um mercenário, embora poucos soubessem disso. 

Para ele não importava o que era politicamente correto. Não se importava com a opinião dos outros e nem sempre conseguia as coisas de maneira limpa em sua vida. Estava satisfeito em viver como vivia. Ou pelo menos, era o que dizia para si próprio... Isso... até vê-la pela primeira vez...

Um senhor da guerra e uma guerreira pela paz... Um mercenário e uma médica. Um homem que provocava mortes e uma mulher que salvava vidas. Poderá existir futuro para eles? Apenas o amor bastará? Ou os traumas dela e os segredos dele destruirão, cedo ou tarde, esse amor? Nesta história, não é somente Matilde que possui feridas, cicatrizes que ainda doem. Não é somente ela que necessita ser salva. Mas ela será capaz de colocar de lado todos os seus princípios por amá-lo? Será capaz de salvá-lo, de curá-lo de feridas que ele próprio não sabe possuir? Ou a escolha dela será bem diferente?

Talvez, com o tempo, ela descubra que nesta vida nem sempre amamos quem queremos amar. Mas sim... quem, por algum capricho dos deuses ou do destino, precisamos amar. E talvez, só talvez, com o tempo, Eliah descubra que nesta vida ninguém é perfeito, que todos temos o direito de cometer erros e aprender com eles. Que todos merecemos uma segunda chance. Até mesmo ele.


"— Matilde, Santo Agostinho dizia: 'Se queres conhecer a uma pessoa, não lhe perguntes o que pensa, mas sim o que ela ama.' E eu te amo, com todas as minhas forças. E por isso, sou uma pessoa melhor. Por te amar, por amar alguém tão bom e puro como você."


- Sabe... eu acredito nessa frase. Penso que as coisas que a pessoa ama podem dizer muito sobre ela. Pelo menos, é bom acreditar nisso.rsrsrs... Durante a leitura do primeiro e do segundo livro dessa história, a Matilde não foi a única que teve que bater de frente com princípios, que teve que ir contra aquilo no que costumava acreditar. Só que, apesar de muitas coisas com as quais tive que me chocar, não tive a menor dificuldade para perdoar ou me coloquei como juíza do Eliah. Eu não sou ninguém para condená-lo por seus pecados quando eu própria sou uma pecadora, verdade? E nem tentei julgá-lo. Não digo que foi porque sou uma pessoa que costuma ter consciência sempre de que não deve julgar os outros (na verdade, existem vezes que, mesmo sem ter intenção, eu esqueço disso e acabo julgando. Horrível admitir, mas é a verdade.), mas sim porque eu amei o Eliah muito antes de conhecê-lo.rsrs... Só as palavras das minhas amigas sobre ele, as coisas que eu ficava sabendo sobre ele... não sei explicar. Apenas posso dizer que foi semelhante ao que eu senti antes de conhecer o Roger. E o Carlo. Aquele amor que você não sabe o motivo de sentir, compreende? Eu o amei e liguei o "dane-se" antes mesmo de conhecê-lo.rsrsrs... Dane-se o passado dele e qualquer coisa que ele tenha feito de errado! Eu não me importo. Meu amor não é condicional. Nunca esperei que o Eliah fosse perfeito. Até porque perfeição não existe e se ele fosse alguém perfeito, não seria real. 


"— Me deixou, sensei.

— Por quê?


Al-Saud levantou os olhos e ficou em silêncio durante alguns segundos, não porque hesitasse em lhe contar o que ocorreu, mas sim porque tentava acomodá-lo em sua mente; na verdade, ainda não compreendia os motivos de Matilde.


— Não sei. — admitiu — Aconteceram coisas terríveis, todas ao mesmo tempo, que a endureceram e a afastaram de mim."



- Em Cavalo de Fogo - Paris, Matilde e Eliah se conheceram quando ambos estavam indo para Paris. Eliah vivia em Paris e estava voltando para lá após sua visita à Argentina, terra de sua mãe. Seu humor não era dos melhores, pois o avião particular dele havia tido um problema que o impedia de viajar nele. Sendo assim, Eliah teve que usar um avião "normal."rsrs... O tipo de avião que as pessoas normais costumam usar. E para piorar ainda mais a situação, só havia vaga na classe executiva. A primeira classe já estava lotada. Ele, Eliah Al-Saud, membro de uma família rica e poderosa, dono de uma empresa de sucesso e podre de rico, iria viajar em classe executiva?! Teria que aparecer uma vaga para ele na primeira classe! Nem que para isso ele tivesse que perturbar o seu cunhado. Porque é claro que existia alguém na família para "ajeitar" as coisas.rsrsrs... Sim! Ele é arrogante e muito exigente, mas isso só aumenta o charme dele. Ele não faz isso por mal, não.rsrs... Só que nem tudo foi tão simples assim. Eliah teria que embarcar e ir para a classe executiva até que a situação fosse consertada e ele pudesse ser transferido para a primeira classe. Mas será que ele vai desejar a transferência? rsrs... 


Matilde embarcaria no mesmo avião que Eliah. Ela viveu toda sua vida na Argentina, mas agora estava indo para Paris para um curso intensivo antes de seguir caminho para o Congo, onde trabalharia para as Mãos que Curam, curando crianças vítimas de meningite, cólera, malária, tiros, bombas, fome, estupro, mutilação... Graças ao seu pai, ela e a amiga tinham conseguido vaga para a classe executiva, embora para Matilde isso pouco importasse. Tudo que ela desejava era chegar logo em Paris e de lá seguir o mais rápido possível para o Congo. Havia esperado muito tempo para isso e mal via a hora de finalmente realizar o seu sonho. 
Ao embarcarem, para surpresa de Eliah, seu lugar era exatamente ao lado do lugar da jovem que havia chamado a sua atenção na sala de espera. E de repente, a classe executiva tinha se tornado muito interessante. Era preferível descansar na primeira classe ou conhecer melhor a mulher que o tinha atingido em algum lugar que ele ainda não conseguia identificar, momentos antes? Isso não necessita de resposta.rsrs...


- A atração inicial se tornou algo muito mais profundo com o passar do tempo. Ao se despedir dela, ao saírem daquele avião, Eliah sentiu que era necessário revê-la. E ele não pôde evitar provocar situações que os fizesse se encontrar. Mas sequer havia necessidade disso já que o destino desses dois havia se unido muito, muito tempo antes... antes mesmo deles nascerem... 

- Com muita insistência e guiado por um sentimento que nunca tinha sentido em sua vida, Eliah consegue derrubar as defesas de Matilde que resolve se entregar de corpo e alma ao que Eliah a fazia sentir... que decide arriscar seu coração pela primeira vez na vida. Ambos mergulham de corpo e alma numa relação intensa, complexa e recheada de altos e baixos. Uma relação que ao mesmo tempo que os curava, os machucava. Que ao mesmo tempo que os levava ao céu, os fazia terem uma queda violenta em direção ao inferno. Porque havia muita coisa entre eles... Muita dor, muitos segredos, muitas mentiras, muitos traumas... e eles não tinham a força necessária, naquele momento, para vencer tudo que estava contra eles. Para superar todos os problemas, para suportar todas as dores. A cura era um processo mais longo do que eles poderiam imaginar. E ela provocaria muita dor... Então, sem outra opção, Eliah e Matilde se separam ao final do primeiro livro. Uma separação que não parte somente o coração deles, mas também o de nós leitoras que não conseguimos entender o porquê daquilo e não sabemos exatamente na direção de quem atirar os nossos insultos e nossa frustração.rsrs... Até que percebemos que eles estão sofrendo tanto (porque são dois idiotas teimosos e orgulhosos) que não necessitam do nosso castigo. Já estavam se castigando o suficiente. 


"Soy culpable, ya lo sé. Y estoy arrepentido, te pido... Imagíname sin tí, y regresarás a mi. Sabes que sin tu amor, nada soy. Que no podré sobrevivir. Imagíname sin tí. Cuando mires mi retrato. Si algo en tí, queda de mí. Regresa por favor."



- Não é fácil ver uma relação tão linda e tão cheia de sentimentos chegar ao seu fim, da forma que chegou. E como se não bastassem todas as mentiras e segredos que preencheram essa relação, ainda vemos mais mentiras serem ditas ao final. Porque na verdade, Matilde, principalmente, não era capaz de abrir seu coração da forma que desejava que o Eliah abrisse. Ela exigia tantas verdades dele, exigia tanto que ele dividisse sua alma, seus pensamentos, tudo com ela, quando ela própria não tinha coragem para fazer o que exigia. Sabia desde o princípio que não seguiria adiante com ele, mas não pôde ser sincera, não jogou limpo. Quem era ela para exigir algo do Eliah, quando ela própria não podia cumprir o que exigia? É muito irônico. E hipócrita também.

Quando o romance entre Eliah e Matilde tem início, ele também já tem data marcada para terminar. Embora a Matilde tenha aceitado se arriscar pela primeira vez na vida, embora ela tenha aceitado o Eliah de corpo e alma e tenha se apaixonado perdidamente por ele... ela ainda possuía traumas... traumas que não era capaz de dividir com ele. Traumas que não desejava dividir com ele. Sua infertilidade, a doença que a afetou aos 16 anos e provocou um estrago à longo prazo, a impedia de fazer o que ela realmente desejava: estar com o Eliah para sempre. Por isso, mesmo enquanto gemia de amor em seus braços, mesmo enquanto dividia sua vida com ele, vivia na mesma casa e, aparentemente, compartilhava tudo, ela sabia que quando o momento de viajar para o Congo chegasse, ela diria adeus ao Eliah. Para sempre. Não existiria futuro para eles. Era impossível. Mas não foi algo que ela quis compartilhar com ele. Ela sabia que a relação teria fim com a viagem. Ele, não. 

- Se aproveitando da oportunidade que surgiu (quando revelações chocantes sobre o passado do Eliah são feitas, pela irmã dela), ela rompeu com ele e embarcou no avião que a afastaria definitivamente (Até parece!!!rsrsrs...) dele, mas não sem antes dizer mais mentiras. Mas apesar de reconhecer os erros que a Matilde cometeu, eu a compreendo e não a considero a única culpada pelo fim da relação. 

- É incrível como o passado às vezes não pode ser tão facilmente sepultado, não é? Sim. É incrível e terrível também. Algo que aconteceu tão antes do Eliah ter conhecido a Matilde se volta contra ele e contribui (bastante) para a separação inevitável. Porque a mulher com quem o Eliah traía a esposa... a mulher que continuou fazendo parte da vida dele mesmo após a morte da esposa, era irmã da Mat. Como??????!!! Sim. Por uma ironia do destino (o destino adora se divertir às nossas custas, já perceberam?) o Eliah havia conhecido e se envolvido com a irmã da única mulher que ele seria capaz de realmente amar nesta vida. E isso era algo que não podia ficar enterrado. Era algo que sairia à luz em algum momento, quisesse ele ou não. Porque Celia (não gosto de chamá-la de Céline. Celia é seu nome verdadeiro e ela odeia esse nome. Por isso fico satisfeita em chamá-la de Celia.rsrs...) não era uma mulher qualquer, uma estranha. Ela era irmã da Matilde e imaginá-los na cama não seria a coisa mais agradável do mundo para a Mat. Até porque Celia era tudo que ela não conseguia ser: extrovertida, despreocupada, deslumbrante e possuía o que ela não possuía... a capacidade de gerar uma criança. Saber que o homem que ela amava havia traído a esposa com a Celia e que durante anos manteve um relacionamento (na verdade não foi bem um relacionamento. Foi algo puramente carnal. Era sexo. Mas nada.) com ela foi um golpe duro demais para a Mat. Como se não bastasse descobrir isso (da forma mais dura possível), no mesmo dia, Celia resolve revelar ao Eliah o segredo que Matilde mantinha trancado a sete chaves... a doença que ela teve e suas consequências. E o momento, gente, é de partir o coração de qualquer um. :( Ao me colocar no lugar da Matilde eu pude sentir, um pouquinho, da dor dela. E compreendê-la não foi difícil. 

" - Desviou o olhar para Juana e Matilde. - Sabem com quem é que o Eliah estava na tarde em que Samara morreu? Estava na cama comigo!

Al-Saud lançou-se sobre ela, agarrou-lhe nos ombros e sacudiu-a. Matilde deu um grito e tentou intervir. Juana deteve-a. 

- Chega! Cala-te, Céline! Porque é que vieste? Quero que te vás embora e que não voltes!

- Larga-me! Estás a magoar-me!

- Estou farto de ti!

- Claro! Farto de mim! Não era o que dizias quando fazíamos amor e me juravas que ias deixar a tua mulher porque não podias viver sem mim?

Al-Saud não se atreveu a a olhar na direção de Matilde. O lamento que a ouviu proferir foi suficiente para saber que a sua felicidade estava à beira do abismo." (Cavalo de Fogo - Paris, página 557)

" - Para que é que ias querer ao teu lado uma mulher que não te podes dar filhos?

- Não!

O grito de Matilde perturbou Al-Saud. Virou-se para olhar para ela e reconheceu na sua expressão o pânico mais cru e visceral que recordava ter visto; nem sequer durante o ataque à porta da escola de línguas parecia tão fora de si. Sem se virar para Céline, com os olhos postos em Matilde, perguntou-lhe:

- O que é que queres dizer com isso de não me poder dar filhos?"

"- Do facto de a minha querida irmãzinha não ser uma mulher completa. Do facto de estar vazia porque lhe tiraram os genitais. Não tem ovários nem útero nem trompas nem nada. Tiraram-lhe tudo aos dezasseis anos devido a um cancro feroz.

Al-Saud ouvia o pranto de Matilde sem o registar de maneira consciente, porque estava concentrado nas palavras de Céline. Um golpe nas costas não o teria deixado tão atordoado como aquela revelação. 

- Estás a mentir - disse, como numa exalação.

- Não, não estou a mentir. Pois não, Matilde?

Matilde viu, através do véu de lágrimas, que Céline se aproximava, e teve medo dela. O seu corpo irradiava uma força perigosa e desapiedada. Al-Saud meteu-se no seu caminho e impediu-a de continuar a avançar. 

- Não te aproximes dela. Se não queres que dê cabo de ti, é melhor que te vás embora agora mesmo." (Cavalo de Fogo - Paris, páginas 558 e 559)


- Como eu disse a separação foi inevitável e a culpa não estava apenas de um lado. A culpa foi de ambos. Mas haverá chance para a reconciliação? O amor que nasceu aos poucos, começando com aquela primeira troca de olhares, terá sido capaz de resistir aos traumas e revelações feitas? E se sim, será capaz de suportar mais segredos, mais mentiras? Será capaz de suportar o que a vida ainda reserva para eles?... Será capaz de superar o Congo? Bem... Isso vocês só saberão se lerem Cavalo de Fogo - Congo, pois spoilers desse segundo livro eu disse que não daria. Minhas revelações se resumiriam, como eu disse, ao primeiro livro.rsrs...E pretendo cumprir a minha promessa. :D


"— Matilde - sussurrou ele, com ardor. — Meu Deus... Por que preciso tanto de você?  — e não pronunciou em voz alta, mas também se perguntou:

Por que o que tem a ver com você vem com uma quota tão grande de angústia? Por que me transformo no que não sou quando se trata de você?"


- Um reencontro intenso espera por eles nesta segunda parte de uma história linda, arrebatadora, que nos rouba o coração sem pedir licença. Que nos transforma e nos preenche sem que consigamos perceber quando exatamente isso aconteceu. Uma história intensa e profunda como poucas. Uma história que não se resume a uma simples história de amor. Que vai bem além disso e se crava dentro de nós de uma forma impossível de se remover. De uma forma que não desejamos remover, por mais que alguns momentos machuquem. Um reencontro que provocará lágrimas aos olhos daqueles que aguardaram com desespero para vê-los juntos novamente. Mas... significará esse reencontro um recomeço? Bem... acho melhor vocês não começarem a leitura dessa história com a esperança de ver as coisas se solucionarem de forma simples. Muito ainda vai acontecer, gente. E nossos mocinhos precisarão estabelecer prioridades e deixar de lado muitas coisas se realmente desejarem estar juntos. Nem sempre basta somente amar, não importa o tamanho desse amor. Não existe relação sem confiança, sem respeito. E recheada de segredos e mentiras, muito menos. A insegurança, o medo e outras barreiras que eles levantam de forma tão inconsciente, podem ser os maiores perigos que esses dois enfrentarão no Congo. E olha que uma guerra está prestes a estourar nessa continuação da história.rsrs... 

- Já escrevi muito, não é?!rsrsrs... E ainda sinto que não foi suficiente. Tudo que eu queria ao começar a escrever essa resenha era fazê-los desejar ler a história também, era fazê-los quererem conhecer o Eliah, a Mat e a história de amor deles. Porque apesar do passado do Eliah e das coisas que vocês podem pensar sobre ele por causa de algumas revelações que fiz aqui, ele é um dos melhores mocinhos que tive o prazer de conhecer. Sei que ele cometeu erros, mas eu também cometi muitos erros na minha vida dos quais me arrependo amargamente. E tenho certeza que todos neste mundo cometeram os seus erros. Porque a imperfeição faz parte de nós. Não existe perfeição. Isso é fato. E penso que não devemos pagar para sempre por erros que cometemos lá atrás, erros pelos quais já pagamos bastante e que nos causaram arrependimentos. Penso que não é justo o Eliah ser condenado e ele próprio continuar se condenando por algo que não tem volta, quando existe uma beleza dentro dele que ele procura ocultar, por não ser achar digno de amor. Por não se achar merecedor de felicidade. Por não acreditar que exista alguém que possa realmente amá-lo. Se você ler essa história com a mente aberta, se estiver disposta a olhar para o Eliah sem pré-conceitos será capaz de ver o que eu vi e será capaz de amá-lo de uma forma intensa e incondicional. Será capaz de se emocionar e de chorar toda vez que ele chorar, de sorrir sempre que ele sorrir, de querer pegá-lo no colo e protegê-lo de qualquer coisa.rsrs... De defendê-lo com unhas e dentes também.rsrs... Acho que não importa o quanto eu tente transmitir pra vocês o que sinto por ele, não serão capazes de sentir se não lerem. Precisam ler a história se quiserem conhecer o Eliah e a Matilde. Se quiserem viver uma história mágica com eles. Uma história que apesar de ser mágica, possui toques de realidade capazes de nos fazer questionar Deus, de fazer com que nos revoltemos de forma intensa e de provocar lágrimas que vêm direto do coração. Principalmente nesse segundo livro cujo cenário é um Congo recheado de conflitos raciais, rivalidades sangrentas, fome, violência e todo tipo de miséria. Durante a leitura dessa história, não vou te enganar, você presenciará coisas que lhe deixará de boca aberta e uma raiva que você não saberá na direção de quem lançar. Mas acredite: no final das contas, não se arrependerá de ter lido uma só cena, de ter deixado de fazer o que quer que seja para estar com eles. Eu me sinto triste por ter terminado de ler o livro (e só Deus sabe quando conseguirei ler a terceira e última parte da história), pois me separar novamente do Eliah e da Mat dói. Dói muito. Mas também me sinto feliz, pois foi precioso cada instante que estive com eles. Porque tudo valeu a pena. :) 

- Acho que é o momento de eu parar, não concordam?rsrs... Sequer há necessidade de eu dizer com todas as letras se recomendo ou não a história!kkkkkkkk... O que eu penso é que quem ainda não leu esse livro, está perdendo muito. Minha vida é muito melhor depois que conheci os livros da Florencia Bonelli. Para mim, mesmo que existam autoras sensacionais que eu própria tive a oportunidade de conhecer, não existe uma autora capaz de me encantar e emocionar tanto, como a Florencia Bonelli. Os livros dela mexem demais comigo. 


"Tua vida... Tua vida... é minha vida. Não... Não quero nada mais."


"— Te amo de um modo que não é bom para mim, muito menos para você. Às vezes penso que é uma obsessão que acabará com nós dois."

4 comentários:

Anônimo disse...

Uau!!!! Você se superou amiga!!! Está simplesmente MARAVILHOSA!!.Você tem o dom,sobretudo o dom de para escolher os trechos mais significativos,mas marcantes e que nos deixa com vontade de correr para o livro de ler uma e outra vez.Que livro maravilhoso,a saga é demais que meu sonho de consumo é ver na telona do cinema,até lá fico aqui a suspirar ............

bjs

Mónica

Luna disse...

Muito obrigada, querida! :D


Eu também desejo muito isso. Ver a história do Eliah e da Mat nos cinemas. E também a do Roger e da Isaura. Do Carlo e da Micaela. Do Kamal e da Francesca. :D São todas histórias únicas e especiais, de uma autora que possui o dom de nos conquistar de uma forma inexplicável.


Bjs!

FDUARTE disse...

Fofa

Que presente que vc me deu viu? Que resenha linda!!!! Estou encantada!!!

Amo demais o Eliah e a Mat! Sou apaixonada pelo Cavalado de fogo-Paris, mas como vc, ainda nao tive aquele tempo precioso para ler a continuação. Alias, vc sabe se vai ser lançado em Portugal? e qdo?

Parabens! Ameiiiiiiiiii


QUEM NÃO LEU FLORENCIA BONELLI NÃO SABE O QUE ESTA PERDENDO!

bjo

Luna disse...

Muito obrigada, Flaveth! :D


Eu não faço ideia. Sei que vai ser lançado em Portugal, mas quando eu não sei.


Realmente quem ainda não conhece a FB, está perdendo muito, pois não existe (pelo menos para mim) autora como ela! :)


Bjs!

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