O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!

O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!
O coração de uma mulher é um oceano de segredos

quarta-feira, 15 de março de 2017

Escrevendo sem Medo - Março



Um Pássaro Engaiolado ganhando a Liberdade


Ela veio como sempre... cantarolando uma canção que eu aprendera a amar. Meus olhos ainda estavam fechados e, por algum tempo, fiquei apenas ouvindo-a. Sabia que ela falaria comigo logo. Daquele jeito doce e amoroso, como se eu, de fato, pudesse entendê-la. E eu realmente entendia.

Ela falaria de amor... do quanto lhe era querido. E eu responderia com meu próprio canto, com a melodia que sempre fazia seus olhos encherem-se de lágrimas. Nunca compreendi bem por que ela chorava. Eu amava minha música. E nunca senti vontade de chorar ouvindo-a. Mas há tempos aprendera que as pessoas são esquisitas. Mesmo aquela que eu amava. Talvez ela ainda mais.



Porém, desta vez, ela não falou. Parou de cantar e abasteceu os meus potinhos com comida e água. Decidi então abrir os olhos. Ela não retribuiu o meu olhar. Partiu em silêncio, deixando-me desconcertado e com um sentimento que não saberia explicar. Era tão... não sei. Mas parecia com dor, embora eu nunca antes tenha sentido isso. 

Não senti vontade de comer. Queria ver minha dona de novo... queria que ela voltasse e conversasse comigo, como sempre. Por que naquele dia foi diferente? Será que fiz algo de errado? Mas então, quando eu menos esperava, ela retornou. Para minha surpresa, pegou a gaiola na qual passara toda a minha vida e nos carregou até a porta. Seu comportamento se tornava mais e mais incompreensível a cada instante. Talvez ela tivesse enlouquecido.

- Voe! - ela disse, enquanto eu observava a portinha, que me mantivera dentro de minha casa durante todos aqueles meses, se abrir. No início, não entendi o que dizia. Era uma palavra nova. Ela nunca tinha me pedido para voar. Olhei seu rosto, tentando fazer com que meus olhos falassem o que meu coração gritava: por quê? Sim, por mais incrível que possa parecer, tenho um coração. E naquele momento entendi o que realmente era aquela coisa chamada de dor.

Não saí. Fechei novamente os meus olhos, acreditando que fosse um sonho ruim. Mas ela me colocou sobre sua mão e, acariciando minha cabeça pela última vez, me soltou. Por instinto, voei. Parei na árvore que ficava em frente a casa dela e esperei. Ela logo viria me buscar. Não me deixaria ali sozinho. Mas ela fechou a porta da casa. E também as janelas. E as cortinas. Só aí pude entender a mensagem. Ela não me queria mais. 



Algo escorreu dos meus olhos. Seriam lágrimas? Não sei. Só sentia meu coração pesado enquanto, pela segunda vez na vida, voava. Não fazia ideia de para onde estava indo. Todo o mundo que conhecia se resumia à casa dela... e a árvore que eu observava da janela, nos dias felizes que agora pareciam distantes. Como sobreviveria num mundo desconhecido? Como me alimentaria? Quem falaria comigo? Quem... me amaria? Não conseguia recordar um momento que não tenha estado no meu lindo cativeiro. Não era tolo, sabia que estava preso. Que não poderia simplesmente abrir a portinha e voar. Mas aquela era a minha vida. E embora eu visse muitos pássaros livres, alcançando alturas que não poderia sequer imaginar, jamais desejei ser como eles. Ou não tive a chance de desejar...

Voei pelo que me pareceram horas. Começava a sentir fome, mas me recusei a comer com os outros pássaros que, mesmo sem serem convidados, resolveram me fazer companhia. Não importava para onde fosse, aqueles inconvenientes vinham juntos. Não pareciam compreender os olhares furiosos que lançava em suas direções. A minha dona me entenderia. Ela sempre parecia saber o que eu precisava.

Anoitecia quando retomei o voo... Os outros pássaros finalmente tinham me deixado e eu estava outra vez sozinho. Não sabia para onde ir... só voava. Comecei a cantar. Desta vez, minha música me fez chorar. Eu cantava saudade.





Quando parei, em cima de uma árvore, reconheci onde estava. Dali, pude enxergar alguém à janela. Era ela. Como eu, também chorava. Porém, assim que me viu, seus olhos se iluminaram e ela sorriu. Chamou meu nome. E eu voei... para dentro de casa. Para o meu mundo. 



- Sou apaixonada por animais e adoro aves. Todavia... não sou muito a favor de manter qualquer tipo de ave em cativeiro, dentro de gaiolas. Nunca tive um passarinho, apesar de amá-los. E foi justamente por isso... porque eles têm que ser livres para voar, em minha opinião. Porém, também penso que quando alguém cria passarinhos em gaiolas não pode um dia simplesmente abri-las e lançá-los ao mundo. As pessoas precisam entender que seus animais de estimação não são descartáveis. Eles sentem, têm coração. 

- Este é meu terceiro texto para o Projeto Escrevendo Sem Medo. Não fazia ideia nem de como começar este post.rs Mas hoje procurei por fotos de pássaros como inspiração e quando encontrei essa coisinha gostosa acima, chamado de pisco-de-peito-ruivo, comecei a escrever... com a história simplesmente se construindo como se sempre tivesse estado ali. Mais uma vez foi uma experiência mágica. Amei cada momento!

Este projeto foi criado pela Thamiris do blog Historiar. Clique aqui para conhecê-lo melhor.  




*Imagens do passarinho encontradas no Google Imagens

0 comentários:

Postar um comentário

Seus comentários são sempre bem-vindos!

Porém, existem duas regras:

1º Comentários cujo ÚNICO objetivo seja divulgar seu blog, um sorteio ou algo do gênero, serão excluídos;

2º Comentários ofensivos também serão excluídos.

*Se deseja entrar em contato com a administradora do blog, basta mandar um email para luna.emocoes_leitora@hotmail.com e eu responderei o mais rápido possível.