O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!

O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!
O coração de uma mulher é um oceano de segredos

sexta-feira, 30 de março de 2012

O Morro dos Ventos Uivantes - Emily Brontë (segunda resenha)


(Título Original: Wuthering Heights
Editora: Lua de Papel
Tradutora: Ana Maria Chaves)



"Se o amor dela morresse, eu arrancaria 
seu coração do peito e beberia seu sangue."

Na fazenda chamada Morro dos Ventos Uivantes nasce uma paixão devastadora entre Heathcliff e Catherine, amigos de infância e cruelmente separados pelo destino. Mas a união do casal é mais forte do que qualquer tormenta: um amor proibido que deixará rastros de ira e vingança. "Meu amor por Heathcliff é como uma rocha eterna. Eu sou Heathcliff", diz a apaixonada Cathy.

O único romance escrito por Emily Brontë e uma das histórias de amor mais surpreendentes de todos os tempos, O Morro dos Ventos Uivantes é um clássico da literatura inglesa e tornou-se o livro favorito de milhares de pessoas, incluindo os belos personagens de Stephenie Meyer.



Palavras de uma leitora...


- Antes de mais nada. Perceberam que coloquei entre parênteses algumas informações sobre o livro, como o título original? É porque, a partir de hoje, pretendo sempre deixar essas informações sobre cada livro que resenhar, só para poder ajudar um pouco mais na hora da busca pelo livro. Pode ter quem goste de ler o livro no idioma original e necessite dessa informação. Como estou mais habituada a só colocar o título do livro e o nome da autora, peço que me perdoem se em algum momento eu esquecer de acrescentar as novas informações.rsrs... 


- Há quase três anos, eu li pela primeira vez O Morro dos Ventos Uivantes e cheguei a fazer resenha sobre ele aqui. Como não gosto muito daquela resenha, cheguei a pensar em retirá-la do blog, mas, ao sentir vontade de reler a história, acabei optando por fazer uma nova resenha, baseada no que sinto hoje pelo livro. Não me importa o que eu sentia antes. É como se eu tivesse lido o livro pela primeira vez. 


- Faz algumas horas que terminei de reler o livro. Acho que nunca li um livro tão devagar na minha vida. Foram muitas as vezes que parei para copiar trechos do livro num caderno, reler páginas, ler mais de duas, três vezes, uma mesma frase. Enfim... Eu queria entender os personagens, não perder uma só frase, uma só expressão, um só sentimento. Sem mencionar os momentos nos quais fiquei com o livro nas mãos, enquanto meu pensamento voava. Eu pensava muito em vários personagens da história e no quanto tudo poderia ter sido diferente para todos eles. Ouvia a música inspirada na história e sentia uma espécie de tristeza por já saber como o livro terminaria e não poder fazer nada para mudar aquilo. Eu queria que tudo pudesse ter sido diferente. E ainda estou melancólica, meio deprimida, com aquela sensação de que foi tudo muito injusto, tirando o destino da pequena Cathy e do Hareton. O destino deles foi justo. Dos outros, não.


- Mas antes de continuar, vou deixar claro uma coisa: essa resenha terá spoiler. Ainda não sei o quanto irei revelar, mas para quem desconhece o final do livro e pretende ler o livro desconhecendo-o, é melhor não ler essa resenha. Nada do que eu venha a falar será suficiente, é claro. Nem poderá te fazer sentir metade do que você vai sentir ao ler o livro, mas é melhor avisar. Eu preciso desabafar um pouco, gente. Preciso colocar em palavras pelo menos um pouco do que sinto. Preciso falar sobre certas coisas. Acho que não conseguirei me libertar deste livro antes de falar sobre o que me incomoda, o que me angustiou durante a leitura e tudo que foi marcante para mim. Creio que essa resenha será longa.


- Foram muitos os momentos nos quais pensei neste livro ao longo dos anos. Vira e volta lembrava da Catherine e do Heathcliff. Existiam trechos que me perseguiam, me atormentavam e me faziam desejar jamais ter lido esse livro. Mas também existiam trechos que me faziam acreditar cada vez mais no amor verdadeiro e no poder que esse amor pode ter. Trechos que apesar de machucar também me faziam suspirar e sonhar acordada. Tinha vezes que eu lia livros maravilhosos, de me roubar o fôlego, mas, de repente, lembrava do livro. Quando decidi enviar trechos marcantes para uma amiga, foi nos trechos deste livro que pensei, antes de pensar em qualquer outro. E quando uma amiga me viu com este livro nas mãos (eu estava relendo trechos dele) e perguntou sobre a história, me pediu que contasse um pouco sobre ela, era como se eu estivesse viajando para um novo mundo. O local no qual conversávamos não existia mais. Eu estava no Morro dos Ventos Uivantes, assistindo cada parte da história de Heathcliff e Catherine. E quando "retornei", essa amiga me pediu o livro emprestado para ler. Foi com uma dorzinha no coração que eu me separei dele. Ela leu o livro e ficou apaixonada por ele. Ela diz que é o melhor livro que ela já leu na vida e ela já leu muitos.rsrs... Confesso que eu não esperava por isso. Acreditava que ela iria odiar a história ou, talvez, odiar o Heathcliff e a Catherine. Mas não. E a personagem favorita dela é a Catherine. Outra coisa que me surpreendeu, já que a maioria das pessoas não suporta a Catherine. 


- Eu entendo quem odeia este livro. Realmente entendo. É um livro que alguns costumam dizer que você ama com todo o seu coração ou odeia com todo o seu coração. Eu concordo com essa afirmação? Não. Pois sou a prova de que não se pode sentir somente um desses sentimentos por esta história. Tanto amo quanto odeio este livro. Sinto uma mistura dos dois sentimentos e ambos de forma intensa. Nunca poderia declarar que odeio este livro, sem dizer que também o amo. Explico meus motivos daqui a pouco. 




"Perturbá-la? Não! Ela é que me tem perturbado dia e noite ao longo destes dezoito anos... incessantemente... sem remorsos..." [Página 248]




"Tu sabes como a sua morte me deixou enlouquecido para todo o sempre, de uma madrugada a outra, implorando-lhe que voltasse para mim... invocando o seu espírito... tenho muita fé nas almas do outro mundo; estou convencido de que, não só podem andar, como de fato andam entre nós!" [Página 249]


"Quase podia sentir o seu sopro quente deslocando o ar gélido. Eu sabia que não estava ali nenhum ser vivo, no entanto, tal como nos apercebemos da proximidade de um corpo material na escuridão, mesmo sem podermos vê-lo, senti que a Cathy estava ali, não sob mim, mas acima da Terra." [Página 249]


"Mas o que não associo eu a ela? O que não a traz à minha memória? Se olho para estas lajes, vejo nelas gravadas as suas feições! Em cada nuvem, em cada árvore, na escuridão da noite, refletida de dia em cada objeto, por toda a parte eu vejo a sua imagem! Nos rostos mais vulgares de homens e de mulheres, até as minhas feições me enganam com a semelhança. O mundo inteiro é uma terrível coleção de testemunhas de que um dia ela realmente existiu e a perdi para sempre!" [Páginas 279 e 280]



Um pequeno resumo: 


Foi no ano de 1771 que Catherine Earnshaw conheceu o homem que alteraria para sempre o seu destino. O homem que teria um forte poder sobre ela, que dominaria seus sentimentos e também teria participação na sua morte. Aquele que seria o seu melhor amigo, seu consolo nas horas de sofrimento, seu porto seguro. Seu amor secreto. Sua destruição. Mas ele ainda não era um homem quando ela o conheceu. Não passava de um menino. Um menino perdido e morrendo de fome e frio, que tinha sido encontrado pelo seu pai e levado para casa para ser criado ao lado dela, como parte da família. Catherine ainda não tinha completado seis anos e sua primeira reação foi de desprezo. Afinal de contas, por ter encontrado aquele menino na rua e ter perdido seu tempo se preocupando com ele, o pai dela havia perdido o chicote que ela tinha pedido que ele lhe trouxesse quando retornasse da viagem que tinha feito. O irmão de Catherine também não reagiu muito bem. Apesar de ser um adolescente e se esperar dele que se comportasse como um rapaz maduro, a reação dele chegou a ser mais violenta do que a de Catherine e seu ódio não foi momentâneo. Pelo contrário. E com o tempo, cresceu ainda mais chegando ao ponto de fazê-lo cometer as maiores maldades possíveis contra o menino, que era pouco mais velho do que a irmã dele.

Sempre que tinha uma oportunidade, Hindley maltratava o menino. O espancava e humilhava sem dó nem piedade e Heathcliff aguentava tudo calado, alimentando dentro de si o desejo de vingança e acreditava que um dia, por mais que esse dia demorasse para chegar, iria se vingar daquele rapaz que tanto lhe maltratava. Mas Heathcliff tinha um consolo. Um motivo para suportar qualquer dor e humilhação. Tinha Catherine. A menina dos olhos de anjo e do sorriso mais lindo do mundo. Aquela que o entendia e não o desprezava. Que era sua companheira de travessuras, sua única e verdadeira amiga. Por ela, ele seria capaz de suportar os tormentos do inferno.

O tempo passou... Hindley acabou sendo mandado para um colégio interno e isso provocou um certo alívio em Heathcliff e Catherine, mas eles sequer poderiam imaginar o que o destino ainda lhes reservava.

Anos mais tarde, o protetor de Heathcliff e pai de Catherine acabou falecendo e Hindley voltou para assumir o seu lugar de direito, como dono do Morro dos Ventos Uivantes e tutor de Heathcliff e Catherine. Ele voltou casado com Frances, uma mulher de saúde fraca e personalidade mais fraca ainda. Apesar dos anos, seu ódio por Heathcliff não diminuiu e ele aproveitou sua oportunidade para transformar o menino num servo seu, quase um escravo e atormentá-lo sempre que sentisse vontade. Os anos foram difíceis tanto para Heathcliff quanto para Catherine. Era um tormento para a menina ver seu amigo sendo maltratado por seu irmão e assim, a amargura foi deixando marcas profundas no coração dos dois jovens, que tinham acabado de entrar na adolescência.

"Nunca imaginei que o Hindley me fizesse chorar tanto!", escreve ela. "Dói-me tanto a cabeça que mal consigo deitá-la na almofada. Apesar de tudo, não consigo deixar de chorar. Pobre Heathcliff! O Hindley chama-o de vagabundo e proibiu-o de conviver ou fazer as refeições conosco. Além disso, proibiu-nos de brincar, ameaçando expulsá-lo de casa, caso voltasse a desobedecer. 


Tem andado a culpar o nosso pai (como é possível) pelo tratamento generoso que concedeu a H. E promete que o há de colocar no seu devido lugar."


Naquele mesmo ano, 1777, a amizade entre Heathcliff e Catherine sofreu uma nova provação. Catherine, durante uma brincadeira com Heathcliff, acabou indo parar na Granja dos Tordos, propriedade de uma família muito importante da região, os Linton, e, após ser mordida pelo cachorro dos donos, foi levada para dentro, sendo muito bem-recebida por todos. Heathcliff não recebeu o mesmo tratamento. Enquanto eles quiseram manter Catherine com eles por várias semanas, Heathcliff foi expulso de lá, somente partindo por ver que a amiga estava feliz e fascinada pela atenção recebida. Foi a primeira longa separação que eles tiveram que suportar.

Cinco semanas mais tarde, Catherine retornou, mas não era mais a menina de antes. A garota traquinas, rebelde e selvagem, tinha dado lugar à uma belíssima dama, vestida com belas roupas e altiva como lhe ensinaram a ser. Ela nunca antes tinha se preocupado com roupas, mas os Linton lhe ensinaram "tudo que uma dama deveria saber e como deveria se comportar". Catherine tinha que ser como Isabella e desde o dia que foi mordida pelo cachorro deles, os dois adolescentes, Isabella e Edgar Linton, passaram a fazer parte da sua vida, mesmo sem terem sido convidados. Catherine acabou aceitando a amizade deles, mas não esqueceu seu amigo de infância. Ao retornar, procurou por ele, mas, por causa da sua nova aparência e modo de ser, não foi bem recebida. Ela o ofendeu, mesmo sem ter essa intenção e a amizade passou a correr sérios riscos de se acabar. Edgar estava cada vez mais presente na vida da menina e todos queriam uma união entre eles. Catherine ainda preferia Heathcliff. Ela amava o amigo, embora ainda não soubesse que não sentia por ele apenas um amor de amiga, mas estava confusa.

A vida de Heathcliff piorou ainda mais. Se já não bastasse sofrer nas mãos de Hindley, agora também tinha que dividir sua amiga com Edgar e Isabella e sentir, dentro de si, que eles a estavam roubando dele. Ele sabia que a estava perdendo e aquilo só aumentou o desejo de se vingar de Hindley, por tê-lo feito descer tão baixo e se tornar indigno do amor de Catherine. Também o fez sentir um ódio violento por Edgar, que não escondia o interesse que sentia pela jovem. Ver Catherine com Edgar fazia sangue escorrer do seu coração. Doía. Atormentava. E assim, mais anos se passaram. Até que Heathcliff completou 16 anos e recebeu um golpe que o fez deixar seu amor para trás e seguir um novo caminho.

Ao ouvir uma conversa entre Catherine e a governanta Nelly, na qual Catherine mencionava sua intenção de se casar com Edgar e dizia que seria degradante para ela se casar com o Heathcliff, ele decidiu ir embora. Não levou nada e nem avisou que estava partindo. Simplesmente foi embora, deixando Catherine destroçada e atormentada pela culpa que sentia pela fuga do homem que ela amava. Catherine adoeceu gravemente, sofrendo pela primeira vez a febre cerebral que a mataria poucos anos depois. Com o tempo, ela conseguiu se recuperar e três anos depois se casou com Edgar Linton, acreditando que seu único amor jamais voltaria. Porém, seis meses após seu casamento, Catherine acaba sendo surpreendida pelo retorno de Heathcliff que lhe traz tanto felicidade quanto angústia.

Heathcliff retorna quase irreconhecível. Tinha crescido e enriquecido, embora ninguém soubesse como. Era agora um cavalheiro. Seu retorno sela o destino de quase todos os personagens desta história, que de uma forma ou de outra, tinham lhe roubado sua Catherine. Heathcliff retorna disposto a não ter pena dos seus inimigos e destruir um por um. Seu ódio por seus inimigos era tão forte quanto seu amor por Catherine. E da mesma forma, destruidor. E assim, ele começa sua vingança. Porém, ele jamais poderia imaginar as sérias consequências que isso teria... Se soubesse que sua vingança levaria com ela a vida de Catherine jamais teria começado tudo aquilo. Mas era tarde demais para voltar atrás. Era tarde demais para se arrepender.

Heathcliff decide que, como parte da sua vingança, irá se casar com Isabella, irmã de Edgar, e fazer da vida dela um inferno. Por causa desta decisão, Catherine e ele acabam tendo uma violenta briga que faz Edgar proibir Heathcliff de voltar a pôr os pés em sua casa. Catherine, mesmo furiosa com o amor da sua vida e angustiada por causa da decisão dele, não aceita a ordem de Edgar e após ser acusada por ele de incentivar as atitudes de Heathcliff, acaba tendo uma séria briga com o marido também. O estresse, a angústia e o medo de perder novamente Heathcliff a faz ter uma crise, seguida por um desmaio. Ela passa dias sem se alimentar e se tranca num mundo próprio, onde não existia dor e somente Heathcliff e ela. Nos seus pensamentos, ela ainda é uma menina e Heathcliff é seu companheiro. Eles estão juntos e felizes. Ela não está casada e jamais se casaria com Edgar. Jamais sairia do Morro dos Ventos Uivantes. E assim, Catherine piora  cada vez mais.

Enquanto isso, Heathcliff e Isabella fogem para se casar e passam alguns meses longe. Nenhum dos dois sabia sobre a doença de Catherine. É somente quando retorna que Heathcliff descobre. Desesperado para voltar a ver sua amada e angustiado por causa da sua doença, ele decide pedir a ajuda de Nelly para voltar a vê-la. Após a governanta se recusar ele acaba ameaçando-a, fazendo-a assim atender seu pedido.

Heathcliff vê Catherine com vida pela última vez e aquele último encontro é o mais doloroso da sua vida. Catherine não era nem sombra do que tinha sido e só de olhar para ela, dava para perceber que ela não escaparia da morte. A dor toma conta dele e as últimas palavras de Catherine ficam para sempre cravadas no seu coração. Edgar o expulsa de lá, mas Heathcliff não se afasta muito, pedindo a Nelly que lhe dê notícias sobre Catherine, que passou mal quando Edgar chegou e Heathcliff teve que partir. Foi horrível para ele deixá-la naquele estado, mas ele não queria brigar com Edgar e assim, provocar uma piora. Prefere aguardar por perto, para saber se ela tinha melhorado.

Porém, por volta da meia-noite, Catherine dá à luz a filha que esperava. Filha dela e de Edgar. Não recupera os sentidos o suficiente para conhecer a filha e morre poucas horas depois. Catherine Linton nasce e sua mãe morre. Uma criança inocente marcada para sofrer, desde o seu nascimento.

No dia do enterro de Catherine, Isabella Heathcliff provoca o marido até fazê-lo reagir com violência. Ela odiava tanto o marido que seu sofrimento lhe dava enorme prazer. Ele tinha destruído toda sua vida e vê-lo no chão, destroçado pela morte da única pessoa que ele amava, a fazia querer chutá-lo até matá-lo. Sua provocação chega longe demais e após a reação dele, ela consegue escapar. Não retorna. Dá à luz, poucos meses depois, ao filho deles que ela mantém afastado do pai, protegendo-o até o dia de sua morte. Isabella morre treze anos depois, deixando o filho sob a proteção de Edgar e fazendo-o prometer que cuidaria dele.

Mas Heathcliff, usando seu direito como pai, retira o menino de Edgar, levando-o para viver em sua casa. Se os maus-tratos de Hindley e o ódio que ele sentia por Edgar ter roubado sua Catherine, o tornaram um jovem amargo e violento no passado... A morte de Catherine lhe tirou seu coração, sua alma, sua paz e capacidade de amar qualquer outra pessoa. Assim Heathcliff se torna uma pessoa cruel, incapaz de amar o próprio filho. Ele decide continuar sua vingança nos descendentes daqueles que tinham destruído sua vida: Linton Heathcliff (que era filho dele, mas também era filho de Isabella Linton), Hareton Earnshaw (filho de Hindley) e Catherine Linton (que era filha de Catherine, mas também de Edgar Linton, o homem que ele mais odiava).

Será que Heathcliff vai conseguir se vingar até o fim? Será que Linton, Hareton e Catherine, três jovens inocentes, vão ter suas vidas destruídas por um ódio que começou há mais de dezessete anos? Serão condenados por um crime que jamais cometeram? Até onde um homem destruído pela dor e por um amor doentio pode ir?


Um clássico da literatura inglesa. Único livro escrito por Emily Brontë. Um livro marcado por um amor violento, arrebatador, destruidor; um ódio sem limites, vinganças, traições, loucura, desespero, tragédias. Uma história inesquecível. Personagens que despertam tanto nosso amor quanto nosso ódio. O Morro dos Ventos Uivantes é um livro forte, cruel e macabro. Uma história marcante.


" - Ele... completamente sozinho! Nós dois... separados! - exclamou ela, indignada. - E quem vai nos separar, não me dirás? Quem tentar terá o destino de Milo! Não enquanto eu for viva, Ellen... nenhum mortal vai conseguir isso. Mais depressa sumiriam da face da Terra todos os Linton do que eu permitiria separar-me do Heathcliff" [Página 74]


- Este é apenas um dos trechos mais marcantes do livro para mim. Existem outros. Alguns vou colocar nesta resenha. Outros, vou colocar num post separado somente para os trechos mais marcantes do Morro dos Ventos Uivantes (ainda vou preparar o post. Devo publicá-lo no domingo, se Deus quiser). 


- O livro começa no ano de 1801. Dezessete anos após a morte de Catherine Earnshaw, a única mulher que o Heathcliff tinha amado e ainda amava com loucura. Um visitante, disposto a passar um tempo na Granja dos Tordos, propriedade que tinha pertencido ao Edgar Linton e agora pertencia ao Heathcliff, aparece e resolve visitar seu senhorio. Após passar por situações estranhas no Morro dos Ventos Uivantes, ele volta para a Granja dos Tordos, muito gripado e, durante sua recuperação, Nelly, atendendo a um pedido seu, lhe conta a história das duas famílias. Tanto da família Earnshaw quanto da família Linton. E assim, nós somos levados ao passado dos personagens e ficamos sabendo como tudo começou. Apesar do livro ser narrado pelo tal inquilino e pela Nelly, através das lembranças da própria Nelly, nós conseguimos sentir as emoções dos personagens. Isso poderia ser impossível em outros livros, pois a Nelly era apenas uma pessoa que viu e ouviu muitas coisas ao longo dos anos. Esteve presente durante muitos acontecimentos, mas não fazia parte daquela história. Como posso explicar? Ela não estava no meio de toda aquela confusão. Mesmo assim, as lembranças dela nos faz conhecer cada personagem. Fez com que eu amasse e odiasse a maior parte deles. Provocou uma completa confusão em mim, fazendo eu me achar uma louca por amar alguém como Heathcliff. Fazendo eu desejar matá-lo em vários momentos e ao mesmo tempo abraçá-lo forte até livrá-lo da sua dor. Livrá-lo daqueles sentimentos que tanto o destruíam. 



" - Não sei como explicar, mas certamente que tu e toda a gente têm a noção de que existe, ou deveria existir, um outro eu para além de nós próprios. Para que serviria eu ter sido criada se apenas me resumisse a isto? Os meus grandes desgostos neste mundo foram os desgostos do Heathcliff, e eu acompanhei e senti cada um deles desde o início; é ele que me mantém viva. Se tudo o mais perecesse e ele ficasse, eu continuaria, mesmo assim, a existir; e se tudo o mais ficasse e ele fosse aniquilado, o universo se tornaria para mim uma vastidão desconhecida, a que eu não teria a sensação de pertencer. O meu amor pelo Linton é como a folhagem dos bosques: irá se transformar com o tempo, sei disso, como as árvores se transformam com o inverno. Mas o meu amor por Heathcliff é como as penedias que nos sustentam: podem não ser um deleite para os olhos, mas são imprescindíveis. Nelly, eu sou o Heathcliff. Ele está sempre, sempre no meu pensamento. Não por prazer, tal como eu não sou um prazer para mim própria, mas como parte de mim mesma, como eu própria" [Páginas 74 e 75]




"- Deves estar possuída pelo diabo - continuou ele, desvairado, - para falares comigo nesse tom, quando estás à beira da morte! Já pensaste bem que toda essas palavras vão ficar gravadas na minha memória, consumindo-me a alma eternamente depois de tu morreres? Sabes que mentes quando afirmas que fui em quem te levou a esse estado deplorável. E também sabes, Catherine, que, enquanto eu viver, jamais te esquecerei! Não será suficiente para o teu egoísmo atroz saberes que, enquanto descansas em paz, eu sofrerei os tormentos do inferno?" [Página 138]




- O que posso dizer sobre a Catherine? É muito triste o seu destino. Eu me apeguei a ela e foi difícil vê-la morrendo. Foi doloroso suportar seus momentos de delírio. Em vários momentos lembrei da criança inocente, rebelde e amorosa. Ela podia ser difícil, mas era só uma criança e só precisava ser aceita e amada. Lembrei do quanto ela não compreendia as atitudes do pai, que dizia que ela lhe provocava desgosto e não aceitava seu espírito livre. Lembrei da linda amizade que existia entre ela e o Heathcliff e que logo se transformou num amor forte demais para uma jovem de 19 anos suportar (através da tabela que a Ana, do blog Seis Milênios, encontrou para mim, pude conhecer os anos importantes da história e a idade dos personagens em cada momento. Assim, quando Catherine morreu, estava com 19 anos). Lembrei de seu sofrimento por ver o amigo sofrer. E de vários outros momentos. Ver aquela jovem se apagar não foi fácil. Ela não era uma santa. Nem chegava perto. Sabia ser terrivelmente cruel, agressiva e egoísta. Por mais que eu leia este livro mil vezes, jamais conseguirei entender completamente a Catherine. Ela era tão complicada quanto o Heathcliff. Poderia dizer que ela era apenas humana e como todo ser humano, possuía qualidades e defeitos. Mas nem esta afirmação é suficiente. Somente lendo o livro vocês irão entender por que não é suficiente. Sinto falta dela. Apesar dos momentos nos quais ela me irritou, e apesar de qualquer egoísmo por parte dela, ela faz falta. Era cheia de luz, vida... Era uma pessoa de espírito livre e gênio difícil. Não suportava frieza e amava demais o Heathcliff apesar de conhecer cada um dos seus defeitos. Ela não merecia a morte, gente. Ela merecia uma chance de corrigir o erro cometido e tentar uma vida ao lado do único homem que amava e vê-la morrer daquela forma é de partir o coração. É muito triste. É injusto. Me senti uma inútil por não poder fazer nada para impedir sua morte. E o sofrimento do Heathcliff teve um impacto muito forte em mim. Não dá sequer para colocar em palavras o que senti... 





" - Muitas vezes provocamos os fantasmas e nos desafiamos mutuamente a andar e chamar os mortos por entre as sepulturas. Mas tu, Heathcliff, se te desafiar agora, ainda terás coragem de fazê-lo? Se tiveres, ficarei contigo. Não quero jazer ali sozinha. Podem enterrar-me a sete palmos de profundidade e fazer desabar a igreja sobre mim, mas não descansarei enquanto não estivermos juntos. Jamais!" [Página 111]





"- Mostraste-me agora o quão cruel tens sido. Cruel e falsa! Por que me desprezaste, Cathy? Por que traíste o teu próprio coração? Não tenho sequer uma palavra de conforto para dar. Tu mereces tudo aquilo por que estás passando. Mataste a ti própria. Sim, podes beijar-me e chorar o quanto quiseres. Arrancar-me beijos e lágrimas. Mas eles vão te queimar e serás amaldiçoada. Se me amavas, por que me deixaste? Com que direito? Responde-me! Por causa da mera inclinação que sentias pelo Linton? Pois não foi a miséria, nem a degradação, nem a morte, nem algo que Deus ou satanás pudessem enviar, que nos separou. Foste tu, de livre vontade, que o fizeste. Não fui eu que despedacei teu coração, foste tu própria. E, ao despedaçares o teu, despedaçaste o meu também. Tanto pior para mim, que sou forte e saudável. Se eu desejo continuar a viver? Que vida levarei quando... Oh! Meu Deus! Gostaria tu de viver com a alma na sepultura?" [Página 140]





" - Beija-me e não me deixes ver os teus olhos! Perdoo-te o mal que me fizeste. Eu amo quem me mata. Mas... como poderei perdoar quem te mata?" [Página 140]


- Não canso de reler estes trechos. E sempre sinto as mesmas emoções. O que posso falar sobre meu Heathcliff? Se não sabia o que falar da Catherine, muito menos dele. Já disse. Não dá para colocar em palavras tudo que sinto por esta história. É impossível. São coisas que simplesmente sentimos durante a leitura. Odeio o Heathcliff? Sim. Odeio o homem cruel, que maltrata as pessoas sem piedade, maltrata animais indefesos, se comporta como um verdadeiro demônio, um monstro vindo do inferno. Mas... Também o amo. O quê?! Sim. Seria uma mentira descarada afirmar que odeio o Heathcliff porque ele não é humano e é a maldade em forma de pessoa. Eu realmente o odeio, mas é um ódio mesclado com amor. Sinceramente, eu sinto as duas coisas. O simples fato de chegar a odiar o Heathcliff me faz sofrer, pois esse sentimento entra em guerra com o amor que também sinto por ele. Por mais que o Heathcliff tenha sido cruel, por mais que ele tenha machucado pessoas inocentes, eu não consegui esquecer quem ele foi. Não consegui deixar de enxergar o menino ainda aprisionado dentro dele. O jovem apaixonado e sofrido, que idolatrava seu anjo, sua amada. Não pude deixar de imaginar o quanto ele sofria cada dia pela perda da Catherine. Por tê-la perdido daquela forma. O Heathcliff tentou. Ele realmente tentou acabar com todo o amor que eu sentia por ele, mas não conseguiu. Despertou meu ódio, mas não matou o meu amor. Me senti como uma mãe que mesmo sabendo que o filho é um criminoso, um monstro e que deve pagar por isso, não consegue condená-lo e o defende com unhas e dentes. Heathcliff é meu querido. Um bebê que eu não pude salvar. Um jovem destruído por dois sentimentos fortes demais. Mais fortes do que ele: o ódio e o amor. É incrível como um sentimento tão belo, como o amor, pode ser capaz de provocar tanto dano. Eu jamais concordaria com alguém que afirmasse que o Heathcliff não amava a Catherine. Nunca poderia concordar com algo assim. Ele a amava mais do que tudo. O amor que ele sentia por ela matava seu amor-próprio. Catherine era o ar que ele respirava, sua força e sua fraqueza. Era sua alma, seu coração. Ao perdê-la, ele perdeu tudo. 


" - Jaz com um doce sorriso nos lábios e, certamente, os seus últimos pensamentos foram para os dias felizes do passado. A sua vida acabou como um sonho sereno. Assim ela possa despertar no outro mundo!

- Pois que desperte em tormento! - bradou ele com assustadora veemência, batendo o pé e soltando um grito, paroxismo de cólera incontrolada. - Por que ela mentiu até o fim? Onde está ela? Não está aqui, nem no céu, nem morta! Onde está então? Oh! Disseste que não te importavas que eu sofresse! Pois o que eu te digo agora, vou repetir até que a minha língua paralise: Catherine Earnshaw, enquanto eu viver não descansarás em paz! Disseste que te matei. Pois então assombra-me a existência! Os assassinados costumam assombrar a vida dos seus assassinos, e eu tenho certeza de que os espíritos andam pela terra. Toma a forma que quiseres, mas vem para junto de mim e me enlouquece! Não me deixes só, neste abismo onde não te encontro! Oh! Meu Deus! É indescritível a dor que sinto! Como posso eu viver sem a minha vida?! Como posso eu viver sem a minha alma?!" [Página 146]




- Vocês conseguem "sentir" este trecho? Eu consigo ouvir o Heathcliff falando estas palavras. E ele não estava falando nada daquilo da boca para fora. Realmente estava sofrendo e desejava com desespero que a Catherine o perseguisse, que ela não se afastasse dele um só instante. Não importava que ela estivesse morta e que o correto fosse deixá-la descansar em paz. Ele precisava dela. Lembram-se que eu disse que ela era o ar dele, seu coração e alma? Como um ser humano pode viver sem isso? Não pode, verdade? Por isso, ele precisava que ela o atormentasse, que ficasse com ele, assombrando sua vida. Porque ele suportaria sofrer, suportaria a loucura, mas não suportaria ficar longe dela. É forte demais. É realmente um amor doentio. Um amor suicida. Mais destruidor do que a tempestade mais violenta. Mas é amor. Não importa se não é um amor saudável. É amor e eles não escolheram amar daquela forma. Não foi escolha deles. Eles não são culpados por se amarem tanto. Quem pode condenar dois jovens que se amam? Eu não posso. Condenei um dia, quando estava muito furiosa com o livro, por não me deixar em paz.rsrs... Por ficar me fazendo lembrar tanto dele. Mas me arrependi quase imediatamente. No fundo, eu não podia condená-los. 


- Enfim... Já falei muito, não é verdade? E nem disse metade do que gostaria de dizer. Faltaram-me as palavras adequadas. Creio que, talvez, por não existir palavras que pudessem fazer vocês sentirem o que sinto por esta história. Peço somente que vocês leiam a história. Não prometo que vocês vão amá-la. Existem pessoas que odeiam profundamente o livro e o casal principal. Existem aqueles não conseguiram sentir um pingo de ódio pela história, que a amam com todo o coração. E existem pessoas, como eu, que sentem tanto amor quanto ódio pelo livro. Ler este livro é um risco, mas talvez vocês devam arriscar. A escolha é de vocês. :)

- Eu poderia falar sobre outros personagens desta história. Outros personagens que também marcam o livro, embora não seja de forma tão intensa como Catherine e Heathcliff marcaram. Mas marcam. Entre eles: Edgar Linton, Isabella, Hareton e Cathy (filha da Catherine). Porém, como já falei demais, deixo que vocês conheçam esses personagens lendo o livro. Sobre eles, não digo nada. 


- Enfim... É isso. Espero que O Morro dos Ventos Uivantes possa me deixar tranquila agora. Sinceramente, não desejo ficar pensando tanto neste livro. Não faz bem. Nunca vou esquecer esta história, nem se lutasse com todas as minhas forças conseguiria, mas desejo deixá-la no cantinho dela e ler outros livros. Livros lindos e não tão fortes quanto este. Livros "tranquilos".rsrs...


Bjs e até breve!

6 comentários:

Ana Carolina Nonato disse...

Olá, Luna!

Uau, acho que esta foi a melhor resenha que você escreveu até hoje! Só fico triste em ser com um livro que não o merece. A única coisa que admiro neste enredo é a união, anos depois, de Cathy e Hareton. Os demais... Não sou ninguém para julgar, mas acho DEMAIS todo esse sofrimento. Sinceramente, era necessário tanto drama assim? Não me admira que hoje existam livros tão ruins neste sentido. Juro que não consigo ver tanta razão pra este dramalhão todo. Clássico da literatura inglesa? Como é possível que duas irmãs sejam completamente diferentes? Charlotte genial e Emily uma ingênua nestas proporções? Não consigo conceber tais realidades. Mas opinião é opinião, não é mesmo? E se você ama Heathcliff, paciência! E se eu não gosto do livro, paciência. Vivamos em paz! \o

Grande abraço, Luna!

Luna disse...

Olá, Ana!


Obrigada, flor! :)


Você é do time que não gosta do livro, já sei.rsrs... Respeito e muito a sua opinião. Mas para mim esse livro merece tanto ou mais do que outros livros maravilhosos que já li. Ele merece todo o meu amor e carinho. Assim como mereceu o tempo que usei para escrever esta resenha. Para mim, não foi tudo apenas um dramalhão. Teve motivos para tudo aquilo, toda aquela dor e ódio.

Sim! Clássico da literatura inglesa! E eu não sei se a Charlotte é genial, pois nunca li um livro dela. E nem sei se lerei em breve. Talvez leia só para saber de qual irmã serei mais fã. Mas a Emily nunca seria ingênua. A acho inteligente e realista demais, levando em conta a época na qual vivia. Se tivesse vivido um pouco mais, tenho certeza de que ela escreveria outros livros tão arrebatadores quanto O Morro dos Ventos Uivantes.

Opinião é mesmo opinião e conheço outra amiga que não suporta o livro.rsrs... Respeito isso. Mas eu o amo e o defenderei sempre que puder!kkkk... Assim como defenderei a Emily Brontë. E duas irmãs podem sim ser diferentes. Eu e minha irmã somos como água e vinho.rsrs...


Sim. Vivamos em paz!kkkkkkkk....


Bjs, querida!

Stella Freire disse...

Oi Luna!!
Parabéns pela resenha!!
O morro dos ventos uivantes é fascinante!!! Amo-o e não o odeio nenhum pouquinho (te juro!)!!
O li em uma semana e por ele quebrei minha regra de não escrever em livros, para guardar aqueles trechos maravilhosos!!

Vejo Cathy e Heathcliff como vítimas na verdade. Heathcliff vítima de todos praticamente e principalmente da Cathy. E a Cathy vítima das circunstâncias e de si mesma. Mas calma!! Colocando-os dessa forma também não os isento de culpa! Eu só não consigo vê-los de uma forma odiosa, entende?

É muito marcante esse livro. E a música da Kate Bush?? No início odiei e achei a mulher uma louca, mas depois viciei e minha familia quase me bota pra fora por não me aguentar cantando essa música o tempo todo!!!

Tenho uma dúvida... Essa frase realmente existe no livro:

"Se o amor dela morresse, eu arrancaria
seu coração do peito e beberia seu sangue."


?????

Onde peloamorqueeunãovi!!!!
Meu email é s.p__@hotmail.com
Bjs!

Luna disse...

Olá, Stella!


Muito obrigada! :)


Fico feliz por saber disso! Por você não odiá-lo nem um pouco. É um dos livros mais maravilhosos, arrebatadores que já li na minha vida. Eu tanto o amo quanto odeio.rsrs...


Entendo perfeitamente. Também acredito que eles foram vítimas. Embora tenham errado bastante, tudo poderia ter sido diferente se não tivessem sido tão maltratados pela vida e pelas pessoas. Catherine foi levada a acreditar que jamais poderia ficar com o Heathcliff. Ela cresceu numa sociedade preconceituosa e hipócrita e o Heathcliff... Não sei como ele suportou tantos maus-tratos e humilhações.


kkkkkkkkkkkkkkk.... É uma música muito forte e eu também gosto de escutá-la, embora morra de medo de ouvi-la à noite.rsrsrs... É também uma música que assusta.kkk... É perfeita para a história. Dá para lembrar claramente do amor desse casal ouvindo essa música.


Não. Ela não existe. Existe um trecho parecido, mas o sentido não é o que a editora quis passar. Lendo esse trecho: "Se o amor dela morresse, eu arrancaria seu coração do peito e beberia seu sangue." nós podemos pensar que o Heathcliff está falando do amor da Catherine por ele. Nós podemos entender da seguinte maneira: se o amor que ela sentia pelo Heathcliff morresse, ele arrancaria o coração dela e beberia seu sangue. Ou seja, ele a mataria. Mas a frase não é assim e nem o sentido é esse.

O trecho é escrito da seguinte maneira:


"- Quero que me digas, com toda a sinceridade, se Catherine sofreria muito se o marido morresse. Este é o meu único receio e, por isso, me abstenho de qualquer ato: assim se pode ver a diferença entre os nossos sentimentos. Se eu estivesse no lugar dele e ele no meu, embora o odeie profundamente, jamais levantaria um dedo que fosse contra esse homem. Acredita, se quiseres! Eu nunca o teria banido da vida dela, se isso fosse contra a sua vontade. No momento em que o interesse dela acabasse, eu iria arrancar-lhe o coração e beber seu sangue." [Página 129]


Ou seja, o Heathcliff diz nesse trecho que coloquei que se o interesse da Catherine pelo Edgar acabasse, ele não teria mais motivos para manter o Edgar vivo. Se a Catherine não sentisse mais nada pelo marido, ele poderia acabar de uma vez por todas com o Edgar.


Bjs!

Samuel... disse...

Resenha fantástica. Sinto no âmago do meu ser o desespero de Heathcliff.

Parabéns!

Ariela disse...

Este livro é o meu favorito! Não dá para explicar em palavras todo o sentimento que me consome ao lê-lo. Sinto o sofrimento de ambos à flor da pele, é como se eu estivesse lá, sentindo cada detalhe!
Demorei um pouco para terminar de lê-lo, e quando aconteceu, as palavras, frases e trechos simplesmente dançavam em minha memória. Copiei meus trechos favoritos e os coloquei na porta de meu armário, lia-os e relia-os todas as vezes e nunca me cansava, me embreagava com cada uma das palavras e pedia por mais a cada instante.
Eu também sinto essas mesmas sensações, eu amo e odeio este livro. O amo por ter mostrado um amor tão fora de nós mesmos, o verdadeiro amor na sua essência de forma nua e crua sem deixar de citar cada detalhe e cada sensação que ele provoca, é um amor louco, insano, doentio, o amor que mata a nós mesmos, as nossas vontades e desejos em prol do outro. Sim, eu amo loucamente este livro, me embebedo de cada palavra sem cansar de nenhum detalhe e sem deixar que nenhum me escape.
Eu também odeio este livro, além de mostrar a parte nua e crua do verdadeiro amor, nos mostra também em sua essência os piores males de nós mesmos, os nossos desejos e vontades mais sombrias, nosso egoísmo, o desejo pela vingança e violência, mostra tudo isso de forma tão enfática que até nos assusta e nos faz refletir sobre nós mesmos, eu me identifiquei com a parte sombria de Heathcliff, me identifiquei com seus temores e com seus desejos carnais de selvageria, querendo ou não temos essa parte sombria dentro de nós, e ao ver essa parte tão exposta neste livro podemos passar a odiá-lo, não há livro no mundo que vai me mostrar lados tão extremos de forma tão perfeita e descritiva como O Morro dos Ventos Uivantes, que vai me fazer sentir calafrios e medo de eu própria por desejar a morte de todos que impediram aquele amor tão puro e real de ser concretizado.
Emily é um gênio, nem mesmo Shakespeare conseguiu descrever de forma tão concreta e palpável o amor, o ódio e o que acompanha ambos sentimentos. Não dá pra colocar em palavras a genialidade da única obra literária de Emily, onde palavras não fizeram falta para esta maravilhosa escritora ao escrever este romance.
Eu amo e odeio este livro, são dois extremos, mas dois extremos que se encaixam completa e perfeitamente.

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