O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!

O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!
O coração de uma mulher é um oceano de segredos

sábado, 5 de agosto de 2017

A Travessia - William P. Young

(Título Original: Cross Roads
Tradutor: Fabiano Morais
Editora: Arqueiro
Edição de: 2016)

Um derrame cerebral deixa Anthony Spencer, um multimilionário egocêntrico, em coma. Quando "acorda", ele se vê em um mundo surreal habitado por um estranho, que descobre ser Jesus, e por uma idosa que é o Espírito Santo.

À sua frente se descortina uma paisagem que lhe revela toda a mágoa e a tristeza de sua vida terrena. Jamais poderia ter imaginado tamanho horror. Debatendo-se contra um sofrimento emocional insuportável, ele implora por uma segunda chance.

Sua prece é ouvida e ele é enviado de volta à Terra, onde viverá uma experiência de profunda comunhão com uma série de pessoas e terá a oportunidade de reexaminar a própria vida. Nessa jornada, precisará "enxergar" através dos olhos dos outros e conhecer suas visões de mundo, suas esperanças, seus medos e seus desafios. 

Na busca por redenção, Tony deverá usar um poder que lhe foi concedido: o de curar uma pessoa. Será que ele terá coragem de fazer a escolha certa? 



Palavras de uma leitora...


- Será que chegará um dia que lerei algo deste autor sem chorar? Definitivamente, ele tem o poder de me emocionar e me fazer cair num pranto intenso. Ainda não me recuperei. Foi uma leitura que me atingiu em vários momentos, mas que me nocauteou com força na reta final. Porém, eu já esperava por algo assim. Afinal de contas, li A Cabana e Eva. Preciso dizer mais alguma coisa?!rs

"O que antes era um órgão vivo, um coração de carne, se transformou em pedra. Uma pequena rocha que vivia no casulo oco daquele corpo."

Anthony Spencer era um homem de negócios muito bem-sucedido, um milionário que amava o dinheiro e a si mesmo acima de todas as coisas. Para ele não existia um Deus e família era algo supervalorizado pelas pessoas, mas que na verdade era dispensável, insignificante. Batalhara muito para destruir a mulher que um dia disse amar e afastar de si a própria filha. Naquele momento, não existia ninguém na vida que considerasse digno de confiança ou que quisesse estar ao seu lado. Era um ser humano desprezível, egocêntrico e vingativo. Alguém que ninguém conseguiria amar. Não por muito tempo. Porque, por onde quer que passasse, ele deixava feridas profundas, capazes de acabar com o amor de qualquer ser humano. 

"Decidira havia tempos que a morte era um simples fim, o término de qualquer tipo de consciência, o pó voltando implacavelmente ao pó."

Naquele dia, ele estava ainda mais paranoico do que começara a estar ultimamente. Acreditava que todos tinham se unido num complô contra sua vida e tal estresse apenas contribuiu para o colapso que o deixaria em coma, num estado gravíssimo no hospital. Não poderia imaginar que algo assim fosse acontecer. Embora não viesse se sentindo bem nos últimos dias, não dera muita atenção aos sintomas. Estava cheio de trabalhos e compromissos e aquelas dores de cabeça só poderiam ser uma enxaqueca sem importância. Mas quando a dor veio mais forte que todas as outras, ele percebeu. Estava morrendo. E não existia ninguém a quem pudesse pedir ajuda. Estava sozinho. Completamente sozinho. 

"Será que aquele era o fim? Finalmente? Conseguia ouvir o vazio se aproximar, um nada voraz aparentemente determinado a extrair dele os últimos resquícios de calor."

Ao "acordar", ele percebe que não está na realidade que conhecia. Fosse qual fosse aquele lugar, sabia que estava morrendo, que aquilo não passava de uma travessia. De repente, sentiu medo. Porque se estava errado ao acreditar que com a morte tudo terminava, que não existia um algo além da vida... então, todos os seus erros teriam um preço. Não poderia escapar impune de todo mal que havia feito. 

"Eu esperava... que a morte fosse o fim. - Ele soluçava, mal conseguindo completar suas palavras. - De que outra forma poderia me safar do que fiz?"

Ainda profundamente confuso ao se ver num mundo paralelo, onde um estranho o recebe como se fossem grandes amigos, ele fica mais perplexo ao encontrar pela primeira vez Jesus, alguém que seu coração não pôde esquecer por mais que ele tenha se esforçado para arrancar tudo o que ainda existisse de bom em seu interior. Um dia sua mãe lhe falara daquele homem e embora ele não acreditasse ou confiasse em Deus, Jesus tinha um espaço... por menor que fosse. Porque enquanto o mantivesse em seu coração, mesmo que num lugar escuro e apertado, sua mãe ainda estaria com ele. 

Dividido entre acreditar que as visões daquele lugar à parte fossem fruto dos medicamentos utilizados para manter seu corpo vivo e a possibilidade cada vez mais forte de que já estivesse morto, ele não sabia bem no que acreditar. Era difícil aceitar que realmente estava vendo Jesus e mais estranho ainda era se ver diante de uma mulher idosa que queria ser chamada de Vovó e que o tratava como se o conhecesse. Ao descobrir que ela era o Espírito Santo, ele encara uma outra possibilidade: a de que, talvez, e era um talvez muito grande, tivesse enlouquecido. 

"Não é só de propósito que as pessoas magoam umas às outras. Na maioria das vezes, elas simplesmente não sabem agir de outra forma. Não sabem ser algo diferente, algo melhor."

- Quando iniciei a leitura desta história, eu tinha sim uma ideia do que iria encontrar. Como disse, já conheço as obras deste autor e estou bastante acostumada com elas. Além de amar sua maneira de escrever, de falar de Deus, de transmitir exatamente aquilo que nosso coração sente e muitas vezes gostaria de gritar sem ter forças ou palavras para isso. Sempre digo que me sinto ainda mais próxima de Deus quando leio os livros do William. Ele sabe como cutucar nossas feridas, como dizer o que a gente precisa "ouvir", como nos trazer uma visão muito mais humana de Deus, diferente daquela que, na maior parte das vezes (baseada em minhas próprias experiências), a Igreja e a religião nos mostram. Nas histórias dele, não conhecemos um Deus irado, capaz de castigar cruelmente seus filhos por eles serem pecadores e irem contra suas regras. Não. Nos livros deste autor, Deus é Amor. É perdão. É alguém que não ignora nossa dor e nos compreende melhor do que ninguém. É alguém que realmente podemos chamar de Pai e que não precisamos temer, mas tão somente amar. 

"Tony, nada jamais conseguirá separá-lo do meu amor, nem a morte, nem a vida, nem um mensageiro do Céu, nem um monarca da Terra, nem o que a acontece hoje, nem o que possa acontecer amanhã, nem nada em todo o Universo criado por Deus. Nada tem o poder de separá-lo do meu amor."

- Mas Deus não é o personagem central desta história. Embora Ele esteja em tudo, claro, não aparece muito como personagem, diferentemente de A Cabana e Eva. Aqui, Jesus Cristo e o Espírito Santo aparecem mais vezes e sim, eu sei que os três são um só. Mas o autor sempre mostra a divisão. E para entender tal coisa basta pensarmos assim: existe uma só pessoa de você. Por exemplo: eu sou Luna, mas dentro de mim existem outras divisões. Sou a amiga, sou a filha, sou a leitora, um dia talvez seja a mãe, a esposa... Conseguem entender? Embora saibamos que Deus, Jesus Cristo e o Espírito Santo são Um Só Deus, também sabemos que são três partes particulares de um só ser. Enfim... E por isso, o autor sempre os mostra divididos. Jesus é aquele mais próximo de nós, em quem sentimos mais confiança para desabafar, pois um dia ele se fez carne e sentiu tudo como nós. Compreende o que é ser um ser humano. Nós conseguimos vê-lo como um amigo querido, que deu a vida por nós, que abriu mão de tudo por nos amar mesmo sabendo que muitos de nós não iríamos valorizar isso e até mesmo duvidar. Ainda assim, Ele não hesitou. Porque seu amor jamais foi condicional. 

Nesta história, Tony desprezava Deus. Ele duvidava de sua existência e quando parava para pensar que Ele talvez existisse, tudo em que conseguia pensar é que se isso fosse verdade, então Deus era cruel. Alguém indigno de amor e confiança. Por isso, não existia qualquer espaço em seu coração para Ele. E desta forma, Deus não aparece muito na história, já que o livro nos leva para um mundo paralelo onde a alma e o espírito de Tony estavam enquanto seu corpo estava num hospital, num profundo estado de coma. Com o avançar da leitura, percebemos que aquele mundo "surreal" era o interior do protagonista, uma viagem por seu coração e que Deus estava do lado de fora dos muros que ele ergueu. E que Ele podia ver Jesus Cristo e a "Vovó" porque, por menor que fosse, em seu coração existia um espaço para eles. Mesmo que fosse um lugar caindo aos pedaços. 

"O amor jamais o condenará por estar perdido, mas tampouco deixará você ficar sozinho nas profundezas, embora também nunca vá forçá-lo a sair dos seus esconderijos."

- O livro pode sim ser confuso e bastante surreal se você não lê-lo com atenção e com a mente aberta. Fico muito feliz por ter chegado a um ponto em que consigo ler diversos livros diferentes entrando na realidade deles e estando aberta para entendê-los, para me dar a oportunidade de acreditar ou não no que o autor tenta passar. E os livros do William não podem ser lidos de modo algum com pré-julgamentos. É preciso afastarmos tudo aquilo em que acreditamos antes de viajarmos por suas páginas, antes de entrarmos no mundo que o autor nos apresenta. Por isso, existem pessoas que desprezam profundamente os livros dele e outras que leem as primeiras páginas e já julgam o livro por inteiro colocando-o na categoria de uma obra "herege", entre outras coisas. 

Neste livro, o protagonista está entre a vida e a morte num quarto de hospital e enquanto dorme um sono profundo do qual talvez jamais desperte, lhe é dada a oportunidade de iniciar um processo não de cura do seu corpo, mas de sua alma, de seu coração, daquilo que ele é em sua essência. E talvez seja bem difícil de acreditar na realidade paralela ao qual o personagem é levado. Ao longo da história, várias coisas difíceis de engolir acontecem, mas eu levei tudo numa boa.kkkkkk... Viajei juntinho com o personagem, me baseando numa coisa em que acredito: ninguém jamais morreu e voltou para dizer como é a vida após a morte e se ela de fato é como a Igreja nos mostra. E outra coisa: se, de certa forma, "viajamos" quando sonhamos, por que nossa alma não poderia fazer o mesmo se estivermos em coma? A vida é um mistério. Não sabemos tudo. Nossa mente é limitada demais para que conheçamos além do que nos é permitido como seres humanos. 

"Como não gostar de Jesus? Um homem másculo, mas doce com as crianças; bondoso com aqueles que a religião e a cultura julgavam inaceitáveis; cheio de uma compaixão contagiante; capaz de desafiar o sistema vigente e, ainda assim, amar os próprios inimigos."

- Este livro, para mim, é uma preciosidade. Apesar de ter terminado a leitura em prantos, sempre me sinto muito melhor ao ler algo deste autor. Ele me faz bem, me dá tranquilidade, paz. Uma sensação de que algo vai dar certo... de esperança, entende? Ao ler suas histórias posso chorar de tristeza, mas também de alegria. E muitas são as vezes em que choro aquele choro que lava a alma... aquilo que muitas vezes guardamos dentro de nós e quando colocamos para fora é com força, de uma vez só. Como um desabafo. 

A história, embora possa parecer triste, na verdade possui vários momentos divertidos. Ri muito com algumas cenas envolvendo uma personagem chamada Maggie.rsrs E existiram outras cenas bem humoradas, que me arrancavam gargalhadas. Mas claro que existiram momentos que me partiram o coração. Era inevitável. Porém nada, nada foi como o final. Ali chorei muito. Me surpreende que ainda tenham me restado lágrimas. 

"A realidade é aquilo em que você acredita, mesmo que aquilo em que acredita não exista. Deus lhe diz que a separação não é verdadeira, que nada pode 'realmente' separar você do amor dele, nenhum comportamento, nenhuma experiência, nem mesmo a morte e o inferno, seja qual for a forma como ele aparece em sua imaginação. Mas como você acredita que a separação é real, cria sua própria realidade baseada em uma mentira."

Esta foi minha oitava leitura para a Maratona Literária de Inverno 2017. Ele preenche o Desafio 9: ler um livro que é muito criticado ou que alguém não gostou. Como eu disse, o autor e seus livros não são exatamente bem aceitos por todos. Existem aqueles que desprezam profundamente as histórias do autor e basta uma pesquisa bem superficial para que vocês consigam encontrar alguns textos na internet criticando as obras dele. Já li tanto absurdo que não imaginam! Enfim... Por isso, escolhi este livro para o desafio 9. 

Bem... Agora falta apenas 1 livro para eu concluir a maratona!kkkkkkk.... O término seria no dia 30 de julho, mas como houve uma prorrogação de 6 dias, ela estará chegando ao seu final hoje, dia 05 de agosto. Então tenho até 23:59hrs do dia de hoje para ler o livro que resta.rsrs 

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