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18 de julho de 2022

Leituras concluídas - Junho/2022



Olá, queridos!

Em junho, para minha surpresa, eu consegui ler cinco livros. Dois deles eu resenhei: A Casa do Penhasco, livro fantástico da rainha do crime, Agatha Christie. E Cartas a um jovem poeta, de Rainer Maria Rilke, livro este que me provocou um grande impacto, se tornando um dos meus preferidos, por sua capacidade de despertar reflexões profundas e mexer com nossas estruturas. 

Este post aqui é para falar dos livros que li em junho, mas não resenhei. 






 Literatura Colombiana
Título Original: Crónica de una muerte anunciada 
Tradutor: Remy Gorga, Filho
Editora: Record
Edição de: 2019
Páginas: 160

Sinopse: O narrador imediatamente sentencia: “No dia em que o matariam, Santiago Nasar levantou-se às 5h30 da manhã.” Fatalidade, destino, o absurdo da existência humana. O que explica a tragédia que se abateu sobre o protagonista de Crônica de uma morte anunciada?

Nesta trama curta de construção perfeita, García Márquez monta um quebra-cabeça cujas peças vão se encaixando pouco a pouco, através da superposição das versões de testemunhas que estiveram próximas a Santiago Nasar no último dia de sua vida.

Em que e em quem acreditar? Como descartar a parcialidade das versões e “o espelho quebrado da memória” dos envolvidos.

É isso que o leitor vai descobrir ao longo da narrativa sóbria e direta, cuja estrutura toma emprestado o rigor jornalístico da reconstituição dos fatos tão caro a García Márquez. Todo o tempo, porém, o autor mantém a poesia, a sensualidade e a beleza de sua história e de seus personagens.

Gabriel García Márquez publicou Crônicas de uma morte anunciada em 1981, um ano antes de receber o Prêmio Nobel de Literatura que o consagrou definitivamente como um dos mais importantes autores contemporâneos.




Durante muito tempo eu quis ler este livro. E, ao mesmo tempo, o temia. Porque minha experiência com o autor não é totalmente positiva. Sinto uma mescla de amor e ódio por suas obras e, por vezes, o ódio prevalece.rs

Mas eu tinha imensa curiosidade em relação a esta história, já que ela inicia com a morte do "protagonista", por assim dizer, para nos contar tudo o que se passou antes do momento fatal. Um dos amigos dele, daquela época, resolve colher o testemunho de todas as pessoas que encontraram Santigo no dia de sua morte e que poderiam ter impedido a tragédia, mas por um motivo ou outro acabaram não fazendo nada. 

Quando iniciei a leitura (com um pé atrás, como eu disse, por causa da minha experiência por vezes negativa com as obras do autor) eu realmente não sabia bem o que esperar, mas com certeza não era o que encontrei: um livro extraordinário, que me deixou tensa do início ao fim, e me fez ansiar por fazer alguma coisa para impedir o desfecho que já conhecia, anunciado desde o título: a morte de Santiago. 

Fiquei tão chocada com a história, tão... Nem sei como nomear! Que pretendia fazer a resenha do livro. Mas, infelizmente, no final de junho eu tive um episódio de dor que fez o médico achar que eu tinha que ficar afastada do trabalho por uns dias para repousar e isso me deixou tão estressada (vocês sabem que desde que perdi a Luana ficar em casa muitos dias não me faz bem, é justamente o contrário, já que tudo aqui me faz recordá-la e eu preciso de um ambiente diferente para conseguir suportar o transcorrer do dia) que não tive ânimo para nada e não conseguia me concentrar para escrever a resenha. 

Aí voltei para o trabalho e poucos dias depois comecei a passar mal. Achei que era uma gripe, já que os sintomas me faziam acreditar nisso, mas eu achava estranho o fato de estar tendo muita febre. E então fiz o teste para Covid-19 e, para minha surpresa e angústia, deu positivo. Existiram dias nos quais me senti tão mal que acreditei que não aguentaria, pois era uma dor e um cansaço que me faziam ter dificuldades até para levantar da cama. Então, depois de me recuperar, desisti de vez de fazer a resenha de Crônica de uma morte anunciada. Já tinha se passado muito tempo desde a leitura e eu realmente não sentia mais a mesma vontade de falar sobre o livro, embora tenha se tornando um dos meus preferidos da vida. 

"Ela o viu da mesma rede e na mesma posição em que a encontrei prostrada pelas últimas luzes da velhice, quando voltei a este povoado abandonado, tentando recompor, com tantos estilhaços dispersos, o espelho quebrado da memória."

O trecho acima é um dos que mais me marcaram ao longo da leitura. Pensar naquela mãe que perdeu seu único filho, assassinado de modo tão brutal, ainda tão jovem... me causa um nó na garganta. Imaginar quantas vezes ela o recordava... Como os anos se passavam e ela voltava ao dia de sua morte... e ao fato de que não conseguiu salvá-lo. Como se o destino estivesse decidido a levá-lo e tirasse dela a última chance de impedi-lo. 

É inacreditável o modo como quase todo mundo sabia que Santiago iria ser assassinado e ninguém chegou até ele para contar. Os assassinos gritaram para quem quisesse ouvir o que eles iriam fazer e as pessoas simplesmente deixaram acontecer. Os assassinos QUERIAM ser impedidos, mas as pessoas não os impediram. Só em alertar Santiago, elas já poderiam salvá-lo. Mas ficaram caladas. 

Estou sendo injusta, na verdade. Algumas pessoas, de fato, tentaram fazer alguma coisa, embora de modo bem fraco, insignificante. E o que mais me revolta é que algumas delas passaram ao lado dele bem antes do crime. Estavam com ele diante de seus olhos e poderiam ter falado e ficaram caladas. Umas porque acreditavam que era só um boato, "zoeira". Outras, porque não tinham coragem de dar a "má notícia". E ainda existiram os casos daquelas que queriam vê-lo morto e estavam mais do que ansiosas pelo momento. 

"Não é justo que todo mundo saiba que vão matar o seu filho, e seja ela a única que não sabe."

Quando as pessoas mais próximas de Santiago finalmente ficaram sabendo o que estava para acontecer (essas pessoas foram as últimas a saber), já era tarde demais. Me emocionei muito com a cena do amigo dele correndo desesperado para tentar encontrá-lo antes que o pior acontecesse. Ele estava com Santiago minutos antes, mas como o imbecil que o alertou, só o fez depois que Santiago foi embora, ele perdeu a chance de salvar o amigo. Mas ele tentou. Tentou muito! Fez de tudo para ajudar Santiago, mas já era tarde. 

A cena da mãe dele nem vou comentar, pois não aguento. :( Era como se o destino tivesse marcado aquele rapaz. Como se tivesse decidido que ele iria morrer e ninguém conseguiria impedir, não importando o quanto tentasse. A morte de Santiago é horrível, gente! Horrível demais. E pelas mãos de pessoas que ele jamais imaginaria que pudessem fazer aquilo com ele. O modo como ele chega a sair caminhando enquanto agonizava... Meu Deus! Quero esquecer essas cenas!

"Nunca houve morte mais anunciada."

O inacreditável no livro todo é justamente isso: a morte de Santiago foi imensamente anunciada, pois, como eu disse, os assassinos queriam ser impedidos. Então, eles trataram de anunciar o que iriam fazer, porque não era possível que ninguém tentaria impedir a morte de um jovem que tinha crescido ali, que era conhecido de todos e amigo da maioria. Eles acreditavam que não precisariam matar Santiago, pois alguém, entre as autoridades e as pessoas comuns, os prenderia ou alertaria sua vítima. 

Mas Luna, se eles não queriam matar a vítima, então era só não matar, certo? Infelizmente, a questão era muito mais complexa. Não posso contar o motivo, pois seria spoiler, mas aquelas pessoas estavam praticamente obrigadas a fazer aquilo. E só lendo para entender. 

"[...] Principalmente, nunca achou legítimo que a vida se servisse de tantos acasos proibidos à literatura para que se realizasse, sem percalços, uma morte tão anunciada."

Embora eu não tenha feito a resenha do livro, dá para vocês perceberem como esta história mexeu comigo, certo? Eu ainda penso nela, quase um mês após lê-la... Fico lembrando dos acontecimentos e sentindo a mesma incredulidade e desespero. Tenho que reconhecer: Gabriel García Márquez era um excelente contador de histórias. Suas narrativas são sempre impecáveis. A pessoa pode até odiar algum dos seus livros, mas não sai ileso de nenhuma leitura. Ele tinha o dom para criar histórias impressionantes e contá-las de um jeito único. É uma pena que tenha insistido em alguns temas que me incomodaram muito e me fizeram ter um relacionamento quase que de ódio com suas obras. Crônica de uma morte anunciada, de certa forma, resgatou o autor para mim, quando eu já estava decidida a nunca mais ler nenhum dos seus livros. Depois desta história, eu reconsiderei a decisão de não ler mais suas obras. Resolvi lhe dar mais uma chance. 







 Literatura Irlandesa
Título Original: The Arabian mistress 
Tradutora: Celina Romeu
Editora: Harlequin
Edição de: 2015
Páginas: 256 

Sinopse: A última coisa que Faye precisava era ter que implorar pelo perdão do príncipe Tariq Shazad ibn Zachir. Fazia mais de um ano que não se viam. Mais precisamente, desde o dia em que se casaram. Mas o irmão de Faye fora feito prisioneiro no país de Tariq, e apenas ele poderia libertá-lo. Faye sabia que o reencontro seria difícil, mas acabou sendo surpreendida pela proposta de seu marido. Ele libertaria o irmão de Faye se ela aceitasse ser sua amante...




Este é um livro que reli após doze anos... Lynne Graham, mais de uma década atrás, costumava ser minha autora favorita dos livros de romances. Eu acredito que já li todos os livros dela que foram publicados no Brasil e foram MUITOS. Dezenas! Devo ter lido fácil, fácil, uns 60 livros da autora. Houve um tempo em que tinha isso anotado, mas no momento não sei onde está.rs Na época, eu era tão fã da autora que lia até mesmo os livros que ainda não tinham chegado ao Brasil, algo semelhante ao que fazia também em relação a minha querida Candace Camp e outras autoras amadas. 

E hoje em dia? Ainda sou tão fã da autora? SIM! A Lynne Graham sempre terá um lugar querido em meu coração. Todavia, ser fã da autora não significa necessariamente que se lesse certos livros dela hoje em dia "isso daria certo".kkkkkkkkk Se naquela época eu já me estressava com seus "mocinhos", que muitas vezes eu considerava verdadeiros vilões, atualmente sou ainda mais crítica. E com motivos!

Apesar de ter gostado da história, da escrita da autora que sempre me cativa e considerá-la digna das quatro estrelas que dei ao livro, eu não curti tanto assim o romance entre o casal. Na verdade... Me perguntei se eu poderia matar um personagem. No caso, o tal mocinho da história.rs

Tariq me irritou. Muito. MESMO!  A desigualdade da relação entre os dois, o desequilíbrio... E principalmente o fato de ele se aproveitar justamente disso. 

Aqui temos uma mocinha que cometeu o grande pecado de se apaixonar por um homem um pouco mais velho e, ingênua como era na época, ter mentido sua idade na intenção de pelo menos sair com ele, nem que fosse uma vez. Ela sabia que se ele soubesse que ela tinha apenas 19 anos, não iria lhe dar atenção. Ela errou? Claro. Mas isso não o autorizava a tratá-la como a tratou quando certas coisas aconteceram e eles tiveram o casamento mais curto da história. O casamento só durou o tempo de dizer "sim" e então tudo acabou. Enfim...

O que me irritou tanto no livro? Como eu disse, o desequilíbrio. Ver alguém numa posição de superioridade tanto pela experiência quanto pela situação financeira se aproveitar de alguém que não tinha nem metade da experiência dele e muito menos o dinheiro. E como ele se aproveitou? Se interessando por ela? Não. Sabendo o poder que tinha, ele se aproveitou de uma situação horrível pela qual ela passou para conseguir o que queria, pois era "superior" a ela. Tinha o poder e o dinheiro que ela não tinha e, assim, poderia fazer o que bem entendesse. Como humilhá-la diversas vezes na história

Faye, cerca de dois anos após o término do seu casamento relâmpago, se viu na situação de ter seu único irmão preso por dívidas num país árabe, onde as leis eram muito diferentes daquelas que ela conhecia. O fato de seu irmão ter falido era motivo para ele ser preso e somente se ela tivesse a quantia necessária para quitar suas dívidas é que ele poderia ser solto e voltar para casa, para os filhos pequenos e a mulher que não sabia como lidar com todo o sofrimento causado por sua prisão. Que o irmão dela foi um grande imbecil, eu não nego! Mas é justamente dessa situação que o Tariq vai se aproveitar e foi isso que tanto me incomodou na história. 

Por que dei quatro estrelas ao livro se tive sérios problemas com a história? Não sei!kkkkk Estou brincando. A verdade é que as estrelas foram mais pela autora que tanto admiro e pela nostalgia. Por ter sido um livro que li doze anos atrás, quando eu ainda era uma menina de 16 anos... e ter sido uma história que, naquela época, eu encontrei motivos para amar. 






 Literatura Inglesa
Título Original: Hansel & Gretel
Tradutor: Augusto Calil
Editora: Intrínseca 
Edição de: 2015
Páginas: 54

Sinopse: O prestigiado escritor Neil Gaiman e o brilhante ilustrador Lorenzo Mattotti se encontram para recontar o clássico João e Maria. Familiar como um sonho e perturbador como um pesadelo, o conto narra a saga de dois irmãos que, em tempos de crise e falta de esperança, são abandonados pelos próprios pais e precisam enfrentar com coragem os perigos de uma floresta sombria.

Em um texto poético, Gaiman revive a tradição dos contos de fada, dando profundidade à aventura dos irmãos, mas sem abandonar a autenticidade e o talento único de mesclar realismo e fantasia que o transformaram em um dos maiores autores de sua geração. Mattotti, por sua vez, dá um ar inteiramente novo ao clássico. Seus traços criam um jogo de luz e sombra, permitindo que o leitor desvende aos poucos a imagem, assim como os segredos da história de João e Maria.






Esta não é a versão que eu conhecia do clássico João e Maria.rs A da minha infância também tinha a questão sombria da bruxa que devorava crianças, mas não tinha o abandono dos pais. Isso eu tinha encontrado num outro conto de fadas que li alguns anos atrás chamado, se não me engano, o pequeno polegar

O conto narrado pelo Neil Gaiman é muito triste e doloroso. Fiquei tensa a leitura inteira, com medo da forma como ele terminaria, se seria a versão "feliz" que eu conhecia ou algo diferente. Ver as crianças serem abandonadas daquela maneira pelos pais, que sabiam que não havia outro destino para elas que não fosse a morte naquela floresta, me provocou revolta e muita tristeza. Eles estavam passando fome, mas nada justifica tamanha crueldade. Nunca amaram os filhos, pois quando amamos alguém fazemos até o impossível para protegê-lo. 

Não foi um conto que me fez bem, mas sem sombra de dúvidas é uma história que atravessou os séculos e, contada e recontada, segue sendo cheia de importantes lições. 



26 de novembro de 2020

Legado de Lágrimas - Lynne Graham


Literatura Irlandesa 
Título Original: Claimed for the Leonelli Legacy
Editora: Harlequin
Edição de: 2018
Páginas: 125 (e-book)

67ª leitura de 2020 (58ª resenha do ano)

Sinopse: Una chica inocente… Tia Grayson no había salido nunca del convento brasileño en el que vivía, hasta que Max Leonelli fue a buscarla con la sorprendente noticia de que era la heredera de una gran fortuna en Inglaterra, y la hizo arder de deseo con tan solo tocarla.


Un multimillonario… El abuelo de Tia quería casar a su protegida con su heredero, pero Max no era de los que se casaban. Hasta que la belleza de Tia hizo que reconsiderase su decisión.

¿Y un bebé? Max debía llevar a Tia a casa, pero la atracción era tan fuerte entre ambos que no pudieron resistirse a una noche de placer. La posibilidad de que esa noche hubiese tenido consecuencias dio a Max la oportunidad perfecta de convencer a Tia de que se casase con él.



Não sei se rio ou choro, sinceramente!rs Creio que não foi lá uma boa ideia ter apostado nesta história... 

Ao longo dos meus anos como leitora, li todos os livros da Lynne Graham já publicados no Brasil (o que é muita, muita coisa!!!) e até mesmo alguns que não chegaram aqui. É uma das minhas autoras preferidas, mas seus livros, para quem bem os conhece, não são fáceis. O machismo reina na maioria das obras e a vontade que sentimos é de esganar os mocinhos, bem como certos parentes das mocinhas. Existem ocasiões em que desejamos esganar as mocinhas também por serem tão tapadas, tão imbecis ao permitirem que os outros façam delas o que bem quiserem. 

E por que amo tanto a autora se existem tantas coisas que me incomodam em suas obras?! Talvez por loucura, masoquismo ou algo do gênero.rsrs A verdade é que ela escreve muitíssimo bem e é uma daquelas escritoras que mexem bastante com nossas emoções durante a leitura ao ponto de, querendo ou não, "viciarmos" em suas obras.rs E do mesmo jeito que sabe criar ogros, ela também, QUANDO QUER, cria mocinhos maravilhosos, que nos chocam por serem tão diferentes do "padrão" de "mocinhos-vilões" da autora. 

Mas... Creio que alguma coisa mudou em mim. Antes, ao ler romances, eu conseguia separar ficção da realidade com uma facilidade enorme. Por mais que desprezasse certas atitudes dos personagens (não só os da autora, mas de livros de outros autores também) e dissesse isso com todas as letras nas resenhas (explodindo com frequência e até exagerando na minha fúria ao escrever), eu era capaz de separar. De não trazer com frequência para a realidade situações que algumas vezes "funcionam" na ficção, mas que jamais poderiam ser aceitáveis na vida real. Sempre considerei que o leitor tem que saber separar as coisas, quando isso é possível, quando não é um exercício intolerável para a experiêcia de leitura. 

Acontece que existem coisas que não dá mais para separar. E, infelizmente, isso atinge as obras da Lynne Graham, autora por quem sempre terei um carinho enorme. A vida inteira a amarei, porque ela escreve muito bem, me envolve, mexe com minhas emoções, me faz "enxergar" seus personagens e me conectar com eles mesmo em histórias que possuem menos de duzentas páginas. Só que... Não consigo mais tolerar atitudes machistas de seus personagens sendo consideradas "normais" e sendo sempre as mocinhas aquelas que precisam ceder para "serem felizes para sempre". 

São elas que precisam recuar, compreender, desistir de seus sonhos... tudo para satisfazer o machismo dos mocinhos que amam, tudo em nome da felicidade. Quando começamos a notar isso (pois existem vezes que ficamos tão envolvidas pelo "romance" que nem percebemos os absurdos das histórias) a leitura deixa de ser algo prazeroso, o romance deixa de nos fascinar... Eu, pelo menos, passo a me sentir "sufocada" ao notar a quantidade de opressão que as mocinhas suportam e aceitam como se só aceitando pudessem ser felizes. E é exatamente isso que encontramos em Legado de Lágrimas, livro que até onde eu sei ainda não foi publicado no Brasil. Ele está disponível em espanhol na Amazon, no formato e-book. 

Esta resenha terá SPOILER. A partir de agora!
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Em Legado de Lágrimas temos a história de Constancia (Tia) Grayson, uma jovem de vinte e dois anos que passou a vida inteira trancada num convento e que mesmo depois de adulta permanece sob a proteção de seus muros, pois não conhece outra realidade de vida, não possui recursos ou apoio para sair dali e realizar o sonho de ser professora, de fazer uma graduação e conquistar a independência que tanto desejava. 

Abandonada pela mãe ainda pequena, teve o azar de ser criada por um pai extremamente machista e insensível que quis ser missionário e "ajudar os outros", enquanto deixava a filha na segurança do convento, de onde não queria que ela saísse jamais. Seu objetivo era que a filha se tornasse freira, que se mantivesse pura para sempre, tivesse ou não vocação. Os sonhos dela não lhe importavam. Ela como ser humano não lhe interessava de modo algum.

Todavia, para mudar o destino da protagonista, existia um avô paterno que por mais de duas décadas fingiu que ela não existia, mas que ao se ver com pouco tempo de vida "se lembra" da existência dela e decide mandar que a procurem e a levem para morar com ele, com a promessa de que ela herdaria toda sua fortuna, o que era seu direito como única parente viva (o pai da mocinha tinha falecido). Ele, então, pede que seja Max, seu braço direito nos negócios, quem busque Tia e de preferência dê um jeito de convencê-la rapidamente a se casar com ele, pois como ela era uma mulher e que ainda por cima passou a vida inteira trancada, os negócios estariam ameaçados se ela herdasse tudo sem ser casada, sem ter alguém que cuidasse dela e de seus bens. 

Max Leonelli era um homem de vinte e oito anos com um passado traumático e que aos doze ou treze anos de idade foi adotado pela tia materna, após um acontecimento brutal, e passou a morar na propriedade do avô de Tia. Embora não morasse na casa principal, mas sim no alojamento dos funcionários, Andrew pagou pelos seus estudos e mesmo depois de adulto e de conquistar sua própria fortuna com muito esforço e sacrifícios, ele continuava a se sentir em dívida com aquele homem, o que será seu principal motivo para ceder quando Andrew pede que ele venha até o Brasil (onde ficava o convento em que Tia estava) para buscar sua neta. 

Ao se conhecerem, Tia e Max sentem atração à primeira vista. Ela nunca tinha tido contato com rapazes de sua idade, muito menos com um homem tão lindo e confiante, tão dono de si e que parecia dominar qualquer ambiente no qual estivesse. Era tudo uma novidade para ela e foi natural ceder à atração que ele despertou. Max, por sua vez, fica fascinado por conta da imensa beleza da mocinha. Em questão de poucas horas estão envolvidos e em poucos dias já são marido e mulher e de viagem marcada para a Inglaterra, onde a nova fase da vida da mocinha terá início... Tudo da maneira mais rápida... Como se estivessem na Fórmula 1. 

Vou desconsiderar o pai da mocinha, que é o machista mais óbvio do livro e que, felizmente, não precisamos aguentar, pois quando a história começa ele já está descansando em paz. Não falarei dele, pois pelo que mencionei acima já dá para perceber o caráter da criatura que a Tia teve o azar de ter como pai. 

O livro já começa nos provocando asco com a conversa entre Andrew (avô da protagonista) e o Max, quando dá para notar que o único interesse do "zeloso" avô pela neta há tanto tempo esquecida, é a questão do sangue, de querer que alguém do seu sangue fique com o império que ele construiu. Ele não a vê como um ser humano capaz, alguém que possa aprender a administrar o que vai herdar nem nada. Na verdade, ele nem quer isso, pois ela é mulher. Ele quer que o Max a seduza e se case com ela, o que seria fácil (ele dá a entender), pois a jovem cresceu no convento, enquanto Max tinha bastante experiência. Assim, através do casamento, sua neta seria "protegida" do mundo e seus bens estariam sob o controle de Max. Mas até aí, em nossa ingenuidade como leitores, nós acreditamos que Tia realmente vai herdar o que é seu direito, por mais que o avô fizesse aquele acordo nojento com o mocinho. Só que... na leitura do testamento percebemos até onde aquele avô era capaz de ir em seu comportamento repugnante. 

Sim, já adianto que ele não deixará praticamente nada para a neta, apenas uma de suas casas e o dinheiro suficiente para a manutenção da referida propriedade. Casa esta que ela sequer poderá vender, pois deverá ficar para os seus filhos. Todos os demais bens ficam para o Max, numa clara tentativa de manter a mocinha constantemente sob o controle de um homem: primeiro do pai, depois do avô e por último do Max. Ela não teria nada que o Max não quisesse, exceto a casa, claro! E mesmo que ocorresse um divórcio, o testamento autorizava que o Max decidisse o que ela teria ou não após a separação. Tudo estaria nas mãos dele, pois Tia tinha sido entregue aos seus cuidados. 

Mas voltemos ao casamento relâmpago e a desistência, por parte da mocinha, dos seus sonhos, que não incluíam casamento e maternidade. Pelo menos num futuro próximo. A autora deixa claro que Tia queria independência, queria experimentar a liberdade que nunca teve. Que não pensava em se casar e nem ter filhos tão cedo. Mas aí o mocinho a seduz e "esquece" de usar preservativo. Ele nunca antes na vida tinha esquecido, nem mesmo quando adolescente!!! Mas aí com a mocinha ele teve amnésia, se esqueceu, coitadinho, de usar camisinha. Não foi sua culpa, claro que não! E aí imediatamente ele DECIDE que eles têm que se casar, e bem rápido, pois a mocinha pode ter ficado grávida. E aí não podemos esquecer que a garota em questão, apesar de ter vinte e dois anos, não conhecia nada da vida. Obviamente ela não usava anticoncepcional e se viu diante de uma situação que com certeza a assustou, que era a possibilidade de ficar grávida e sozinha no mundo se não aceitasse a "generosa" oferta de casamento. Claro que ela não pensou em contraceptivo de emergência (a chamada pílula do dia seguinte), pois nunca sequer tinha ouvido falar disso. Ou seja, tudo cooperava para o bem do mocinho.

Tia não fica animada com a ideia de casamento e gravidez, pois isso ia contra o que ela sonhava para sua vida naquele momento, ainda mais considerando que seria um casamento com um desconhecido. O que ela sabia do Max? Nada. Mas ela acaba se casando, com medo de ficar sozinha com um bebê. Ela até sugere que eles esperem um tempo, para ver se ela realmente ficou grávida, e assim talvez fosse desnecessário se casar. Mas o Max vem com a desculpa que seria uma DECEPÇÃO para o avô dela se eles tivessem que se casar quando todos pudessem fazer as contas e perceber que ela engravidou antes do casamento. Mocinha criada no convento, lembram? Religião, costumes, tudo era importante para ela. E apelar para isso era uma ótima forma de convencê-la a tudo que ele quisesse. 

E claro que as coisas não serão um mar de rosas para a mocinha. Porque quando de fato ela descobrir que está grávida, poucos meses depois do casamento, a reação do Max será péssima. Como se ela o tivesse colocado numa armadilha (sim, ele é muito engraçadinho, não acham?!), já que ele não quer ser pai. O apoio que ela deveria receber não chega. É como se ela fosse culpada da gravidez, como se a responsabilidade fosse unicamente dela. E tudo isso por causa dos traumas do passado dele. Que sim, são fortes. Realmente ele teve uma infância de horror, mas a mocinha não tinha nada a ver com isso, nem o bebê que ela esperava. Enfim...

Quando percebemos o quanto este livro é problemático não conseguimos sequer enxergar o romance, o amor entre os personagens. Não acreditei no amor deles. Não acreditei no dela porque ela foi levada ao casamento, porque em tudo foi muito bem manipulada. E não houve momento naquela relação desigual e confusa no qual pudesse ter surgido o amor. Nem trabalhar ela podia porque era algo que desagradaria o marido. Quando ela menciona que quer trabalhar, ele já trata de deixar "no ar" (mas não de maneira explícita) o quanto ficaria decepcionado com aquilo e a mocinha recua, diz para si mesma que está apenas adiando por um tempo... E da parte dele também não pude acreditar, pois suas atitudes não falavam de amor. Ele "cuidava" dela, nunca a maltratou, nem física ou psicologicamente. Nada era explícito. Nem mesmo a acusação sobre a gravidez foi explícita. Foram seus olhares, sua evidente "decepção". Seu silêncio, seu afastamento. Ao ponto da mocinha fugir, com medo de ter que criar uma criança num lar em que teria uma constante "tensão", onde a criança sempre sentiria que existia algo errado, embora não ficasse claro o quê. 

Não contarei como o livro termina, mas posso dizer que não, a mocinha não irá conquistar a independência que sonhou. Recuar, ceder... É o que sempre acontece nestes casos para que a mocinha tenha o seu "felizes para sempre". É a mocinha quem abre mão de tudo para agradar o mocinho. Não consigo mais enxergar romance em algo assim. Não consigo mais deixar "passar" tantos absurdos. Mesmo que ame a autora, mesmo que seja uma escritora muito querida por mim.

Recomendo a história?! Claro que não. A escrita da Lynne é maravilhosa, a história é envolvente se você deixa "passar" tudo o que mencionei. Mas não tenho como recomendar um livro que fez eu me sentir sufocada, que lamentei profundamente por tudo o que a mocinha aceitou. Quando minha vontade era dizer que ela não precisava daquele tipo de relação para ser feliz. Que estava na hora de não permitir mais que homem algum tomasse decisões por ela. Que não deveria voltar para ele, muito menos quando ele deixou claro que tudo continuaria sendo do jeito dele. 

Os romances, as histórias de amor, sempre serão o meu gênero preferido, pois sou uma eterna romântica e amo demais estes livros cheios de paixão, que me arrebatam e encantam! Mas... histórias absurdas como Legado de Lágrimas eu dispenso. Não quero ler livros assim, não. Nem para passar raiva!rs


-> DLL 20: Do seu gênero favorito

9 de julho de 2018

Joia da Coroa - Lynne Graham



“Uma esposa virtuosa é mais valiosa do que os rubis…”

O sheik Raja al-Somari está ciente de que seu dever é sacrificar a própria liberdade pelo bem do país que governa. Porém, ele terá de utilizar táticas mais amenas para conquistar sua noiva… De um dia para o outro Ruby Sommerton deixou de ser uma garota comum, do tipo que fofocava todas as noites com sua companheira de apartamento, e se tornou uma princesa. Agora, ela aguarda ansiosamente pela chegada de seu príncipe dentro de um dos quartos do palácio no deserto. Ruby tem muito a aprender sobre etiqueta real. E ainda mais sobre as noites quentes na companhia de seu marido…



Palavras de uma leitora...



- A última vez que li um livro da minha autora querida foi em outubro do ano passado. O motivo? Já li tudo o que foi publicado dela aqui no Brasil.kkkkkkkk... Até mesmo livros que não foram eu já li.rs O único que eu achava que ainda não conhecia era Joia da Coroa e foi muito bom descobrir isso, pois era a escolha perfeita para começar minha Maratona Romances de Banca

Eu estava preparada para me estressar. Para desejar matar o mocinho... Coisas que geralmente se passam quando lemos algo da Lynne Graham. Muitos de seus mocinhos (não todos, claro) são esganáveis. Cretinos que se fazem de surdos para não ouvir nada do que as mocinhas digam e as acusam de mil coisas que eles imaginam que elas fizeram. Ou seja, é para passar muita raiva. Todavia, nesta história eu encontrei um personagem maravilhoso, que me fez pensar em contos de fadas... Me senti muitíssimo bem enquanto acompanhava o romance entre Ruby e Rafa e estava realmente necessitando demais de uns momentos tranquilos. Precisava de sossego. De uma história leve para passar o tempo e tirar as preocupações da mente. Tenho sentido como se o peso do mundo estivesse sobre os meus ombros e tudo o que eu queria era me sentir bem. Só isso. E o livro foi perfeito. Uma delícia! 

"Seria possível que o futuro de todo um país estivesse nas mãos dela?"

Aos 21 anos, Ruby já tinha enfrentado problemas suficientes na vida para desconfiar de todos os homens e tentar levar a vida de maneira independente e sensata. Não deixando espaço para emoções que a confundissem e a fizessem cometer os mesmos erros que destruíram a vida de sua mãe. Não estava satisfeita com a rotina entediante que levava como recepcionista e sempre estava sem dinheiro para o lazer, mas pelo menos conseguia pagar suas contas. Com o tempo, tudo melhoraria. 

E não foi sem choque que ela recebeu uma visita extremamente inesperada de um homem ligado ao seu passado... como filha de um rei de um país pequeno e distante, parte do mundo oriental. Durante a vida inteira sua família paterna tinha preferido ignorar a sua existência, já que ela era fruto do primeiro e malsucedido casamento de seu pai e tivera o "azar" de não nascer homem. Agora, como o país enfrentava uma séria crise após a morte de todos os herdeiros do trono fosse na guerra ou num acidente de avião, ela passara a ser considerada valiosa. Porque apenas o seu casamento com o herdeiro do país vizinho poderia encerrar um conflito antigo e sangrento e possibilitar a tão sonhada paz para o povo de ambos os países.

"Em sua mente pairava o sofrimento de pessoas simples, cujas vidas tinham sido arruinadas pelo conflito."

Determinada a não se sacrificar por pessoas que nem procuraram saber se ela estava viva ou morta durante todos aqueles anos, que lhe viraram as costas quando sua mãe tentara uma reaproximação, ela se nega terminantemente a aceitar um casamento por conveniência com uma pessoa que nunca sequer tinha visto na vida. Mas Rafa conhecia suas próprias responsabilidades e não desistiria antes de fazê-la entender que era a vida de milhares de pessoas que estava em jogo. 

"Nos últimos anos, vinha se queixando do marasmo que sua vida se tornara e, de repente, via-se confrontada pela verdade daquele velho ditado: Cuidado com o que deseja!"

- Como eu disse, este livro foi uma surpresa deliciosa. Eu amei os protagonistas desde o início. A mocinha com sua independência e jeito decidido, que sabia o que queria e não abaixava a cabeça para os outros só por eles serem mais "importantes". O mocinho com seu senso de dever, sua paciência e compreensão. Por mais que ele fosse um tanto reservado e o comportamento da mocinha o chocasse, pois era bem diferente das outras mulheres com as quais ele geralmente lidava, ele se importou com a mocinha desde o começo da relação deles. Ainda que as explosões dela o deixassem desnorteado, ele parava para pensar e entendia que realmente não estava fazendo as coisas da maneira correta, que ela precisava do apoio dele. E então procurava agir certo para não magoá-la. Eu o achei maravilhoso! O casamento poderia ser novo para a Ruby, mas era também para ele e acabam tendo que aprender juntos. 

"- Não me chame de 'esposa' de novo - resmungou Ruby, girando o anel no dedo, inquieta - Faz com que eu me sinta uma prisioneira."

- Embora tenha lutado bastante contra o casamento, pois era um absurdo, uma loucura, quando entende a situação do país no qual nasceu, quando percebe que muitas pessoas estavam sofrendo e que sem aquele casamento existia a possibilidade de estourar outro conflito entre aquele e o país do mocinho, ela acaba cedendo, não sem antes estabelecer algumas regras. Como, por exemplo, o fato de ser um casamento de fachada. Apenas no papel. Com prazo para acabar. Ela cumpriria sua obrigação e quando as coisas estivessem em paz, simplesmente entraria com o pedido de divórcio. Bem... ela foi ingênua, mas valeu a intenção.rsrs

- Mesmo tendo amado muito a Ruby, confesso que existiram momentos nos quais ela me estressou. Como quando se ofendeu por ele considerá-la sua esposa. O cara só faltava lhe oferecer a lua, a respeitava e queria vê-la feliz e a outra achava a palavra "esposa" algo ofensivo, inaceitável. É absurdo demais para minha cabeça.rsrs Afinal de contas, ela não foi obrigada. Tinha a opção de dizer não e permanecer firme. Ninguém a amarraria e levaria até o altar. Portanto, uma vez que era sua esposa seria infantilidade dar chiliques por coisas tão insignificantes. E, na verdade, o fato de ele a ver como esposa era o natural, certo? Porque ela era sua esposa, caramba!kkkkkkkk... Queria que ele a visse como o quê?! 

Isso não a torna uma protagonista desagradável. Apenas tinha seus defeitos e erros como qualquer pessoa. E uma coisa nela que a fez ganhar meu coração foi seu carinho por uma garotinha de 3 anos, que ela conheceu durante uma visita oficial ao orfanato. Por conta da guerra, muitas crianças perderam suas famílias e Leyla, que se mantinha distante de qualquer pessoa que visitasse o local, se apegou à Ruby. Ao ponto de ter uma crise de choro quando ela teve que ir embora. Isso fez com que a mocinha passasse a visitar o orfanato todos os dias e desejasse adotar a criança. Acabaram formando um laço. Eu amei a Leyla! Uma menininha carente de amor que escolheu aquela que seria sua mamãe. 

- É uma leitura que recomendo aos fãs da autora e quem gosta de histórias curtas e leves, com um toque de sensualidade (mas que não chega a ser erótico de modo algum) e a garantia de um final feliz. 



Com este livro eu abri a Maratona Romances de Banca, que consiste na leitura de pelo menos um livro de banca por mês, preenchendo os temas escolhidos. O tema de julho é Autora preferida. Em agosto trarei a resenha de um livro sobre Casamento em Crise. Aguarde! E se quiser participar basta escolher seu livro e lê-lo! :) 

Bjs!

16 de outubro de 2017

Futuro Roubado - Lynne Graham

(Título Original: The Sicilian's Stolen Son
Tradutora: Vera Vasconcellos
Editora: Harlequin
Edição de: 2017)

Uma deliciosa mentira.

A única conexão que Jemima Barber possui com Julie, sua falecida irmã gêmea, é seu sobrinho. Por isso, quando o pai do menino aparece e ameaça tirá-lo de Jemima, a jovem decide se passar pela irmã e fazer de tudo para permanecer com a criança. Apesar de ela ser muito mais gentil do que Luciano Vitale se lembrava, ele está decidido a fazê-la pagar por ter roubado o seu filho… de uma forma extremamente prazerosa. Porém, Luciano logo descobre que Jemima é muito mais inocente do que poderia imaginar. Agora, ele tem outra proposta em mente: transformá-la em sua esposa.



Palavras de uma leitora...


- A semana passada foi extremamente corrida. E estressante. Eu já não estava mais em provas, mas o desgaste causado por elas ainda permanecia, refletindo nas minhas leituras. Ou melhor, impedindo-as. Sério! Foi muito complicado ler. E não era nem por falta de tempo, mas de disposição mesmo. Tudo o que eu queria era dormir. Só pensava nisso.kkkkk... Acabei por não conseguir postar nada nessa semana que passou. :(

Todavia, estou aqui recuperando o tempo perdido. Infelizmente, não é com a resenha de um livro arrebatador ou algo do gênero. Na verdade...

Sabe quando uma história não funciona? Quando ela não consegue te prender, te convencer ou conquistar? Quando você simplesmente não vê a hora de terminá-la e poder partir para a leitura de algo melhor? Foi bem o que aconteceu comigo. E sim! É um livro da Lynne Graham. E uma coisa que sempre disse sobre os livros dela é que eles podem ser qualquer coisa menos entediantes. Isso até eu ler Futuro Roubado

Não irei culpar a história por completo. Meu estado emocional não era dos melhores durante a leitura. Eu estava com o estresse além do limite, preocupada com as provas, muito ansiosa e cansada. Tudo o que eu não precisava era de uma leitura que fosse mais do mesmo e com a agravante da mocinha ser uma tapada. Se a Jemima pelo menos tivesse um pouco de atitude eu não teria ficado tão irritada e louca para me ver livre da história. Mas como nada estava ao meu favor...rsrs

- Nunca fico feliz ao falar mal de um livro. Nunca mesmo. Todas as vezes que explodi aqui, fazendo resenhas estressadas e chamando os livros de todos os nomes que conseguia recordar foi porque tais histórias de fato me tiraram do sério. E sou uma pessoa emotiva. Amo e odeio com intensidade. Assim... alguns livros sentiram nas "páginas" o meu desprezo.rs Mas isso não significa que pulei de felicidade ao escrever resenhas em que "maltratava" as histórias. E quando a história é da Lynne Graham... aí mesmo que não suporto falar mal. 

Após perder a esposa e a filha num terrível acidente, Luciano jurou que jamais voltaria a se casar. Mas o desejo de voltar a ser pai não o abandonava e só aumentava com o passar do tempo. Queria um filho. E a única maneira de consegui-lo sem voltar a ver-se preso na armadilha do casamento era contratando alguém para ser barriga de aluguel. Um contrato simples, sem que os dois sequer se conhecessem. Ela daria à luz, entregaria a criança e desapareceria da vida deles como se nunca tivesse existido. Tudo muito simples. Só que não. Principalmente depois que a escolhida percebe quem era o homem que a contratou. 

Problemática e capaz de tudo por dinheiro, Julie não hesitou antes de roubar a identidade da irmã gêmea e se candidatar ao "cargo" de barriga de aluguel. Não desejava mesmo prender-se a filho algum e o valor oferecido era tentador demais. Porém, depois de todas as desvantagens da gravidez e de descobrir quem era o pai da criança, ela decidiu fugir com o bebê, jurando entregá-lo apenas se Luciano estivesse disposto a pagar muito mais para ter o que tanto desejava...

Frustrado e enfurecido, ele contrata um detetive particular para tentar localizar a infeliz que roubou seu filho e conforme revelações bombásticas vão sendo feitas em relação à mãe que ele escolheu para seu filho mais nojo e desprezo ele sente... Como pôde cometer um erro tão grande? De todas as mulheres como sua equipe pôde ser tão imbecil ao ponto de escolher uma ladra, prostituta e mercenária? E quando finalmente a conhece... Seus olhos inocentes e sua aparente ingenuidade não são capazes de convencê-lo. Nem mesmo as palavras mentirosas que saem de sua boca. Levaria seu filho custasse o que custasse. E nunca mais voltaria a ver aquela mulher. 

Jemima ainda tentava lidar com a morte de sua irmã e todo o caos que ela provocou antes disso. Não tinham crescido juntas. Nascidas de uma mãe viciada em drogas e sem a menor ideia de quem poderia ser o pai delas, as duas foram separadas ainda pequenas. E enquanto Jemima cresceu num lar humilde, mas confortável e com pais acolhedores, Julie sofreu mais de uma vez a rejeição. Assim, quando ela apareceu em sua vida, Jemima a recebeu de braços abertos, acreditando em suas palavras e em seu falso carinho. Encontrou justificativas para suas atitudes mesmo depois da irmã roubar sua identidade e usá-la daquela maneira... E ainda quando ela deu à luz a um bebê com o qual não se importava e se recusou a entregá-lo ao pai por querer mais dinheiro. Em todo o momento a perdoou e aceitou... E agora Julie estava morta. O que fazer com seu sobrinho? Sequer cogitava a possibilidade de entregá-lo à adoção e não fazia ideia de quem era o pai da criança. Sabia do acordo que a irmã fizera utilizando seu nome, mas a outra jamais revelou o nome dele. Sua única alternativa era criar o sobrinho como se fosse seu filho e tentar seguir da melhor maneira possível.

Só que todos os seus planos vão por água abaixo quando Luciano aparece em sua porta, exigindo seu filho de volta e acreditando que ela era a mãe da criança. Não estando pronta ainda para abrir mão do bebê, Jemima resolve levar a farsa adiante, sabendo que seria muito mais fácil para ele livrar-se da tia de Nick nos tribunais do que de sua mãe biológica. E se era o seu nome que estava na certidão de nascimento do menino por que não se aproveitar disso? Sua consciência poderia dizer que ela estava errada, mas quando olhava nos olhinhos do bebê que criava desde o nascimento... tudo o que era certo ou errado perdia importância.

E quando uma atração incontrolável a aproxima de Luciano, tudo torna-se ainda mais complicado...

- O livro até tinha uma premissa boa, apesar de ser mais do mesmo e eu não estar num momento para isso. Mas a história não convence. Pude enxergar o amor da Jemima pelo bebê, porém isso foi o máximo. Não pude ver de onde diabos surgiu o amor dela pelo Luciano e vice-versa. Atração física sim, com certeza. Estavam morrendo de desejo um pelo outro. Não podiam se ver que já pensavam no quanto um era sedutor e tinha essa ou aquela parte do corpo capaz de causar calor. Pensavam o tempo inteiro em sexo e química e eu estava a fim de uma leitura mais substancial. Não me digam que eu deveria ter procurado outro tipo de leitura porque não é bem verdade. Os livros da LG são substanciais quando ela quer. Só que ela não estava com vontade de algo assim ao criar o Luciano e a Jemima. O passado dele é muito triste, claro. Mas o casal passa tão pouca emoção que nem chegamos a sentir empatia. 

E a Jemima é uma pateta. Tudo a imbecil perdoava, compreendia, aceitava. Era uma estúpida do tipo mais irritante. Não tinha atitude para nada. E nem mesmo quando se estressava ela conseguia ter um pouco de cor, todo o tempo estava apagada. Não pude suportar. É uma mocinha que NÃO vai deixar saudades.rs

- Enfim... A leitura realmente não funcionou para mim. Claro que isso em nada diminuiu meu carinho pela autora que sempre será uma das minhas preferidas. Simplesmente, preferirei esquecer este livro.kkkkkk... 

E recomendo que vocês deem uma chance à história! Eu não estava num bom momento quando a li e isso influenciou bastante a leitura. É possível que vocês leiam e se apaixonem! :)

Bjs!

26 de fevereiro de 2017

Noiva Inadequada - Lynne Graham

(Título Original: Leonetti's Housekeeper Bride
Tradutora: Tina TJ Gouveia
Editora: Harlequin
Edição de: 2016)

Esposa inocente...

O magnata Gaetano Leonetti está sob forte pressão. Até que se case, seu avô não permitirá que ele se torne CEO do império da família. Convencido de que o patriarca enlouquecera, Gaetano está determinado a fazê-lo mudar de ideia, e convence a governanta Poppy Arnold a ser sua noiva de conveniência. Com sua natureza enérgica e estilo incomum, Gaetano sabe que ela não é o tipo de esposa que seu avô tinha em mente. Porém, a dedicada e generosa Poppy acaba conquistando a todos… inclusive a Gaetano. Agora, tudo o que ele consegue pensar é em possuí-la por completo!



Palavras de uma leitora...



- Sabe quando você não simpatiza com um mocinho? Você tenta. Muito. Mas acaba por perceber que o problema está todo nele. O que aumenta ainda mais sua irritação. 

" - Não me envolvo com a criadagem - dissera ele, enfatizando o fato de que ambos não eram iguais e de que sempre pertenceria a uma camada social diferente."

- Mocinhos cretinos, filhos da pontualidade, não são nenhuma novidade nos livros desta autora. E o Gaetano nem sequer é o pior deles. Ele é um miserável? Com certeza. Um completo babaca? Sem sombra de dúvidas! Ainda assim já conheci trastes piores. Só que eu não estava no momento ideal para ler este livro. Daí a raiva e desprezo que ele e a mocinha me provocaram. Porque ele é um filho da p., mas ela é uma estúpida que o deixa tratá-la como bem quer e isso a torna o principal alvo da minha irritação. Em pleno século XXI como uma mulher pode deixar que um homem faça tão pouco dela?! Está mais do que na hora dessas mocinhas entenderem que não estamos mais vivendo no século XVIII.

"- Não fale comigo deste jeito! - disse zangada e em tom de aviso.
 - Posso falar com você do jeito que eu quiser. Estou na minha casa e parece que você é minha funcionária."

- Este trecho condenou o Gaetano sem chance de defesa. Porque ele não merece qualquer consideração da minha parte. É um arrogante que acha que o mundo gira ao seu redor e é capaz de qualquer coisa para conseguir o que deseja, inclusive usar uma lerda que se via numa situação complicada e, não tendo um pingo de amor-próprio, aceita ser usada para que ele atinja os seus fins. 

Não há dúvidas que alguém precisa atualizar este suposto mocinho. De preferência, quebrando algo em sua cabeça. Ele pode falar com ela do jeito que quiser?! Por que ela é funcionária dele?!!! Em que época ele acredita que estamos vivendo? Existem leis trabalhistas neste mundo. E não! O fato de ela trabalhar para ele não lhe dá o menor direito de falar com ela da maneira que ele bem entender. Ela era sua funcionária e não sua escrava. O fato de ele ser podre de rico e patrão de alguém não o torna melhor. Na verdade, levando em conta a falta de qualidades que ele tem, o torna bem pior. 

" - Isto está puramente relacionado ao sexo, bella mia, e espero resolvermos tudo no quarto. O fato de você ser uma virgem ou uma vadia enrustida, não me importa nem um pouco."

- Se um homem falasse comigo da maneira como o Gaetano falava com a lesada, digo, Poppy, ele ficaria sem todos os dentes. Mas como a mocinha não tem um pingo de amor por si mesma, ela permitia tudo e chegava a nem sequer se ofender com algumas coisas que ele falava. Ela até reagia em alguns momentos, mas, de modo geral, deixou ele sambar em cima dela. Até o final do livro. E mesmo após saber o real motivo do cretino ter escolhido justamente ela como noiva de mentira, a tonta ainda ficou com ele! Fez um pequeno show dizendo que iria embora, mas todo mundo conseguiria perceber que não passava de um blefe. 

A história começa quando Gaetano está enfrentando um escândalo em sua vida que ameaça a realização de um de seus principais objetivos: tornar-se o presidente do banco da família. Ele tinha dado uma festa bastante... particular... em sua propriedade. E após fotos de prostitutas nuas começarem a se espalhar pela imprensa, seu avô ficou ainda mais determinado a não lhe dar a presidência enquanto ele não criasse juízo e formasse uma família. Enfurecido por aquele novo obstáculo, ele foi até sua propriedade para despedir a governanta que tinha fornecido as fotos e ainda falado mal sobre ele para os jornais. Mas ao chegar lá, não é a senhora que o viu crescer que ele encontra, mas sim a filha dela, a mulher que na adolescência não escondia o amor que sentia por ele. E a surpresa não poderia ser maior, uma vez que o patinho feio tinha virado um cisne capaz de deixá-lo sem fala (uma pena que ele não ficou mudo pra sempre). 

Embora não tenha ficado nem um pouco comovido pelas justificativas que ela deu para o comportamento da mãe e sua súplica para que ele levasse em conta todos os anos que sua família tinha servido a família dele, Gaetano começa a perceber que poderia usar aquela situação para se ver livre das condições do avô e conquistar o lugar que queria. Nada melhor do que usar o desespero e a ingenuidade da mocinha para convencê-la a desempenhar o papel de noiva... Afinal de contas, ela era perfeita para aquele papel. Não existia ninguém melhor. E quando ele rompesse o noivado, ninguém ficaria surpreso, muito pelo contrário, todos sentiriam alívio por ele ter recobrado o juízo e seu avô teria que reconhecer que ele ao menos tinha tentado.

Mas o feitiço vira contra o feiticeiro... e a noiva que ele julgava tão inadequada e embaraçosa conquista o coração de seu avô, fazendo com que ele não tenha outra opção senão transformá-la em sua esposa... por tempo determinado.

- Até mesmo fazer este pequeno resumo da história fez meu sangue ferver de raiva. Cada coisa que eu lembro do mocinho ter feito me dá vontade de esganá-lo. Não consigo entender o que a imbecil viu nele. Homens lindos existem aos montes por aí. Ela não precisava ficar com um projeto malfeito como ele. Mas como o amor sofre de cegueira incurável... 

"O seu corpo era tudo que ele queria, compreendeu Poppy com uma pontada de dor no peito. Ao menos se fosse sua esposa legalmente, as coisas pareceriam menos cruas, não pareceriam?"

- Será mesmo? Me pergunto como uma mulher de vinte e poucos anos conseguia ter pensamentos tão imbecis como os desta mocinha. Ela própria reconhecia que tudo o que ele queria (depois da presidência do banco) era se perder por algum tempo no corpo dela e que só pretendia se casar com ela por causa do banco. Mais nada! O corpo dela ele sabia que poderia ter a qualquer momento, uma aliança de casamento era desnecessária. Mas aí a tonta pensa que as coisas não seriam tão carnais se ele se casasse com ela. O relacionamento não seria "sujo", segundo os pensamentos dela. Isso confortaria o coração da mocinha, independente do fato de ela saber que o casamento não passaria de uma grande farsa, com prazo para acabar e que ela só teria os direitos que ele quisesse lhe dar. Interferir na vida dele não era um deles. E claro que ela não poderia fazer perguntas sobre nenhuma ex-mulher que insistia em permanecer em sua vida, afinal de contas, ela não era sua esposa de verdade. Era apenas alguém com quem ele transava e levava seu nome. Nada de mais. Isso não a tornava sua esposa de verdade. 

- O que eu acho mais engraçado (só que não) é que no final da história ele vem com aquela conversa fiada de que descobriu que a amava e não podia viver sem ela e o bebê (que ele tinha chamado de pesadelo, já que atrapalhava seus planos), e a retardada acredita, confessa que também e o ama e lá vem o felizes para sempre. Com alguém como ele!!!! Como ser feliz com alguém tão egocêntrico? Nunca vou conseguir entender. Enfim...

- A Lynne Graham é uma das minhas autoras preferidas, mas isso não me torna cega. Não é por amá-la que vou dizer que uma história é maravilhosa quando não é. Noiva Inadequada passa bem longe disso. Jamais seria entediante, pois os livros dela nunca são, mas é impossível não ter desejado que o livro terminasse logo para que eu me visse livre deste casal tão insuportavelmente desprezível. 

- Algo que me deixou bastante surpresa e com uma dorzinha no coração foi perceber que eu fui a primeira a dar 3 estrelas ao livro no skoob. As outras pessoas avaliaram o livro dando 4 ou 5 estrelas. Talvez tenha sido realmente o momento errado de lê-lo. Nunca fico feliz em dar menos de 4 estrelas aos livros da minha autora. Mas não mentiria para vocês e nem para mim mesma. O livro, infelizmente, mal é digno de 3 estrelas, na minha opinião. :(


15 de outubro de 2016

Fim da Inocência - Lynne Graham

(Título Original: Unlocking Her Innocence
Tradutor: Maurício Araripe
Editora: Harlequin
Edição de: 2014)


Uma atração impossível.

Três anos atrás, Ava Fitzgerald roubou o que o bilionário Vito Barbieri tinha de mais valioso: a vida do irmão dele. Desde que saiu da prisão, Ava luta contra lembranças fragmentadas daquela noite. Sua desorientada investida em Vito, a rejeição humilhante, e nada mais. Agora, a recente fusão empresarial de Vito o deixará cara a cara com sua nova funcionária, uma confusa Ava. Assombrado pelo passado, ele pretende se vingar. Mas seus planos dão lugar a um desejo impossível.



Palavras de uma leitora...



- Ainda me custa acreditar... que esta história foi escrita pela LG. Mesmo após ter lido livros diferentes da autora, nada pode se comparar a este livro. É Lynne Graham nos provando, de uma vez por todas, que só escreve livros com mocinhos cavalos-chantagistas-canalhas-miseráveis-que-queremos-esfolar porque ela quer. Simples assim. Ela gosta de nos irritar. Gosta de saber que nosso sangue vai ferver ao encontrarmos mais um traste fingindo-se de mocinho. Que vamos xingá-lo, desejar esganá-lo e depois ficarmos furiosas com ela, e com nós mesmas, por acabarmos perdoando-o, quando sabemos que tudo o que o infeliz merecia era que a mocinha lhe atirasse algo na cabeça, lhe mandasse para o quinto dos infernos e terminasse a história com um mocinho de verdade. 

Quantas e quantas vezes eu já cheguei a tremer de raiva após ler um livro da autora? Cinquenta... sessenta vezes? E tudo para agora ter total certeza de que ela sempre fez de propósito. Não sei se amo ou odeio a LG, sinceramente.rs Muito menos agora. 

- Eu fugi desta história durante vários meses. A coloquei na minha meta de leitura, mas fiz de tudo para adiar ao máximo o momento em que a leria. Desejava loucamente mergulhar nas páginas do livro, conhecer o casal, saber tudo o que havia se passado entre eles e como tudo dera terrivelmente errado ao ponto da Ava ir parar na prisão. Porém, foi justamente isso que me encheu de medo e me lançou para bem longe do livro. Ava foi para a prisão. Mesmo antes de conhecê-la, antes de sentir um carinho enorme por ela, eu já sofria por saber que ela tinha sido presa, que passara três longos anos esquecida na cadeia, sofrendo coisas que eu não queria sequer imaginar. Esse fato me levava de volta ao livro Se Houver Amanhã, do meu querido SS. E quem leu a história da Tracy sabe que eu tenho todos os motivos do mundo para ter trauma de histórias de mocinhas ou mocinhos que são presos. Me enche de angústia o sofrimento deles, me deixa sem ar. O mesmo se passa quando é instituição psiquiátrica. Flores na Tempestade - Laura Kinsale. Pois é. Livros nos marcam. Até mesmo traumatizam, em certos casos.kkkkkkkkk... Mas a questão, gente, é que é insuportável demais imaginar um dos protagonistas preso numa cadeia ou numa instituição psiquiátrica, sem ter ninguém que ofereça ajuda. Sem ninguém que se importe com eles. Histórias assim mexem demais comigo. E, dependendo do caso, podem me fazer sentir uma antipatia violenta pelo suposto mocinho ou mocinha que abandonou quem dizia amar e permitiu que algo assim se passasse. Julie, de Tudo por Amor (Judith McNaught) é um exemplo e tanto de como posso desprezar um projeto mal-sucedido de mocinha. Jamais na vida conseguirei perdoar o que a filha da pontualidade fez com o Zack. Ele pode tê-la perdoado. E eu aceitei isso por amá-lo. Mas a minha vontade mesmo era que ela queimasse no inferno pelo que fez. Se o que ela sentia era amor, então seria melhor tê-lo odiado.

- Onde estávamos mesmo?!rsrsrs... Falávamos do livro Fim da Inocência e dos meus motivos para o evitar, certo? Mas o melhor mesmo é falar de todas as razões que tenho para amá-lo... para que ele tenha se tornado um dos melhores livros que já li da autora. :)


Ela sempre o amou...

Ava tinha apenas 16 anos quando o conheceu. E, daquele momento em diante, todo o seu mundo se resumiu a ele. Não enxergava mais ninguém, não ouvia ninguém, nem mesmo seu melhor amigo que sabia que ela tinha sérias chances de se machucar ao amá-lo. Que ele jamais seria um homem adequado para ela. Mas Ava não se importou. O queria. E lutaria por ele, com toda a coragem que a adolescência (e o amor) lhe dava. 

Ela era apenas uma adolescente perdida e rejeitada quando conheceu Olly, aquele que viria a se tornar seu melhor amigo e também o rapaz pelo qual carregaria uma enorme culpa anos mais tarde. Seus pais jamais a quiseram e isso se tornou ainda mais óbvio quando decidiram mandá-la para um internato distante, enquanto suas outras irmãs seguiram estudando perto de casa. Revoltada pela infelicidade que sentia, foi se tornando cada vez mais rebelde, encontrando em Olly um apoio inesperado, alguém capaz de entendê-la e amá-la mesmo tendo crescido num ambiente totalmente diferente do seu. A amizade se construiu naturalmente e foi através dele que ela conheceu Vito, seu irmão mais velho... aquele que a fazia sentir coisas que não estava preparada para sentir, mas que desejava... que queria sentir por (e com) ele. Amá-lo não foi uma escolha. Insistir mesmo quando ele deixou claro que não a via como nada além de uma menina, não foi pura teimosia. O amor simplesmente surgiu cedo demais e forte o suficiente para provocar um grande estrago na vida dos dois.

Aos 18 anos de idade, durante uma festa de Natal realizada na casa de Vito, Ava finalmente decidiu que chegara a hora de confrontá-lo e forçá-lo a admitir que a queria tanto quanto ela, que quando a olhava não enxergava uma criança, mas sim uma mulher. Sentindo-se mais adulta do que realmente era, ela viu, momentos mais tarde, seu coração ser partido em pedaços quando Vito a tratou como se ela não fosse nada além de uma vadia. Sufocada pela dor e atordoada pela bebida, saiu correndo daquele lugar, apenas desejando poder esquecê-lo... mas então... tudo ficou escuro e quando ela acordou nada mais era como antes... Ela estava ferida no hospital enquanto o seu melhor amigo estava morto. E ela era a responsável pelo acidente que quase tirara a vida dos dois. O terrível acidente que lhe roubou o único que foi um verdadeiro irmão para ela... e também a única família de Vito.

Condenada a 6 anos de prisão por direção perigosa com agravante, Ava viu todos os seus sonhos serem destruídos e sua família lhe virar as costas como se ela já não existisse. Em todos os anos de prisão, ela era aquela que não recebia visitas ou cartas... que não tinha ninguém que se importasse com o que podia estar lhe acontecendo. Se ela vivia ou morria, isso não significava nada para aqueles com quem um dia ela convivera e que possuíam laços de sangue com ela. Porém, o que mais lhe doía era saber que, em algum lugar, Vito estava convivendo com a dor que ela lhe provocara... que fora daqueles muros ele era obrigado a suportar a ausência de um irmão que ela arrancara dele. E isso sim era insuportável. Todos os seus anos de prisão não seriam suficientes para apagar o grande dano que ela havia provocado. 

Mas... nos estranhos caminhos do destino... três anos após a noite que marcara para sempre a vida deles dois... Vito e Ava se reencontram. E caberá a eles decidir se, em meio a tanto sofrimento, ainda existiria espaço para o amor... e o perdão. 

- Amar esta história foi tão fácil. Suspiros... E como não desejar pegar este casal no colo e protegê-los de tanta tristeza e mágoa? Eu quis consolá-los, dizer para eles que juntos poderiam superar a perda que ainda os machucava. Quis dizer para a Ava que a entendia e sabia que ela jamais desejou matar o melhor amigo. Desejei sacudir o Vito quando disse coisas que ele próprio não sentia, com a única intenção de magoá-la. Porém, mais do que tudo, eu desejei levá-los de volta àquela noite, minutos antes do acidente, e forçá-los a reescrever tudo. Eu os amei tanto que quis que tudo tivesse sido diferente desde o princípio. Desejei profundamente fazê-los voltar no tempo... 

... E como isso era impossível, fui obrigada a aceitar a forma como a vida os separou... todos os anos que eles sofreram sozinhos, um longe do outro. Vito seguindo com seu mundo enquanto, bajo el mismo cielo, Ava perdia anos de sua vida numa prisão. Anos nos quais ele não pensou em como estava sendo a vida dela. Anos nos quais ele também nunca a visitou. Sim. Eu sei que ele não a amava nessa época. E que estava destruído pelo crime que ela tinha cometido, mesmo que não tenha sido intenção dela. Sei o quanto ele estava no chão. Porém, eu não sou feita de ferro. Meu coração se aperta por saber que ele foi mais um que não se importou com o que estava se passando com ela. Que enquanto ela o amava e sofria pela dor que lhe causou, ele nunca sequer mandou alguém saber se ela pelo menos estava sendo tratada como um ser humano. Isso me magoou muito. 

- No entanto, perdoá-lo não foi sequer necessário. Eu não tinha realmente o que perdoar no Vito. Levando em conta tudo o que se passou, foi surpreendente ver a maneira como ele reagiu quando a vida colocou novamente a Ava em seu caminho. Ele tinha todos os motivos para ser como outros mocinhos da autora. Podia fazer da vida dela um inferno. Tinha o direito de querer vingança. De não acreditar nela, de não ouvi-la e julgá-la baseado no passado e no que sabia sobre ela. Mas... ele é um mocinho de verdade. Alguém que me emocionou, que conquistou meu coração sem que eu própria percebesse. Ver a forma como ele tratava a mocinha... Nossa! Só posso imaginar que a Lynne Graham estava muito feliz e inspirada quando o criou.rsrs Porque ele é tão diferente de tantos outros mocinhos que já conheci dela... Tão humano, carinhoso e... perfeito! Suspiros... Não amá-lo é impossível. Quem me dera que isso se tornasse um hábito. Que a LG nos presenteasse com mais mocinhos como o Vito. Que ele não fosse a exceção, mas sim a regra. Porque a verdade é que estou de saco cheio da arrogância e insensibilidade dos mocinhos dela! Completamente cansada deles acreditarem em todo mundo menos nas mocinhas, de vê-los tratando-as como se elas fossem capacho e tivessem que estar agradecidas por, apesar de tudo que eles julgavam que elas tinham feito, eles ainda serem bons o suficiente para aceitá-las em suas camas, digo, vidas. A paciência de qualquer pessoa atinge um limite. E a minha esgotou faz tempo. Por isso, foi delicioso ler este livro, me apaixonar pelo Vito e pela maneira como ele ajuda a Ava reconstruir a própria vida e curar as feridas deles dois. Juntos eles se curam e aprendem a amar. Juntos percorrem a ponte para o perdão. Para perdoar a si mesmos. É lindo acompanhar tudo isso. Além de divertido e quente também, em certos momentos.rs Porque eles, definitivamente, não conseguem não pegar fogo quando estão entre quatro paredes.kkkkkkk... 

"Ele estava avançando como um grande felino predador, pronto para atacar.
— Pode parar aí mesmo! — Ela avisou, estridentemente.
Ela o levava à loucura, Vito teve de admitir. De algum modo, sempre que brigavam, ela trazia emoção para a mesa, a emoção que ele rejeitava e Ava libertava como um maremoto.
— Não vou parar — Vito chegou a quase ronronar. — E você sabe que não sou de desistir..."

- Ava foi uma das mocinhas com a qual a Lynne mais pegou pesado em seus livros. Os protagonistas da autora não costumam ser muito queridos por suas famílias, mas têm aqueles dos quais a LG não tem dó nem piedade. Esta mocinha além de ser friamente rejeitada por toda a família antes mesmo de ser presa, acaba por descobrir que eles nunca sequer sentiram um pingo que fosse de amor por ela. Que seriam capazes de tudo para proteger a si mesmos, não ligando a mínima para o que ela sentisse, sofresse ou deixasse de sofrer. Eu senti tanto ódio daquela gente! Tanta vontade de que todos eles tivessem um final bastante adequado... E fiquei furiosa quando a Lynne colocou na cabeça que a Ava seria tão boazinha ao ponto de perdoar certos lixos chamados de irmãs. Enfim... Mas nada disso conseguiu estragar o prazer que foi ler esta história. Amei, amei e amei! 

"— Hã... fez compras? — Ava perguntou, surpresa, erguendo as murchas rosas vermelhas. — Precisa colocá-las na água, para mantê-las bonitas.
— Jamais comprei flores pessoalmente. Normalmente encomendo pelo telefone e mando entregar.
— Ninguém jamais me deu flores antes. São lindas.
— Se não estivessem quase mortas — Vito brincou [...]"

- E como eu ri com a cena das flores, gente!kkkkkk... Além de ter ficado com os olhos cheios de lágrimas, é claro.rs Por mais que as flores já não estivessem muito vivas (risos), o gesto dele me emocionou demais. Naquele momento ele não sabia muito bem como expressar o que sentia por ela e mesmo sentindo-se um tanto inseguro e vulnerável ao lhe comprar flores e chocolates, ele tentou. Fez o seu melhor para fazê-la se sentir bem, para mostrar que se importava. Foi um dos momentos mais lindos do livro. 

"— Mas pensei que não pudesse me perdoar.
— Eu também pensei, até tentar imaginar a minha vida sem você — Vito admitiu, agachando-se para poder fitá-la nos olhos. — O perdão sempre esteve presente. Apenas não me dei conta de já o ter alcançado. [...]"

- É necessário eu dizer se recomendo esta história? Claro que sim! Recomendo MUITO!!!! :D
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